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Seguindo o exemplo da equipa de sub-21, a selecção nacional de sub-19 terminou em quarto lugar no Campeonato do Mundo da categoria, que se disputou em Agosto na Macedónia do Norte, uma classificação histórica no escalão, e tendo em conta que Portugal entrava na competição como um dos underdogs.
Depois de um 11º lugar no Europeu de sub-18 em 2018, a selecção falhara o apuramento para o Mundial e esperava-se um Verão sem grandes competições para os sub-19. No entanto, ditou a sorte portuguesa que a Nova Zelândia e a Austrália desistissem e abrisse assim lugar para Portugal. E os jovens portugueses agarraram essa oportunidade com tudo o que tinham.
Entrando como wildcard, a selecção ficou inserida no grupo D, juntamente com Islândia, Alemanha, Servia, Tunísia e Brasil. E apesar de não ter a pressão de ser uma das favoritas ou de ter que chegar longe, a equipa portuguesa tinha o objectivo de apagar a imagem que ficara do Europeu de 2018.
O primeiro jogo foi uma entrada em grande. Frente à poderosa Alemanha, Portugal saiu triunfante por 33-26, dando assim o mote para as restantes jornadas da fase de grupos. Iguais destinos tiveram Sérvia, Islândia, Tunísia e Brasil, que acabaram vencidas pela turma portuguesa. Assim, a equipa repescada terminou a fase de grupos em primeiro lugar, com cinco vitórias em cinco jogos. De seguida era a vez de enfrentar a equipa da casa, a Macedónia do Norte.
Frente a uma equipa organizada e um pavilhão cheio, Portugal foi mais forte, vencendo por 29-25 e marcando assim um encontro nos quartos-de-final contra a França, a bi-campeã em título. Numa partida em que a defesa portuguesa esteve irrepreensível, uma constante ao longo do campeonato, os jovens seguiram o exemplo dos seniores e venceram a selecção francesa por 31-26, carimbando assim a passagem às meias-finais pela primeira vez na história do escalão.
Sete jogos, sete vitórias. Era este o cartão de visita de Portugal frente ao Egipto, adversário na meia-final e a única coisa que separava Portugal da final. No entanto, e tal como aconteceu no escalão de sub-21 um mês antes, a resistência física traiu a equipa quando era mais precisa, e ao longo do jogo viu-se uma defesa desgastada e um ataque que não conseguia dar resposta à quantidade de golos marcada pela selecção egípcia. 41-36 acabou por ser o resultado final e depois de uma caminhada imaculada, Portugal perdia à porta da final e virava atenções para a medalha de bronze, onde iria enfrentar a Dinamarca.
Tal como o seleccionador Carlos Martingo afirmara no início do campeonato, a maior fraqueza de Portugal era a inconsistência, e nos últimos dois jogos foi isso o que assistimos. Depois de um colapso defensivo frente ao Egipto, frente à Dinamarca assistimos a um ataque sem ideias e a uma defesa incapaz de parar o ataque dinamarquês, de tal forma que o resultado final seria de 27-35.
Para a história fica a quarta posição num mundial, um lugar que há anos atrás parecia apenas um sonho. E a verdade é que no espaço de dois meses assistimos a dois quartos lugares em mundiais jovens, tanto nos sub-21, como agora nos sub-19. A explicação tem sido o constante desenvolvimento e aposta na formação, com os resultados a serem mais que notórios.
O futuro parece risonho para o andebol português, com várias gerações jovens a assumirem lugares de destaque em competições internacionais. Agora apenas falta aquele pequeno passo, ultrapassar este bloqueio que separa as equipas de meia-final dos campeões que disputam as finais e atingem as medalhas.
A RETIRAR
Martim Costa

O jovem de 16 (!) anos foi eleito o melhor lateral direito do Mundial. Se a idade não fosse já um factor de surpresa, é preciso ter atenção que se trata de um destro a jogar nessa posição, o que apenas aumenta a importância deste feito. Depois de uma época em que foi peça fundamental da subida do FC Gaia à primeira divisão, Martim é neste momento uma das estrelas em ascensão do andebol português e podemos esperar uma época de 2019/2020 a ser a confirmação de todo o seu potencial. Com 188cm, um forte remate exterior e velocidade na finta, pode ser um caso muito sério no futuro do andebol nacional.
Salvador Salvador

Mais um jovem lateral que demonstrou o seu potencial nesta competição. Um produto da formação do NASC e do Sporting CP, Salvador tem sido uma das apostas do Sporting há várias épocas, jogando sempre em escalões acima do seu, dada a sua imponência física – 197cm e 97kg – com apenas dezoito anos.
O remate exterior e o trabalho defensivo são as suas principais armas, e apesar de muitas vezes ser impulsivo em ambos, nem sempre tomando a melhor decisão, a experiência que ganhará nos próximos anos irão refinar e muito este atleta, que tem tudo para se afirmar no plano nacional dentro de poucos anos.
Tiago Sousa

O pivôt do FC Porto, que este ano jogará pelo ISMAI, na primeira divisão, foi o pilar defensivo da selecção. Juntamente com Salvador Salvador no centro da defesa, poucas foram as equipas que os conseguiram ultrapassar de forma regular.
Fisicamente dotado para a posição – apenas dezoito anos e já com 195cm, Tiago, tal como outros desta equipa, tem jogado de forma constante em escalões acima do seu, adquirindo experiência que mostrou ser fundamental no plano defensivo. Ofensivamente, e tal como a maioria dos pivôts, por vezes falta-lhe alguma calma no momento do remate. No entanto, tal só mudará com treino e prática frente aos melhores, algo que esta época sem dúvida lhe dará.
Foto De Capa: IHF












