Londres 2017: Uma montanha russa de emoções

- Advertisement -

Cabeçalho modalidadesChegaram ao fim os Mundiais de Londres. Chegou ao fim a carreira de Usain Bolt. Chega ao fim também a carreira de Mo Farah em pista. São muitas despedidas num só dia e ainda é difícil de acreditar que não mais veremos Usain Bolt ou Mo Farah pisar uma pista. Mas sobre isso falaremos em artigos futuros. Hoje iremos falar de como decorreram os Campeonatos de Londres, quais os aspectos positivos e negativos e como o Atletismo sai reforçado desta jornada.

A IAAF sabia que jogava pelo seguro no dia em que escolheu Londres para ser a sede dos Mundiais de 2017. Todos sabemos da admiração que os britânicos têm pelo desporto e pelo Atletismo em particular, todos sabemos que este poderia ser um fim de um ciclo para alguns dos principais atletas e assim o foi para duas grandes lendas, o que apenas reforçou a importância destes Campeonatos. Recorde-se que estes foram os primeiros Mundiais após o escândalo de doping russo (existiram os Jogos Olímpicos, mas aí não é um evento unicamente de Atletismo) e a resposta do público não poderia ser mais positiva. Foram os Campeonatos Mundiais com mais espectadores da história no estádio, tendo ultrapassado os mais de 700.000 bilhetes vendidos nos 10 dias de evento. Acresce-se que a Organização nunca teve receio de falhar e eram também os Mundiais com os preços mais picantes. Mas nada falhou nesse aspecto, o público que compareceu em massa criou em todas as sessões uma atmosfera impressionante e o Atletismo consegue sair destes mundiais por cima depois das dúvidas criadas pelo “caso russo”.

Não que o doping tenha estado totalmente ausente das conversas durante os Mundiais. Os russos autorizados a participar, apenas o fizeram representando uma “equipa neutral” e qualquer adereço russo foi proibido no estádio. Numa das provas mais aguardadas do campeonato, a final dos 100 metros, Usain Bolt perdeu para Justin Gatlin, que foi suspenso por doping no passado e, portanto, o fantasma andou sempre presente. No entanto, o desporto tem que saber conviver com isso. “Cheaters” sempre existiram e continuarão a existir, restando ao desporto trabalhar no sentido de ser cada vez mais limpo e de punir quem infringe as regras.

Uma das imagens deste mundial Fonte: IAAF
Uma das imagens deste mundial
Fonte: IAAF

Em termos de marcas não foram os Mundiais mais espectaculares de sempre. Não houve recordes mundiais batidos e os recordes de campeonatos e nacionais não chegaram aos números de outras edições. Já se esperava isso. Em Campeonatos após os Jogos Olímpicos, os resultados tendem a sofrer alguma quebra por vários motivos – esqueçam Bolt em Berlim, Bolt é à parte. Seja por alguma descompressão e descarga emocional pós Olímpicos, seja por ser um final de ciclo de 3 anos (Mundiais-Olímpicos-Mundiais), seja porque existem excessos após os Olímpicos. Mas em 2019, depois de um 2018 sem eventos globais ao ar livre, já deveremos ter outro tipo de marcas em Doha. No entanto, em termos de espectacularidade e emoção foi do mais fantástico que alguma vez se viu. As surpresas foram tantas que fazer um top-10 revela-se uma tarefa muito complicada (vamos tentar!). Todos os dias revelaram-se verdadeiras caixinhas de surpresas. Ninguém, à partida, esperaria ver nomes como Bolt, Elaine Thompson, Shaunae Miller, Ryan Crouser, Mo Farah (nos 5.000) ou Kendra Harrison derrotados. Mas vimos. Assim como vimos surpresas enormes nos Ouros de Guliyev, Emma Coburn, Francis Phyllis, Kori Carter ou Warholm. Esta é a magia do desporto e o Atletismo, mais uma vez, provou que magia é coisa que não lhe falta.

Em termos nacionais, conseguimos o Ouro que aqui tínhamos previsto com Inês Henriques nos 50 Km Marcha. Conseguimos mais um Bronze, com Nelson Évora no Triplo Salto. Um guerreiro nunca desiste e quando o pensam ter derrotado é quando ele volta mais forte ainda. Está velho? Não. A nossa aposta é que ainda volta em Doha e em Tóquio e com a competitividade de sempre. Os restantes atletas portaram-se dentro do esperado, alguns abaixo, outros um pouco acima do esperado.

No quadro geral, os Estados Unidos da América fizeram uns extraordinários campeonatos. Mesmo que alguns dos seus favoritos não tenham alcançado o Ouro, existiram outros resultados surpreendentes que acabaram por compensar na hora de pesarmos na balança. O Quénia voltou aos seus melhores momentos e esteve a um grande nível, assim como nações como a África do Sul e a Polónia mostraram a sua força actual. Os Britânicos fizeram uns excelentes campeonatos nas estafetas (conquistaram medalhas em todas as estafetas), mas a nível individual tiveram apenas um medalhado e que aqui se despede – Mo Farah.

Omar McLeod deu o único ouro à Jamaica ao vencer os 110 barreiras Fonte: Sabreakingnews
Omar McLeod deu o único ouro à Jamaica ao vencer os 110 barreiras
Fonte: Sabreakingnews

A grande decepção foi mesmo a Jamaica. Uma das piores prestações de sempre. Apenas 4 medalhas (1 Ouro e 3 Bronzes). Em todas as edições de Campeonatos Mundiais, apenas por duas vezes os jamaicanos não conseguiram mais de 4 medalhas: foram as mesmas 4 em 1987 em Roma e apenas 3 em Helsínquia em 1983. Portanto, há 30 anos que os jamaicanos não viam tão poucos atletas do seu país a subir ao pódio. Muito abaixo das expectativas e logo numa cidade onde tantos jamaicanos fizeram questão de marcar presença e apoiar em todos os dias do evento.

O balanço é claramente positivo. Dizemos adeus a Londres com um sorriso na cara pelo sucesso dos Mundiais. A época, no entanto, não termina ainda aqui, há 3 etapas da Diamond League para disputar, incluindo as finais que prometem. Em termos de eventos globais ao ar livre, os próximos serão os Mundiais de Doha em 2019. Em Pista Coberta, teremos os Mundiais de Pista Coberta em Birmingham já em Março do próximo ano.

Foto de Capa: IAAF

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Imprensa italiana mete Enzo Barrenechea e português na lista de arrependimentos da Juventus

Imprensa italiana olhou para alguns negócios da Juventus. Passado de Enzo Barrenechea e Félix Correia lembrado.

Rui Borges vai trabalhar Souleymane Faye na pausa de seleções para subir protagonismo do jogador no Sporting

Souleymane Faye vai ser um dos nomes a quem Rui Borges vai prestar especial atenção na pausa para seleções. Extremo do Sporting trabalhado individualmente.

Basquetebol: Benfica vence Braga por 41 pontos de diferença na Taça Hugo dos Santos

O Benfica recebeu e derrotou o Braga por 104-63, na última jornada da Taça Hugo dos Santos. As águias passaram, assim, diretamente às meias-finais da competição.

Sevilha anuncia Luis García Plaza como novo treinador

O Sevilha anunciou esta terça-feira a contratação de Luis Gracía Plaza para treinador. Os sevilhanos estão três pontos acima da zona de descida de divisão.

PUB

Mais Artigos Populares

Artur Jorge apresenta-se no Cruzeiro com palavras fortes: «Temos de baixar o ego»

Artur Jorge apresentou-se esta quarta-feira no Cruzeiro e deixou algumas dicas ao seu plantel. O português está de regresso ao Brasil, pela primeira vez desde 2024.

Ex-jogador do Benfica elogia Samuel Dahl: «Está outro jogador»

Álvaro Magalhães, antigo jogador do Benfica, deixou elogios a Samuel Dahl e afirmou que o sueco melhorou bastante com José Mourinho.

Como ver grátis o Azerbaijão x Portugal no apuramento para o Euro Sub-21

O Azerbaijão e Portugal defrontam-se na qualificação para o Euro Sub-21. Jogo realiza-se de manhã e em solo azeri.