Medalhas e Recordes: Quem tem lugar na história?

- Advertisement -

Cabeçalho modalidadesÉ uma discussão recorrente e que perdurará no tempo para os amantes de Atletismo: Poderá um atleta sem medalhas em eventos globais ser um dos melhores de sempre? Poderá um atleta sem alguma vez ter alcançado o recorde mundial ser um dos melhores de sempre? A discussão voltou à baila, com o final da carreira em pista de Mo Farah (GBR). O atleta britânico tem um palmarés absolutamente memorável: três Ouros Mundiais, dois Ouros Olímpicos e mais uma Prata Mundial, dobrando sucessivamente distâncias em eventos globais.

Ainda assim, há quem não o coloque na história, junto dos maiores de sempre, porque olhando para os tempos “a nú”, Farah é “apenas” o 31.º mais rápido a percorrer os 5.000 metros e o 16º mais rápido a percorrer os 10.000 metros. Mas será que Mohamed Farah beneficiou apenas da pouca competição em pista ou deve mesmo levar os louros de ter sabido gerir as corridas a seu prazer e ser um dos maiores estrategas de sempre em pista? Todos sabemos que o britânico é um dos atletas que, assumidamente, prefere medalhas a recordes. Nunca o escondeu e nunca sequer fez uma real tentativa de chegar perto de tempos de recorde mundial. Mas será que está certo na sua abordagem? Será que pode ser considerado um dos melhores da história?

Para podermos responder a estas questões, talvez valha a pena socorrermo-nos de alguns exemplos. E porque não começar com exemplos nacionais?

Estávamos a 2 de Julho de 1984. Em Estocolmo, na prova dos 10.000 metros estariam presentes dois enormes talentos nacionais, treinados pelo Professor Moniz Pereira: Carlos Lopes e Fernando Mamede, ambos atletas do Sporting Clube de Portugal. As condições climatéricas estavam perfeitas e o elenco reunido era o ideal para um ataque a uma marca histórica. À passagem dos 7.000 metros, Carlos Lopes dispara e foge por completo da concorrência, deixando para trás todos os seus adversários, incluindo Mamede. Mas nunca o mundo havia visto um último km tão rápido numa prova de 10.000 metros. Mamede completou os últimos 1.000 metros em 2:32.72m e alcançou o recorde mundial com um tempo de 27:13.81. Carlos Lopes, que ficou em segundo lugar, também fez uma marca que lhe daria o recorde mundial, ficando na altura com a segunda melhor marca da história. O recorde de Mamede só viria a ser batido em 1989, cinco anos depois. Um mês depois, nos Jogos Olímpicos, Fernando Mamede “bloqueia” na final e desiste, sucumbindo à pressão dos adversários que o viam, tal como o mundo inteiro, como o grande favorito.

Professor Mário Moniz Pereira e Fernando Mamede Fonte: Camarote Leonino
Professor Mário Moniz Pereira e Fernando Mamede
Fonte: Camarote Leonino

O historial de Mamede fala por si: 27 recordes nacionais em toda a sua carreira, 20 títulos nacionais, três vezes recordista europeu dos 10.000 metros, mais de dois anos sem perder uma corrida, correndo no mais alto patamar mundial a nível de meetings. E zero medalhas em Campeonatos Europeus e zero medalhas em eventos globais (Mundiais e Jogos Olímpicos), à excepção de um Bronze no Corta-Mato.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Trabzonspor disposto a pagar os 5 milhões de euros desejados pelo Estrela da Amadora por médio… mas preço subiu

O Trabzonspor volta à carga por Eddy Doué, médio do Estrela da Amadora. Depois de tentar no verão, haverá espaço a nova tentativa em janeiro.

Georgios Vagiannidis corre contra o tempo e dá razões para o Sporting sorrir

Georgios Vagiannidis voltou ao Sporting lesionado, mas as primeiras sensações são positivas. Lesão grave temida está descartada.

3 cartazes de apoio a Cristiano Ronaldo e contra Jorge Jesus afixados em Lisboa

Depois de toda a polémica, uma ação insólita de protesto. Foram afixados três cartazes de apoio a Cristiano Ronaldo e contra Jorge Jesus.

Gianluca Prestianni atrai interesse de 5 clubes da Premier League depois do arranque de época pelo Benfica

Há cinco clubes da Premier League a acompanhar a temporada de Gianluca Prestianni. Extremo tem estado em destaque no Benfica.

PUB

Mais Artigos Populares

Pedro Gonçalves revela novos pormenores da saída do Sporting: «Queria participar e jogar, mas foi decidido assim desde o início e tinha de respeitar»

Pedro Gonçalves concedeu uma entrevista. Jogador abordou saída do Sporting e deixou mensagem de carinho aos adeptos.

Pedro Gonçalves ambiciona regresso à seleção e elogia Jorge Jesus: «Vai tentar trazer uma nova imagem para Portugal e tentar conquistar troféus»

Pedro Gonçalves concedeu uma entrevista. Jogador perspetivou regresso à seleção e elogiou Jorge Jesus.

Pedro Gonçalves elogia projeto da Fiorentina e compara Serie A à Primeira Liga: «Historicamente, os treinadores são muito mais táticos»

Pedro Gonçalves concedeu uma entrevista. Jogador da Fiorentina falou dos primeiros tempos em Itália e da Serie A.