Medalhas e Recordes: Quem tem lugar na história?

- Advertisement -

Do outro lado, Carlos Lopes. Não é que Lopes não fosse menino para fazer grandes marcas – a nível nacional, só nos 5.000 bateu por nove vezes o recorde nacional, sete nos 10.000, onde foi recordista europeu e, claro, o recorde mundial da Maratona. Mas a grande diferença entre os dois era nos dias das grandes competições. Se Mamede acusava a pressão invariavelmente em eventos globais, Lopes conquistou um Ouro Olímpico (na Maratona) e uma Prata Olímpica (nos 10.000), além do arraso no Corta-Mato, onde foi três vezes Ouro e duas vezes Prata Mundial. Terão os dois o mesmo lugar na história?

Os exemplos claro que não se esgotam nos dois portugueses. Na velocidade, temos casos como o de Asafa Powell (JAM), o atleta que mais vezes baixou dos dez segundos na história dos 100 metros e que, a nível individual, o melhor que conseguiu em eventos globais foram dois Bronzes em Mundiais. Em Jogos Olímpicos, nunca sequer subiu ao pódio individualmente. É um dos únicos cinco atletas da história que baixaram mais do que uma vez dos 9.80 (baixou oito vezes). Bateu o recorde mundial dos 100 por duas vezes, mas eclipsava-se invariavelmente na hora da verdade. Não só à sombra do compatriota Usain Bolt (esse sim, adorava grandes palcos!), mas especialmente à sombra do momento, das grandes competições. Do outro lado, temos, por exemplo, um Kim Collins (SKN) que foi campeão mundial em 2003 com uma marca (hoje modesta) de 10.07. Terão os dois um lugar na história?

Carlos Lopes após a vitória de 1984 Fonte:BigSlam
Carlos Lopes após a vitória de 1984
Fonte:BigSlam

Para nós, adeptos da modalidade, todos os atletas mencionados têm lugar na história, sentados entre os melhores. Pessoalmente, considero que alcançar uma medalha terá um significado especial que nenhum recorde poderá alcançar. Nunca ninguém poderá retirar um título mundial ou olímpico, perdurará para sempre nos livros. Já os recordes são diferentes…embora se fique sempre conhecido como “ex-detentor de recorde mundial”, a verdade é que todos os recordes são para ser batidos. Mas dará com certeza um gosto especial saber que, em determinado momento da história, fomos os mais rápidos de sempre a percorrer determinada distância. No que ficamos? Apreciar o desporto e ter a certeza que nos livros constará o nome de Mo Farah. Mas também o de Mamede!

Foto de Capa: lanouvellerepublique

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Brian Riemer: «Portugal teve um grande selecionador que foi Roberto Martínez e agora tem outro grande treinador

Brian Riemer fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Imprensa catalã reage ao triunfo de Portugal: «Portugal e Cancelo sabem golear sem Cristiano Ronaldo»

A vitória de Portugal contra a Dinamarca por quatro bolas a duas está a ser alvo de análise por parte da imprensa internacional.

Portugal: eis a hora para o regresso a solo luso da seleção nacional

A seleção de Portugal regressa a solo nacional durante a próxima sexta-feira, deixando assim Copenhaga, capital da Dinamarca.

Jorge Jesus 1-0 Cristiano Ronaldo: Tendência para manter? Ou princípio do fim da polémica?

Portugal foi ao terreno da Dinamarca vencer por quatro bolas a duas, num encontro a contar para a Liga das Nações.

PUB

Mais Artigos Populares

Nuno Mendes: «Estou a gostar muito de trabalhar com Jorge Jesus»

Nuno Mendes fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Rafael Leão e a utilização do número 7: «O Cris é um ídolo de infância, o 7 é um número especial, foi a data...

Rafal Leão fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Eis as contas para Portugal garantir o apuramento na Liga das Nações já no próximo jogo

Portugal tem o caminho aberto para fechar o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações. Conhece as contas nacionais.