Yohan Blake: O tempo corre em sentido contrário

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Em 2016, assistiu-se ao renascimento de Yohan Blake. Conseguiu voltar a baixar dos 10 segundos nos 100 metros e nos Jogos Olímpicos do Rio correu em 9.93s, ficando à beira do pódio, na quarta posição. Nos 200 metros, não baixou dos 20 segundos, e falhou o acesso à final. Ainda assim, os indícios foram positivos. Já este ano, em 2017, Blake baixou dos 20 segundos nos 200 metros em Kingston, num fim-de-semana onde correu os 100 metros também em 9.90. Foram as melhores marcas do atleta este ano. Nos Mundiais de Londres, onde até tinha algumas expectativas de medalhas, repetiu os lugares do Rio, 4º nos 100 metros (atrás de Bolt, em 9.99), caindo nas meias-finais dos 200 metros.

Yohan Blake nos Mundiais de Londres deste ano Fonte: reutersmedia
Yohan Blake nos Mundiais de Londres deste ano
Fonte: reutersmedia

Aos poucos, Yohan Blake parece ter reaprendido a caminhar. É uma nova vida do atleta jamaicano e é uma incógnita saber até poderá ir. Até porque como Ato Boldon refere “não existem muitas pessoas que voltam deste tipo de cirurgias melhores ou ao mesmo nível em que estavam antes. Não sei se alguma vez voltaremos a ver o mesmo Blake que vimos em 2011 e 2012. Ele não é, hoje, tão explosivo no meio da corrida (o que era o seu forte). Vai precisar de mais corridas e só assim ele próprio se vai começar a sentir melhor e mais confiante”.

No entanto, o atleta parece crente e conta um curioso episódio com Usain Bolt neste verão: “Depois de ter sido 4º em Londres, ele (Bolt) chamou-me ao seu quarto e disse “Yohan, eu não vou andar por aqui mais e a Jamaica depende de ti.” Eu disse-lhe que nunca tinha sentido essa responsabilidade antes e ele respondeu “Precisas de voltar a ganhar, eu vou estar sempre a chatear-te do teu lado”. Mesmo sem fazer um tempo extraordinário, Blake venceu a prova seguinte, o Meeting de Bruxelas, antes mesmo do fecho da época. O jamaicano é ainda o segundo homem mais rápido da história nos 100 e 200 metros (tempo igualado com Tyson Gay nos 100 metros, de 9.69), um dos únicos três a baixar da barreira dos 9.70s nos 100 metros e um dos únicos 2 a baixar da barreira dos 19.30s nos 200 metros. Sabendo que o tempo corre contra si e com 28 anos feitos há poucas semanas, será que Yohan Blake ainda irá a tempo de cumprir com o que um dia parecia certo e afirmar-se como o sucessor de Usain Bolt nas pistas?

Foto de Capa: rjrnewsonline

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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