

A pergunta começa a ganhar peso nos corredores, nas bancadas e nas redes sociais: Estará o FC Porto a viver o fim de um ciclo no basquetebol masculino?
Mais do que uma perceção subjetiva, há um facto duro que alimenta a discussão: A equipa deixou de transformar competitividade em títulos.
Durante anos, o FC Porto foi sinónimo de regularidade, disciplina tática e uma cultura de exigência que fazia tremer qualquer adversário. Contudo, as épocas mais recentes revelam um padrão preocupante — a equipa mantém-se competitiva, chega longe em várias competições, mas esbarra sempre no momento decisivo. Final após final perdida, meias-finais mal geridas e a sensação de que falta sempre um detalhe… ou vários.
A seca de títulos não é apenas um dado estatístico: é um reflexo de que o modelo vigente parece ter esgotado o seu potencial. O núcleo duro, tão importante na construção de vitórias passadas, parece hoje desgastado. A intensidade já não é a mesma, a criatividade ofensiva diminuiu e, sobretudo, falta capacidade para assumir o jogo nos instantes em que se decidem campeonatos.
O problema agrava-se quando se percebe que os rivais souberam renovar-se melhor. Benfica e Sporting modernizaram plantéis, introduziram perfis mais versáteis, incorporaram jogadores com maior diferencial individual e adaptaram-se a um basquetebol mais rápido, físico e imprevisível. O Porto, por seu lado, continua preso a uma matriz que funcionou, mas que não tem produzido títulos — e esse é o dado mais difícil de ignorar.
A falta de renovação geracional também pesa. Jovens que podiam acrescentar energia e irreverência raramente têm espaço consistente; reforços chegam para preencher lacunas, mas raramente para redefinir a equipa; e a ideia de jogo mantém-se demasiado previsível para quem precisa desesperadamente de um choque de modernidade.
Em 2025/2026, o problema agravou-se com saídas de vários jogadores a meio da temporada, por aparente inadaptação ou incapacidade de ajudarem a equipa.
Então, é o fim de ciclo? Tudo indica que pelo menos estamos muito próximos dele. Não porque o Porto esteja mal — não está — mas porque deixou de estar onde sempre ambicionou: no topo com troféus na mão.
Num clube como o FC Porto, finalista derrotado não é estatuto, é alerta.
Ainda assim, um fim de ciclo não é sinónimo de crise. É um convite à mudança. É o momento de perceber que a estrutura precisa de oxigénio, que o plantel precisa de competição interna real e que o projeto precisa de novos ingredientes — táticos, humanos e culturais.
O FC Porto tem tudo para regressar aos títulos: história, adeptos, recursos e identidade.
No entanto, só o fará quando assumir que a estabilidade se transformou estagnação.
Os ciclos não acabam quando se deixa de competir — acabam quando se deixa de ganhar.
E esse é o sinal mais claro de todos.

