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Enquanto todos dormiam, Donovan Mitchell saltou para a ribalta

António Pedro Dias · 2 min

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Para quem acompanhou o draft deste verão e tudo o que o envolveu, Donovan Mitchell não é propriamente um desconhecido. Bom defensor, capaz de contribuir no ataque, com entrada na segunda metade do top20 de rookies. Mas havia quem o chamasse “o roubo do draft”, depois de ter sido escolhido na posição treze. Os especialistas ia avisando os menos atentos que Donovan Mitchell era mais do que um rookie normal, que o base saído de Louisville podia ser especial. Os primeiros jogos em Utah mostraram algo, mas foram os 41 pontos marcados na semana passada em New Orleans que fizeram os holofotes virarem-se para o 45 dos Jazz. Depois da saída de Hayward, Mitchell traz nova vida a Salt Lake City e aos adeptos do Jazz quando muitos pensaram que ele seria só mais um.

A carreira de Donovan Mitchell não tem sido recheada de momentos brilhantes. Dividiu o seu tempo entre o basquetebol e o basebol no liceu, ficando com o primeiro como único desporto quando se transferiu do Connecticut para New Hampshire, atraindo aí maior atenção das maiores universidades. Escolheu Louisville e teve um primeiro ano complicado, com poucos minutos,sempre como segunda opção. Ganhou notoriedade no seu segundo ano e entrou no draft de 201, onde seria escolhido pelos Denver Nuggets na 13ª posição e trocado para os Utah Jazz. Mitchell chegava à NBA como um jogador de equipa no máximo e nada mais. Alguém que conseguia defender e acertar o ocasional lançamento exterior do outro lado era o que constava nos relatórios da maioria dos olheiros. Porém, os Utah Jazz viam algo mais…

Pequeno, em relação ao que é normalmente esperado num jogador da NBA (1,91m), mas com uma envergadura tremenda (2,08m), a desproporcionalidade corporal é o que diferencia Donovan Mitchell de todos os outros. À primeira vista parece algo pesado, mas é tremendamente rápido e tem um excelente salto. Estas características físicas fazem de Mitchell um jogador único. A capacidade para defender no perímetro era mais do que reconhecida.

Não se esperava um impacto tão rápido de Donovan Mitchell na NBA Fonte: NBA
Não se esperava um impacto tão rápido de Donovan Mitchell na NBA
Fonte: NBA

O base dos Utah Jazz elevou o seu jogo mais cedo do que era esperado. De repente, Donovan está a comandar o ataque, alternando o ataque ao cesto com lançamentos exteriores a partir do drible sem qualquer problema. A anormal envergadura e atleticismo permitem finalizar debaixo do cesto com os postes e lançar por cima da maioria dos bases, fazendo de Mitchell uma incrível arma que Quinn Snyder, técnico soube usar cedo na temporada, abdicando até daquele que seria o homem com mais bola, Ricky Rubio.

A 1 de dezembro, Mitchell saltou para as capas dos jornais com 41 pontos na vitória sobre os Pelicans, batendo o recorde de pontos marcados por um rookie pelos Utah Jazz e tornando-se no primeiro jogador desde Blake Griffin a ultrapassar a barreira dos quarenta pontos marcados no seu primeiro ano.

Mais do que isso, Donovan Mitchell entrou a sério na discussão de rookie do ano, que começava a parecer cada vez uma corrida de um só jogador, com Ben Simmons a efetuar um ano fantástico. Numa temporada que podia ser frustrante para os Jazz, depois da saída de Gordon Hayward, Mitchell traz esperança aos adeptos de Utah de que o futuro é agora.

Foto de Capa: NBA

António Pedro Dias

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