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Luka, o doutor que passa atestados de incompetência

António Pedro Dias · 2 min

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Começam a faltar palavras para descrever o jovem esloveno dos Mavericks. Luka Doncic tornou-se, esta segunda-feira, o segundo jogador a conseguir um triplo-duplo com mais de 40 pontos antes de atingir os 21 anos. O outro? LeBron James. Foi um jogo tremendo de Doncic que tem impressionado durante toda a temporada e que, mais do que estar certo no All-Star, se começa a aproximar “perigosamente” da luta pelo MVP.

Permitam-me que use este espaço para me congratular a mim mesmo. Se admito quando falho, ninguém me para quando descubro que estava certo. Luka Doncic era, para mim, a escolha óbvia para número um no draft de 2018. Tinha de ser. Os “especialistas” americanos apontavam a falta de experiência de Luka no basquetebol americano, mas o rapaz era MVP da Euro Liga. O melhor jogador a atuar na Europa, constantemente contra defesas mais fortes e mais experientes. Raramente na NCAA se defrontam jogadores do mesmo nível. Doncic encontrava isso semana sim, semana sim. E querem-me fazer crer que DeAndre Ayton e Marvin Bagley são ou serão melhores?

O draft por vezes é difícil, é complicado imaginar o que poderá ser um jogador no futuro. E outras vezes é fácil. Principalmente nas primeiras escolhas, o talento está ali. É só escolher aquele que tem mais. E se tens à tua frente um miúdo de 18 anos que é campeão da Liga ACB, da Euro Liga e do Campeonato Europeu, sendo consistentemente o melhor jogador da sua equipa, tu escolhes esse miúdo. Porque a probabilidade desse miúdo não ser uma estrela é incrivelmente baixa. Porque, acima de tudo, esse miúdo já é uma estrela!

Doncic teve uma noite histórica frente aos Spurs, com 42 pontos
Fonte: Dallas Mavericks

Luka Doncic está no top cinco de pontos e assistências na NBA e top dez em ressaltos. Sabem quem consegue igualar estes números em toda a liga? Ninguém. O base/extremo dos Mavs tem levado a equipa a um quinto lugar no Oeste, o que é algo alto para o nível da equipa de Dallas mas que comprova a qualidade de Doncic, que tem tido um mês de novembro em cheio. Só por quatro vezes ficou abaixo dos 30 pontos e em nenhuma dessas vezes baixou dos 20. São já seis os triplo-duplos de Luka, que tem de ser considerado, neste momento, para o prémio de MVP.

Doncic é a prova do preconceito que existe ainda por parte dos americanos em relação ao basquetebol europeu. Sim, houve tempos em que europeus escolhidos nos primeiros lugares do draft se deram mal. Mas por cada um desses, há três ou quatro escolhidos mais tarde que mudaram o jogo. Os Estados Unidos tiveram aquilo a que gostam de chamar “wake up call” no Mundial deste ano e, depois de um MVP grego, terão nos próximos anos um MVP esloveno. Uma estrela que mostra a léguas a qualidade que tem e que duas equipas deixaram escapar porque “não estava habituado ao basquetebol americano”… Luka é magia. Aqui, nos Estados Unidos ou na China. Ou, felizmente, para os adeptos dos Mavericks, em Dallas.

Foto De Capa: Dallas Mavericks

Artigo revisto por Diogo Teixeira

António Pedro Dias

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