NBA | Que o novo ano traga um novo James Harden

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Se há jogador na NBA a quem não se pode negar a qualidade é, definitivamente, a James Harden. No entanto, o que James Harden tem de barba e de qualidade, é o que lhe falta de senso comum e cabeça, por vezes.

O shooting guard de 31 anos carrega de forma praticamente solitária os Houston Rockets, desde que se juntou à franquia em 2012, após abandonar os Oklahoma City Thunder. Digo que “carrega a equipa” sendo que é, há quase dez anos consecutivos, o verdadeiro nome forte da casa. Harden é o contrabalanço daquilo que deve ser o jogo jogado: ótimo no ataque e, por vezes, péssimo na defesa. É possivelmente dos jogadores mais inteligentes da liga a nível de jogo, não fosse por isso que, de cada vez que chega à linha limite dos três pontos, o adepto comum de NBA já sabe que, das duas uma, ou o lançamento de James Harden cai sem espinhas dentro do cesto ou então é marcada falta.

Mas a questão parte verdadeiramente daquele que é o primeiro período do segundo parágrafo. Os Houston Rockets, nos últimos anos, tornaram-se na franquia do “Seja o que Harden quiser”. Já não existe outros termos para descrever o que os Rockets são hoje e tudo gira à volta do mesmo. A diferença de tratamento entre jogadores é abismal e a cedência às exigências de James Harden por parte do staff e dos donos da franquia é mais fácil do que ver o mesmo ganhar uma falta na linha de três pontos, e isso não é nada difícil.

Falamos de um jogador que, depois da pausa do fim-de-semana de All-Star, nunca aparecia ao primeiro treino da equipa para retomar o campeonato por “estar ausente” – como quem diz, o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas. Harden parece aquele filho mais novo que os pais não querem “educar a mal” então deixam com que faça o que quiser de livre vontade. Um antigo membro do staff dos Rockets chegou mesmo a dizer em público que James Harden nunca ouviu um não antes.

A verdade é mesmo essa e não há como a negar. Consegue ser um exemplo de jogador dentro da quadra, apesar de falhas que evidentemente todos têm (nem todos são como Kobe), mas fora do pavilhão, não está nada perto daquilo que deve ser considerado um exemplo.

Não existe uma offseason em que os rumores de trocas e saída de Harden não apareçam na ribalta, apesar de já todos saberem que é só uma manobra de diversão. É um dos que dá opinião nas grandes decisões da franquia, tanto a nível de jogadores como corpo técnico, tanto em contratações como despedimentos.

Mas uma das últimas gotas foi o quebrar de protocolo relativo à pandemia de COVID-19. James Harden não compareceu nos primeiros dias de treino, pouco antes da época começar no final de dezembro. Afinal, para Harden não tem mal andar em festas repletas de gente sem cumprir o mínimo de regras de segurança no meio de uma pandemia e publicitar isso mesmo nas redes sociais.

Custa genuinamente aceitar como não existe alguém que ponha mão nisto. Mas, no final de contas, ele pode fazer o que quiser. No jogo seguinte marca 50 pontos, faz um triplo-duplo e tudo está bem quando acaba bem.

Em suma, espera-se que 2021 traga um James Harden com mais consciência. Apesar do bom jogador que demonstra ser dentro do pavilhão e do exemplo de jogador inteligente que acaba por ser, que este novo ano traga um novo Harden.

Foto de Capa: NBA

Andreia Araújo
Andreia Araújohttp://www.bolanarede.pt
A Andreia é licenciada Ciências da Comunicação, no ramo de Jornalismo. Depois de ter praticado basquetebol durante anos, encontrou no desporto e no jornalismo as suas maiores paixões. Um dos maiores desejos é ser uma das vozes das mulheres no mundo do desporto e ambição para isso mesmo não lhe falta.

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