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O nada gracioso envelhecimento de Melo

António Pedro Dias · 3 min

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No verão de 2017, Sam Presti conseguiu o impensável, juntando dois all-stars ao MVP, oferecendo um rookie, um extremo que desiludia desde a chegada à NBA, um poste que se lesionou a partir uma cadeira e um atirador que só o é uma vez por mês. Em 2018, muitos dirão que Presti, o general manager dos Thunder, fez asneira com dois dos piores negócios de sempre da liga. O principal é o contrato de Carmelo Anthony neste verão.

A turma de OKC teve um ano para esquecer. Demasiados altos e baixos, uma chegada aos playoffs em cima da linha e uma eliminação relativamente fácil às mãos de um rookie (e que rookie…) e de uma equipa que no verão havia perdido a sua grande estrela. Westbrook foi o que é habitualmente: intenso, impulsivo e espetacular. Paul George começou como Playoff P, com uma grande exibição no jogo 1, mas tirando um ou outro jogo, esteve abaixo do seu potencial. Só Carmelo Anthony foi absolutamente consistente. Uma consistência baseada em maus lançamentos, defesa passiva e uma incapacidade para se conectar com qualquer dos seus colegas nunca antes vista.

Para quem só acompanhou a carreira de Melo nos últimos anos, os problemas que o extremo tem tido não serão grande surpresa. Mas a carreira de Anthony não se resume a este ano em Oklahoma ou aos anos passados numa medíocre equipa dos Knicks. Carmelo venceu o título da NCAA e foi o melhor jogador do torneio, foi escolhido em terceiro lugar num dos melhores drafts da história (à frente de Bosh e Wade), fez excelentes temporadas em Denver, é o basquetebolista com mais medalhas de ouro de sempre em Jogos Olímpicos e o atleta com mais jogos, ressaltos e pontos pela seleção americana.

Porém, nada disso interessa neste momento. Aos 33 anos e já longe do seu auge, Anthony vai tentando sobreviver na NBA com um jogo desenquadrado daquilo que é feito atualmente, enquanto se recusa a ver que não é a estrela que foi no passado.

A experiência do Big 3 de OKC não correu nada bem
Fonte: OKC Thunder

Nas entrevistas de final de temporada, Carmelo esteve perto de “explodir” com as perguntas dos jornalistas. Anthony afirmou que está fora de questão começar os jogos no banco, liderando a segunda linha dos Thunder. Mas, na verdade, é isso mesmo que Melo devia fazer. O tipo de jogo do número não coincide em nada com o ritmo rápido de Westbrook, que será sempre a opção número um da equipa.

O extremo não consegue andar a correr como um maluco e lançar triplos após passe para contribuir para o triplo-duplo habitual de Russell. Uma função de “estrela vinda do banco”, com bola na mão e tempo para controlar com outros jogadores menos capazes tecnicamente e mais agressivos seria algo que só ajudaria Anthony, mas este não parece para aí virado.

E assim, os Thunder e Sam Presti em particular, terão um verão complicado. Os Thunder desiludiram. Os jogadores usados nas trocas, com Victor Oladipo à cabeça, melhoraram o seu jogo nas novas equipas, enquanto que Paul George parece cada vez mais uma peça emprestada por um ano, pronto a rumar a L.A. e Carmelo Anthony se prepara para receber 28 milhões de dólares.

Basta exercer essa opção no seu contrato. E tendo em conta que nenhuma outra equipa oferecerá tanto a Melo, a melhor decisão para o extremo será mesmo receber todos aqueles dólares. Desportivamente, poderá não ser uma excelente decisão para Anthony, mas nesta altura da sua carreira, onde é que o seu estilo de jogo encaixa mesmo?

Foto de Capa: OKC Thunder

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

António Pedro Dias

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