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Trae Young não é Steph Curry

António Pedro Dias · 2 min

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Foi a comparação imediata aquando da descoberta do jovem Trae Young na Universidade de Oklahoma. O pequeno base estava destinado a ser Stephen Curry porque lança muito – e bem – de longe. Mas a temporada de Young, que até começou discreta, mostra que não é bem assim. O jovem Trae não é Stephen Curry e não há nada de mal com isso.

Trae Young tem a capacidade de acertar lançamentos exteriores que se calhar nem Curry tinha com a sua idade. Mas Curry mudou a NBA, estabeleceu um novo estilo de jogo e abriu portas aos mais pequenos e menos atléticos. Assim, jogadores como Young foram olhados com menos desconfiança na altura de serem escolhidos no draft. Tanto que os Hawks decidiram trocar a sua escolha e abdicar de Luka Doncic, tal era a confiança em Trae.

Mas Young é mais do que um lançador. Aliás, lançador devia ser a segunda caraterística atribuída ao base dos Hawks, logo atrás de playmaker. É aí que Young tem não só sobrevivido, mas surpreendido na sua primeira temporada de NBA. A equipa dos Hawks é fraca, não há como negar. Então, o plano de todas as equipas passa por criar o máximo de dificuldades ao base para que este largue a bola.

Porém, Young já está uns níveis acima daqueles em que devia estar nesse atributo. O mais seguro para um rookie seria soltar logo a bola. Mas Young já tem a experiência adquirida na universidade de que os seus colegas não vão resolver todos os problemas. Então, Young está a aprender e a superar expetativas ao descobrir constantemente a melhor opção quando toda uma defesa se foca em si.

Trae Young com o veterano Vince Carter
Fonte: Atlanta Hawks

É incrível a quantidade de lançamentos completamente isolados que Trae Young consegue criar para os seus colegas, passando as três opções mais óbvias na altura da assistência e descobrindo aquela que mais ninguém no pavilhão viu, mas que faz todos soltarem um “oooohhhh” sempre que acontece. É aqui que Young foge às comparações com Curry e que começa a criar o seu próprio legado na NBA.

Mesmo com um plantel tão fraco, os Hawks de Lloyd Pierce são a equipa mais interessante da liga programada para perder. Young tem muitas arestas por limar. A sua defesa e turnovers estão no topo da lista (só Harden e Westbrook perdem mais a bola). Mas até aí há um ponto a seu favor. Só perde a bola quem a tem, e Young tem-na mais do que quase toda a gente, porque têm confiança nele para isso.

E não há melhor maneira para um rookie crescer. Para além de que estar na mesma lista de Harden e Westbrook na primeira temporada na NBA será sempre um elogio, mesmo que essa lista contabilize perdas de bola. Young joga e faz jogar os Hawks, que devem ser vistos e que este verão acrescentarão mais dois jovens no top 10 do draft.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Atlanta Hawks

António Pedro Dias

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Opinião

José Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano

SEVILHA, ANDALUZIA- Espanha não tem sido notícia apenas por boas razões nos últimos meses, bem pelo contrário. A queda do governo de Pedro Sánchez está na ordem do dia e tal ‘crise’ justifica-se com vários pontos: alianças políticas que já não estavam a funcionar, aumento do descontentamento da população, salários que não acompanham o custo de vida, crise habitacional que levou a manifestações por todo o território… No entanto, a memória é traiçoeira. Faz-nos pensar que certos acontecimentos já ocorreram há bastante tempo, quando não é bem assim. Quantos se recordam do dia 30 de julho de 2026? Foi nessa data que ocorreu o começo da crise migratória de Ceuta e as consequências da mesma ainda se fazem sentir hoje em dia. 70 mil pessoas oriundas de Marrocos entraram no território a partir do mar durante as 48 horas, provocando uma crise migratória totalmente inesperada. As razões que estiveram na origem desta entrada em massa não são o foco desta análise. A maioria das pessoas teria uma boa índole, procurando o melhor para si e para os seus. Histórias de vida diferentes umas das outras, mas o objetivo comum de atingir a felicidade. No entanto, também existiu o outro lado da moeda: quem procurou o conflito e a criação de um ambiente tóxico.

Ricardo João Lopes · 5 min de leitura
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