Tyrese Haliburton | De incerteza a revelação em Sacramento

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UM “STEAL” DOS KINGS

De calções curtos, um físico que deixa a desejar, sapatilhas coloridas e um estilo de jogo peculiar. Em poucas palavras e pequenas frases, podia descrever Tyrese Haliburton, mas os quase dois meses que tem na NBA já obrigam a um escrutínio mais profundo ao rookie dos Sacramento Kings.

Escolhido na 12.ª posição do Draft de 2020, o ex-jogador da Universidade de Iowa State surpreendeu por ter caído tanto nessa noite. Durante todo o processo de treinos antes do seu nome ser chamado por Adam Silver, algumas equipas mais acima na tabela de escolhas pareciam estar atentas ao atleta.

Segundo o próprio, os Golden State Warriors (2.ª escolha, que acabou por ser James Wiseman) e os Chicago Bulls (4.ª escolha, com Patrick Williams a acabar na Windy City), entre outros, estabeleceram contactos e assumiram o interesse em Haliburton. No entanto, na hora da verdade, os minutos passavam e nenhum chapéu assentava na cabeça do jogador.

Alguns franchises não olharam ao talento de Tyrese, ou simplesmente achavam que não tinha uma margem de progressão como outros jogadores da classe de 2020. Em algumas análises de scouts, falava-se bastante do lançamento tosco do jogador mas, até ao momento, tem sido bastante eficaz (44,4% de três pontos e 49,5% de lançamentos de campo).

Os Sacramento Kings, apesar disso, não tiveram dúvidas e, segundo Adrian Wojnarowski, da ESPN, a equipa “não acreditava que podia ter Tyrese Haliburton na escolha número 12”. A confiança que o franchise tem no rookie é notória. Quando a estrela da companhia, De’Aaron Fox, descansa, o número 0 assume muitas vezes o lugar de maestro do ataque da equipa californiana.

O primeiro impacto na NBA não podia ter sido melhor. Como suplente e a jogar cerca de 28 minutos por jogo, Tyrese Haliburton venceu o prémio de Rookie do mês da Conferência Oeste, referente a dezembro e janeiro. Com médias de 11 pontos, três ressaltos, cinco assistências e um roubo de bola por jogo, o base dos Kings levou a melhor a James Wiseman, rookie dos Golden State Warriors.

O maior “rival” na luta pelo prémio final de novato do ano é, claramente, LaMelo Ball. Depois de se assumir titular e uma das grandes estrelas da equipa dos Hornets, parece-me que só um grande problema (que, claro, ninguém quer que aconteça) pode tirar o troféu das mãos do base da equipa de Charlotte.

Apesar de algumas dúvidas, a transição do College para a NBA correu muito bem. A encantar e a ser eficaz, acredito que os Sacramento Kings não estão nada arrependidos com escolha. Os números não são vistosos, os pontos por jogo ficam aquém dos melhores jogadores, mas Tyrese pode marcar uma era na liga.

Confesso que quando vejo jogar Haliburton, vejo o basquetebol no estado mais puro. Inteligência, poucos holofotes apontados, mas uma imensa vontade de trabalhar e ser cada vez melhor. Apesar de ter nascido em 2000, já no Século XXI, transmite no seu jogo algumas características dos anos 80/90.

Com apenas 20 anos (completa os 21 este fevereiro), assume-se como um jogador maduro e com qualidades acima da média para a tenra idade. A habilidade de jogar bem, quer na defesa, quer no ataque, dão valências para dominar durante os anos em que estiver na NBA. Na minha opinião, vai ser muitas vezes All-Star durante a carreira.

Foto de capa: Sacramento Kings

Clara Maria Oliveira
Clara Maria Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
A Clara percebeu que gostava muito de Desporto quando a família lhe dizia que estava há muito tempo no sofá a ver Curling. Para isso não se tornar uma prática sedentária, pegava na caneta e escrevia sobre o que via e agora continua a fazê-lo.                              A Clara escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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