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No futebol é tudo muito – mas mesmo muito – simples. As escolhas foram feitas cedo, foram bem fundamentadas e feitas por motivos evidentes. O Benfica porque me ensinaram. O Barcelona pela sua história mítica – muito para além da do clube. O Liverpool pelos seus adeptos, a cantar a famosa música dos Beatles. E a Juve por culpa do mágico Checo Pavel Nedved. Simples! Mas porquê os Knicks?
Confesso que a escolha não foi imediata, mas nunca houve outra hipótese. Escolher um clube para apoiar é uma decisão bastante complexa. Se for a sério é um compromisso para a vida, que devemos ter orgulho em exaltar. Há quem diga que é a própria equipa que escolhe os seus adeptos – talvez seja esse o caso. Uma coisa parece clara: por mais motivos e justificações que possamos arranjar acaba quase sempre por ser algo mais emocional do que racional. Normalmente é algum detalhe do qual nem nos apercebemos com clareza, do domínio do inexplicável, que nos liga a determinado clube e não aos outros. Especialmente quando se trata de ligas internacionais. Nunca fui a Nova Iorque, nunca os vi a ganhar (nem perto disso), e não me lembro sequer de os ver jogar bom basquete… O Stoudemire ou o Carmelo, os reis da companhia na última década, não são estrelas carismáticas o suficiente, das que nos ligam a uma equipa ao ponto de a escolhermos como nossa.
Há outras opções muito óbvias; fáceis até. Lakers, Celtics e Chicago são, pela sua história, escolhas confortáveis. Mas há mais: franchises mais recentes, com perspetivas de crescimento e de conquistar o primeiro título, como seriam os Thunder ou os Clippers. O show do Wade no primeiro título dos Heat, ou o alemão grandalhão de Dallas podiam também chegar para escolher essas equipas.

Fonte: NYK
Para alguém da minha geração, que começou a ver basquetebol quando um tal de Kobe Bryant ditava leis de forma absurda, era muito fácil vestir o Purple and Gold, mais ainda numa cidade enorme, num dos estados mais fascinantes dos Estados Unidos. Mas gostar de uma equipa “só” porque tem o melhor jogador e está numa maré de vitórias nunca foi suficiente para mim e, no fim de contas, o sol da Califórnia é o mesmo que brilha em Nova Iorque.
Os Boston Celtics – para além do anel que vi conquistarem de forma épica – alinhavam com uma verdadeira constelação: Rondo, Alen, Pierce e Garnett. Era difícil não gostar deles, mas nunca gostei. Odeio verde! E também não me agrada nada a ideia de apoiar a equipa dos records e dos monstros sagrados, com mais títulos da história, que ganhou 10 vezes em 11 anos, com o jogador com mais anéis… Parece que nunca vou assistir ao melhor momento da sua história e, mais do que isso, que o seu presente nunca será tão glorioso quanto o seu passado.
Foi desde cedo evidente que Chicago não seria a minha equipa por razões semelhantes às de Boston: não chega toda a história mítica da melhor época de sempre – desculpem lá, fans dos GSW –, nem o melhor executante que este desporto viu. Tivesse eu começado no fim dos anos 80, ou até mesmo na época de MVP do Rose, e a conversa seria outra…
Os Spurs são demasiado perfeitos. Os Clippers são apenas a segunda equipa da própria cidade. Os Oklahoma ainda são os ex-SuperSonics.
Mas, afinal, porquê os New York Knicks? Acho que a primeira grande razão está mesmo na cidade. O Sinatra não cantava Los Angeles, Los Angeles. Nova Iorque é uma das cidades que atraem mais curiosidade em todo o mundo, e todo o movimento cultural que a envolve não deixa ninguém indiferente. Além disso, jogam no Madison, que se autointitula de “The World’s Most Famous Arena”. O coliseu onde já tudo aconteceu e onde se sabe que tudo vai continuar a acontecer: os grandes concertos, os grandes combates e os grandes jogos são lá. Jogar num sítio com toda esta história e mística é algo ao alcance de apenas uma das 30 equipas da liga.

Confesso que o maior motivo para ser Orange and Blue está também intimamente ligado ao facto de não ganharem nada há mais de 40 anos. Parece masoquista, bem sei, mas não é. Vejamos: estão instalados numa cidade e num mercado gigantes, um dos maiores – senão o maior – da NBA; têm um dos pavilhões mais míticos da liga, constantemente cheio, e sempre com direito à presença de celebridades bem conhecidas do público; são o franchise mais valioso por boa margem; e, apesar da sua insignificância competitiva, estão sempre debaixo de inúmeros focos de atenção. Tudo isto mesmo tendo nos últimos anos alternado o seu desempenho entre o medíocre e o satisfaz menos, e depois de falharem diversas abordagens para elevar o seu nível competitivo.
É esta expetativa que faz a diferença. Um adepto desta equipa vive há anos amargurado porque sabe de antemão que, apesar de serem uma das maiores equipas da liga, não têm qualquer hipótese de competir pelo título. É esse acumular de vontade de ganhar que fará o futuro memorável. Haverá algum título esperado com mais ansiedade do que o próximo dos Knicks? Não me parece. E esse será o grande momento da sua história: quando, passadas décadas, trouxerem o troféu de volta à cidade do Sinatra. A certeza de que o gigante adormecido um dia acordará. E não precisa de ter ganhado 16 ou 17 vezes para se saber que é um gigante…
Sou dos New York Knicks pelo seu futuro. Pelo seu próximo título. Por aquela que será a maior celebração de um título da NBA, uma das maiores de sempre nos desportos americanos. Já imagino milhões de pessoas com as cores berrantes que os caracterizam, a encherem o Central Park, na Madison Avenue, à beira do rio Hudson. É esperar pacientemente que aconteça.
Foto de capa: traveldigg.com
Artigo revisto por Mafalda Carraxis













