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Disfunção em Denver

Márcio Martins · 3 min

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Um tipo que foi metido numa situação impossível e condenada à partida ou alguém que teve a sua oportunidade e falhou redondamente? Qual destas hipóteses assenta a Brian Shaw?

Com o despedimento, chegam ao fim quase duas temporadas para esquecer de Brian Shaw em Denver e continua a disfuncionalidade da equipa nas duas últimas épocas.

Em 2013, depois da temporada regular mais bem sucedida de sempre (57-25) e de uma eliminação na primeira ronda dos playoffs às mãos dos Warriors, deixaram sair o general manager Masai Ujiri (aparentemente, por não lhe quererem pagar mais e não cobrirem a oferta dos Raptors) e despediram George Karl, que tinha sido o Treinador do Ano nessa época.

Com essa decisão (despedir o treinador e manter o mesmo plantel), os Nuggets estavam a afirmar que acreditavam que o problema da equipa estava no treinador e que aquele plantel com outro treinador poderia ir mais longe. Brian Shaw foi o escolhido para essa missão, mas herdou um balneário que tinha sido muito bem sucedido com Karl e que, segundo múltiplas fontes, não viu com bons olhos a mudança e não recebeu Shaw de braços abertos.

Por isso, por um lado, os Nuggets colocaram-no numa situação que tinha tudo para correr mal. Aparentemente, os jogadores não lhe deram uma hipótese e sem a colaboração destes, qualquer treinador está condenado. Por outro lado, é possível herdar um plantel que teve sucesso com outro treinador e recebe o novo com desconfiança e conseguir conquistar esse balneário. O exemplo mais recente disso é Steve Kerr e a sua sucessão a Mark Jackson nos Warriors.

Portanto, Brian Shaw herdou um bando de miúdos imaturos (como lhes chama David West) que o sabotaram? Sim, mas é possível ultrapassar tal situação. E o discípulo de Phil Jackson não conseguiu. Os dirigentes podem tê-lo colocado numa situação difícil, mas Shaw arranjou problemas com Andre Miller (um dos mais veteranos do plantel e um dos homens de confiança de Karl) na primeira época e nunca conseguiu desenvolver uma relação de confiança com Ty Lawson, Kenneth Faried e outros pilares da equipa. Como tal, falhou na sua missão como treinador e tem uma parte da responsabilidade no fracasso destes dois anos.

Mas não a maior. O maior falhanço em toda esta história pertence aos dirigentes dos Nuggets, que têm acumulado decisões desastrosas nestes dois anos. Primeiro, acharam que o problema era o treinador e despediram, inexplicavelmente, George Karl. Mas, afinal, estavam enganados e Karl tinha maximizado aquele plantel sem estrelas e levado-o mais longe do que a maioria dos treinadores seria capaz.

Depois, com a desilusão monumental que estavam a ser esta temporada, neste trade deadline decidiram meter os jogadores em saldos e desmantelar a equipa, o que indicava que acreditavam que o problema afinal estava no plantel. Agora despedem o treinador. Com o que voltam a afirmar que o problema afinal está aí.

Em dois anos conseguiram passar do terceiro lugar do Oeste e de umas das equipas mais profundas da liga (uns Atlanta-Hawks-do-Oeste-antes-mesmo-de-existirem-estes-Hawks, sem estrelas, mas com um colectivo muito forte) para uma equipa no fundo da tabela, sem treinador e com uma reconstrução pela frente. Primeiro acharam que precisavam de mudar de treinador. Depois que precisavam de mudar de jogadores. Depois de treinador outra vez. Agora não têm nem treinador nem equipa. Apenas uma confusão pegada.

Foto de Capa: @NBA

Márcio Martins

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