Eu odeio-te, Kevin Durant

- Advertisement -

No verão de 2016, Kevin Durant mudou a NBA. O então jogador dos Oklahoma City Thunder abandonou a sua equipa para se juntar aos Warriors que tinham acabado de perder o campeonato conquistado no ano anterior. Os Thunder tinham ficado a uma vitória das finais, mas para Durant tinha chegado o limite. A mudança do extremo irritou meio mundo, mas ao contrário do que o título parece indicar, eu aprendi a viver com isso.

Durante uns tempos admito que senti o mesmo que tantos outros:os Warriors já estavam carregados de talento e all-stars, jogadores capazes, por si mesmos, de ganhar jogos. Para quê juntar ali Durant? A resposta mais fácil é porque Durant queria um anel. A mais correta dirá que KD estava farto de ser o “menino bonzinho” que não ganhava nada e os Warriors precisavam do vilão que criasse medo em todos os adversários. Feito e feito! Durant já tem um título enquanto é odiado e os Warriors garantiram o homem que os tornará eternos, mesmo que se continue a menosprezar os títulos que ganham (e ganharão).

Ao longo do tempo, a minha opinião foi mudando. KD precisava dos Warriors tanto quanto os Warrios precisavam de KD. Sim, eles são imbatíveis e a competitividade da liga neste momento equivale a zero. Mas o basquetebol que eles jogam é um hino. É aquilo que devemos ver, praticar e ensinar aos mais novos. É o equilíbrio exato entre o coletivo e o individual. Golden State consegue, na mesma jogada, juntar a beleza da movimentação da bola à espontaneidade de um talento em estado puro.

Curry e Durant celebram mais uma jogada com o “selo Warriors”
Fonte: Golden State Warriors

E tudo isso não seria possível sem Durant. Ou pelo menos, ao nível que chegamos. Com bola, KD é basicamente impossível de defender. Se está um pequeno a defender, ele lança por cima. Se está um grande a defender, ele ultrapassa-o no drible (e, por vezes, lança por cima na mesma). Se nos afastamos, ele lança. Se nos aproximamos, ele penetra. Se fazemos 2×1, haverá Curry, Thompson, Draymond ou quem quer que seja sozinho para mais dois ou três pontos fáceis. Com Durant, a ideia é escolher o veneno que ele nos apresenta e esperar que este não seja mortal. Nos playoffs, é fazer isso durante quase quarenta minutos por jogo e esperar que ainda dê para ganhar quatro jogos.

O caso de Durant é até algo estranho, porque raramente o colocamos na conversa dos melhores jogadores da liga. Há LeBron e depois, de repente, estamos a falar de Harden, Antetokounmpo ou Kawhi Leonard. E esquecemos, constantemente, que entre os mortais anda aquele que maior mete nos incute: Kevin Durant. Temos um dos melhores de sempre entre nós e esquecemo-nos. Até que ele, repetidas vezes nos derrota.

É isto que acontece com KD e, por extensão, com os Warriors. Durante um ano, reparamos em toda a luta que existe na liga e deixamos os Warrios para segundo plano. Depois, chegam os playoffs e temos aquele momento “ah, está certo…”, em que percebemos que tudo o que aconteceu durante a temporada não mudará o resultado final, que é Oakland a festejar. Eu na verdade não te odeio, Kevin Durant. Porque olho para os Warriors em jogo e fico deliciado. Quase como se o meu ódio derretesse e só sobrassem coisas boas. A única coisa que eu queria, lá no fundo, era não saber antecipadamente quem vai levantar o troféu. Mas foi isso mesmo que tu fizeste. Parabéns…

Foto de Capa: Golden State Warriors

António Pedro Dias
António Pedro Diashttp://www.bolanarede.pt
Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Francisco Conceição vence prémio de Golo do Mês da Serie A: Revê o golaço apontado frente à AS Roma

O prémio de Golo do Mês de março da Serie A foi atribuído a Francisco Conceição pelo golo apontado frente à AS Roma na 27.ª jornada.

Já são conhecidos todos os árbitros para a jornada 28 da Primeira Liga

A Federação Portuguesa de Futebol revelou esta quarta-feira as equipas de arbitragem de todos os duelos da jornada 28 da Primeira Liga.

Gianluca Prestianni revela impacto de Ángel Di María e Otamendi: «Ajudaram-me muito»

Gianluca Prestianni destacou o impacto de Ángel Di María e de Nicolás Otamendi na sua carreira. «Ajudaram-me imenso», revelou.

A eficácia lusa em Atlanta | Estados Unidos 0-2 Portugal

A visita de Portugal aos EUA terminou com um triunfo que, sendo confortável no marcador, pouco esclarece em relação ao momento da equipa

PUB

Mais Artigos Populares

Prestianni admite primeiros tempos complicados no Benfica: «Di María viu-me triste, veio falar comigo e eu estava a chorar»

Gianluca Prestianni admitiu que os primeiros tempos do Benfica foram complicados e que queria regressar à Argentina. Ángel Di María e Otamendi ajudaram-no.

Lamine Yamal reage aos cânticos soados durante o Espanha x Egito: «Como muçulmano, é intolerável»

Durante o Espanha x Egito, adeptos espanhóis soaram o cântico «quem não salta é muçulmano». Após o jogo, Lamine Yamal repudiou os acontecimentos.

Gianluca Prestianni pronuncia-se pela primeira vez sobre o caso com Vinícius Júnior: «Estão a chamar alguém de racista quando eu jamais o fui nem...

Gianluca Prestianni quebrou o silêncio sobre o caso de alegados insultos racistas contra Vinícius Júnior, durante o Benfica x Real Madrid.