O All Star dos Hawks

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Se alguém dissesse em Setembro que Kyle Korver seria All Star e que a equipa de Atlanta teria quatro jogadores no All Star Game provavelmente passaria por maluquinho e seria recomendado para internamento. Depois de uma temporada em que terminaram em oitavo lugar no Este e ficaram pela primeira ronda dos playoffs (apesar de terem levado os primeiros-classificados-Pacers ao limite), e depois de uma offseason em que não fizeram nenhuma contratação sonante nem nenhuma alteração significativa no plantel, não passava pela cabeça de ninguém que estivessem nesta posição em Fevereiro. Ou que um jogador como Kyle Korver estivesse sequer na discussão para o All Star, quanto mais seleccionado.

No entanto, aí estão os Hawks com sete jogos de vantagem sobre o segundo do Este e com o segundo melhor recorde da liga. Aí está Korver escolhido para substituir o lesionado Dwyane Wade e aí estão os Hawks com quatro representantes no Jogo das Estrelas.

A maior agitação que se viveu em Atlanta este Verão foi mesmo a polémica com as declarações racistas de Danny Ferry. E como isso parece tão distante agora (aposto que alguns de vocês já nem se lembravam disso).E que ninguém sequer se lembre já disso é uma das maiores provas do trabalho fenomenal que Mike Budenholzer está a fazer. A outra prova é a equipa ter quatros All Stars.

Fonte: NBA
O espírito coletivo é a maior arma dos Atlanta Hawks
Fonte: @NBA

Porque a eleição para o All Star pode ser um prémio individual, mas é também uma prova do trabalho sensacional que o ex-braço direito de Gregg Popovich está a fazer com este plantel. Mesmo com números semelhantes, é possível que, noutro sistema e numa equipa com outros resultados, estes jogadores não estivessem aqui. E é mais provável ainda que noutro sistema não tivessem os números e a produtividade que têm tido.

É um lugar comum usado para descrever um bom treinador, mas Mike Budenholzer está, de facto, a retirar o máximo de cada um dos seus jogadores. Montou uma defesa de topo sem ter os melhores defensores da liga e um ataque de topo sem ter o mesmo talento individual que outras equipas. É um caso em que a soma das partes é verdadeiramente maior que as partes. Por último, a selecção de Teague, Horford, Millsap e Korver é ainda uma prova de como jogar para a equipa e colocar os objectivos desta acima dos objectivos pessoais não só é o melhor caminho para o sucesso colectivo, mas é também o melhor caminho para o sucesso individual.

Quando uma equipa tem sucesso, os seus jogadores são reconhecidos por isso. Ou alguém duvida que se os Cavs estivessem a dominar o Este (e a liga) como os Hawks estão a fazer, tínhamos James, Irving e Love no All Star? Ou, ainda outro exemplo, Monta Ellis, que nunca foi tão reconhecido como desde que está nos Mavs (a contribuir numa equipa relevante) e só não está no All Star porque no Oeste temos a brutalidade de bases que sabemos. Os jogadores dos Hawks aderiram completamente a esse conceito de equipa e estão a colher os frutos disso. E o maior responsável por isso é o homem por trás dessa estratégia, Mike Budenholzer. É ele o verdadeiro All Star desta equipa.

Foto de Capa: @NBA

Márcio Martins
Márcio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Ex-jogador. Ex-treinador. Ex-dirigente. Fã para sempre. Autor do SeteVinteCinco.                                                                                                                                                 O Márcio não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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