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O Bom, o Mau e o Vilão – O primeiro duelo

João Dinis · 3 min

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Se a banda sonora de Enio Morricone ou a cara de mau de Lee Van Cleef no famoso western se adequam na perfeição a este jogo de basquetebol, o título precisaria de retoques. Para fazer jus à verdade teria de ser “O Bom que nunca foi bom, o Mau, e o Vilão que ainda não o sabe ser”. As personagens estão trocadas e o enredo não acabará certamente da mesma forma. Deixemos o cinema porque o grande filme da semana foi o Golden State Warriors Vs Oklahoma City Thunder, no tão aguardado reencontro de Kevin Durant e Russel Westbrook que pela primeira vez atacaram tabelas diferentes.

Desde a saída de KD de Oklahoma que Westbrook detém um estatuto de menino querido aos olhos dos adeptos, algo que nunca teve antes, e que não se adequa à sua figura. Não nos enganemos! Russel Westbrook não é o pobre rapaz que ficou sozinho com a equipa às costas, ele não quer e não precisa desse rótulo, e se estivermos atentos não se adequa à sua figura.

No primeiro anúncio que fez para a marca que representa, a Air Jordan, a mensagem era “Some run. Some make runways”, numa clara indireta ao antigo companheiro. No dia do jogo aparece com um colete de fotógrafo, em homenagem ao fã de fotografia Kevin Durant. Provocador, desafiador e insolente. Foi assim que conhecemos Russel Westbrook, e é assim que ele continua a ser, ainda que a força das situações faça toda a gente pensar o contrário.

 Fonte: bleacherreport
Foi ao seu estilo, sempre desafiante, que Westbrook chegou ao pavilhão
Fonte: bleacherreport

Enes Kanter foi o Mau, e foi mau porque se meteu a jeito de ser ridicularizado. Tentou o trash talk com KD quando estava sentado no banco, onde ficou na maioria do jogo. Quem está de fora não manda bocas, e quem quer desafiar Durant com palavras tem de conseguir fazê-lo com basquetebol jogado. Kanter não o consegue fazer, naturalmente, e por isso tem mais é que estar caladinho e dar a contribuição que consegue ao seu líder. Jogar três minutos e meio e tentar perturbar do banco o melhor jogador em campo na equipa adversária é ser mau, muito mau.

KD tem agora o papel do mau da fita, pelo menos assim é a opinião da generalidade da massa adepta. Antes do jogo, exceção feita aos fãs de Golden State, toda a gente queria ver uma grande exibição de Westbrook e a desgraça de Durant.

Se formos justos Durant não é, nem sabe ser vilão. Todas as suas declarações e aparições públicas desde que se transferiu são politicamente corretas, um pouco ingénuas por vezes. Não é e nunca foi o mauzão que Westbrook adora ser. Também ele detém agora um rotulo errado. O resultado foi o mais fácil de prever: a pressão que toda a gente atirou para cima de KD resultou numa exibição excecional, os 29 pontos ao intervalo dizem tudo…

Fonte: NBA
Kevin Durant e os seus números foram decisivos na vitória de Golden State
Fonte: NBA

No filme de Sergio Leone, o Vilão não se safa, mas nesta história foram mesmo os Guerreiros do Estado Dourado a arrecadar a vitória. Por números expressivos  e com tranquilidade.

Mais do que aconteceu dentro do terreno de jogo, interessa a expetativa e a perceção que toda a liga e seus adeptos tinham sobre esta partida e os seus intervenientes. Do que se passou no Oracle Arena poucas ou nenhumas novas ilações se podem tirar.  Sim, OKC está mais fraco. Sim, Kevin Durant é um jogador de enorme qualidade. Sim, o Westbrook está desacompanhado na sua equipa. E sim, o ataque de GSW tem momentos demolidores. Ficamos à espera do primeiro jogo de Durant na cidade que o viu tornar-se numa estrela do basquetebol, promete ser mais animado.

Fonte: NBA

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

João Dinis

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

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