O Passado Também Chuta: Detroit “Bad Boys” Pistons

- Advertisement -

A NBA é uma liga propensa a criar equipas icónicas. Equipas que, por uma ou outra razão, ficam na história e na mente de todos os amantes da modalidade por terem marcado uma era – seja pela sua qualidade de jogo, domínio da modalidade ou, noutras alturas, pela imagem negativa que deixaram.

A década de 80 é um período de tempo verdadeiramente histórico. As lutas entre LA Lakers e Boston Celtics, Larry Bird contra Magic Johnson, o início do que seria o fenómeno Michael Jordan… e os Detroit Pistons.

Durante toda a década de oitenta, Celtics e Lakers haviam sido as duas principais equipas da NBA. Contudo, na conferência Este, as batalhas entre Boston e Detroit tinham sido dos confrontos mais intensos de que há memória. A intensidade física, muitas vezes atingindo a violência desmedida, eram comuns nos jogos de play-offs entre os dois conjuntos. Mas ano após ano, quem saía por cima era Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Bill Walton e companhia – o mau passe de Isiah Thomas nas finais de conferência de 1987 está na memória de todos os adeptos dos Celtics e Pistons.

Mas em 1988 algo começou a mudar.

Esse foi o ano do primeiro embate entre Chicago e Detroit nas meias-finais de conferência. Jordan era MVP e Defensive Player of the Year, mas faltava-lhe experiência competitiva para enfrentar uma equipa mais “batida”. Usando e abusando do seu tipo de jogo extremamente físico e duro, os Pistons conseguiram chegar à final – depois de ultrapassarem os Celtics –, mas sucumbiram aos pés de Magic Johnson e os Lakers.

Contudo, a época seguinte foi o ano em que Detroit se afirmou como um verdadeiro candidato ao título. Apoiados em Isiah Thomas e Bill Laimbeer – os dois capitães da equipa – Joe Dumars, Vinnie Johnson, Rick Mahorn, Dennis Rodman, e muitos outros, os Pistons primavam claramente pela intensidade física, defensiva, e pela intimidação e jogo psicológico.

Como tem sido mostrado vezes e vezes sem conta na série-documentário produzida pela Netflix “The Last Dance” – que acompanha o último campeonato vencido por Michael Jordan e os Chicago Bulls, o seu segundo tricampeonato em oito anos – a equipa de Detroit foi o ritual de passagem que tornou Jordan no jogador que foi.

Nesse ano de 1989, e dado o desenvolvimento de Jordan, Isiah Thomas e Bill Laimbeer criaram as famosas “Jordan Rules”. Mas o que eram as Jordan Rules?

Eram um conjunto de regras que na prática diziam: Destruir MJ do ponto de vista físico e mental, explorando as suas fragilidades, empurrando-o para o seu lado esquerdo, o mais fraco, e – esta é a única forma de o descrever – batendo-lhe cada vez que ele tentasse chegar perto do cesto. Isto levou a que Jordan, como o próprio admitiu, se virasse para o ginásio de forma que o seu corpo conseguisse aguentar a carga que lhe era colocada em cima.

Esse ano Detroit conseguiu vencer o seu primeiro título, batendo os Celtics por 3-0, Milwaukee por 4-0, Chicago por 4-2 e finalmente os LA Lakers por 4-0, uma caminhada brilhante e que foi repetido no ano seguinte, em 1990, quando repetiram a vitória sagrando-se bicampeões e quebrando assim o reinado Boston – Los Angeles.

No entanto, estes dois campeonatos parecem ter um asterisco ao lado, tudo pela forma como foram vencendo, e pelo estilo de jogo e controvérsia que sempre os acompanhou e afetou as suas carreiras – Isiah Thomas que o diga.

Os “Bad Boy” Pistons ficarão para sempre na história, por bons e maus motivos, mas os seus dois títulos, o facto de terem quebrado a dinastia Boston – LA, e terem tornado Michael Jordan naquilo que foi, nunca terão o destaque que mereciam.

Foto de Capa: Detroit Pistons

Leonardo Costa Bordonhos
Leonardo Costa Bordonhoshttp://www.bolanarede.pt
É jornalista desportivo e o andebol e o futebol foram o seu primeiro amor. Com o passar do tempo apaixonou-se também pelo basquetebol e futebol americano, e neste momento já não consegue escolher apenas um                                                                                                                                                 O Leonardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

A 1.ª imagem do Portugal de Jorge Jesus

Está aí o Portugal de Jorge Jesus, uma fantasia com dois meses de espera e 90 minutos de aprovação. Dizer que é o Portugal de Jorge Jesus é uma afirmação entre o pleonasmo e o eufemismo.

Craig Bellamy responde ao Bola na Rede: «O João Félix é um jogador perigoso»

Craig Bellamy analisou a derrota contra Portugal em conferência de imprensa. Técnico respondeu ao Bola na Rede.

João Palhinha e os assobios em Alvalade: «É sempre especial jogar aqui. Não esqueço a história que aqui tive»

João Palhinha analisou o jogo. Portugal e País de Gales defrontaram-se na Liga das Nações, na estreia de Jorge Jesus.

Costa do Marfim derrota o Gana de Carlos Queiroz e ex-FC Porto marca na vitória dos Camarões: Eis os resultados do dia na Qualificação...

Na 1.ª jornada da Qualificação para a CAN, a Costa do Marfim bateu o Gana por 2-0 e os Camarões derrotaram os Comores por 3-1.

PUB

Mais Artigos Populares

Craig Bellamy e o futuro de Portugal com Jorge Jesus: «Vocês vão ficar mais fortes, têm de estar entusiasmados»

Craig Bellamy analisou o jogo. Portugal e País de Gales defrontaram-se na Liga das Nações, na estreia de Jorge Jesus.

Craig Bellamy e a derrota contra Portugal: «Jogámos contra Portugal. Uma equipa com muita qualidade, temos que ter noção isso»

Craig Bellamy analisou o jogo em conferência de imprensa. Portugal e País de Gales defrontaram-se na Liga das Nações..

João Cancelo e a pressão alta de Portugal: «Isso mudou muito em relação ao míster Roberto Martínez»

João Cancelo analisou o jogo. Portugal e País de Gales defrontaram-se na Liga das Nações, na estreia de Jorge Jesus.