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O Passado Também Chuta: Detroit “Bad Boys” Pistons

Leonardo Costa Bordonhos · 3 min

O Passado Também Chuta: Detroit “Bad Boys” Pistons
Foto: Detroit Pistons

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A NBA é uma liga propensa a criar equipas icónicas. Equipas que, por uma ou outra razão, ficam na história e na mente de todos os amantes da modalidade por terem marcado uma era – seja pela sua qualidade de jogo, domínio da modalidade ou, noutras alturas, pela imagem negativa que deixaram.

A década de 80 é um período de tempo verdadeiramente histórico. As lutas entre LA Lakers e Boston Celtics, Larry Bird contra Magic Johnson, o início do que seria o fenómeno Michael Jordan… e os Detroit Pistons.

Durante toda a década de oitenta, Celtics e Lakers haviam sido as duas principais equipas da NBA. Contudo, na conferência Este, as batalhas entre Boston e Detroit tinham sido dos confrontos mais intensos de que há memória. A intensidade física, muitas vezes atingindo a violência desmedida, eram comuns nos jogos de play-offs entre os dois conjuntos. Mas ano após ano, quem saía por cima era Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Bill Walton e companhia – o mau passe de Isiah Thomas nas finais de conferência de 1987 está na memória de todos os adeptos dos Celtics e Pistons.

Mas em 1988 algo começou a mudar.

Esse foi o ano do primeiro embate entre Chicago e Detroit nas meias-finais de conferência. Jordan era MVP e Defensive Player of the Year, mas faltava-lhe experiência competitiva para enfrentar uma equipa mais “batida”. Usando e abusando do seu tipo de jogo extremamente físico e duro, os Pistons conseguiram chegar à final – depois de ultrapassarem os Celtics –, mas sucumbiram aos pés de Magic Johnson e os Lakers.

Contudo, a época seguinte foi o ano em que Detroit se afirmou como um verdadeiro candidato ao título. Apoiados em Isiah Thomas e Bill Laimbeer – os dois capitães da equipa – Joe Dumars, Vinnie Johnson, Rick Mahorn, Dennis Rodman, e muitos outros, os Pistons primavam claramente pela intensidade física, defensiva, e pela intimidação e jogo psicológico.

Como tem sido mostrado vezes e vezes sem conta na série-documentário produzida pela Netflix “The Last Dance” – que acompanha o último campeonato vencido por Michael Jordan e os Chicago Bulls, o seu segundo tricampeonato em oito anos – a equipa de Detroit foi o ritual de passagem que tornou Jordan no jogador que foi.

Nesse ano de 1989, e dado o desenvolvimento de Jordan, Isiah Thomas e Bill Laimbeer criaram as famosas “Jordan Rules”. Mas o que eram as Jordan Rules?

Eram um conjunto de regras que na prática diziam: Destruir MJ do ponto de vista físico e mental, explorando as suas fragilidades, empurrando-o para o seu lado esquerdo, o mais fraco, e – esta é a única forma de o descrever – batendo-lhe cada vez que ele tentasse chegar perto do cesto. Isto levou a que Jordan, como o próprio admitiu, se virasse para o ginásio de forma que o seu corpo conseguisse aguentar a carga que lhe era colocada em cima.

Esse ano Detroit conseguiu vencer o seu primeiro título, batendo os Celtics por 3-0, Milwaukee por 4-0, Chicago por 4-2 e finalmente os LA Lakers por 4-0, uma caminhada brilhante e que foi repetido no ano seguinte, em 1990, quando repetiram a vitória sagrando-se bicampeões e quebrando assim o reinado Boston – Los Angeles.

No entanto, estes dois campeonatos parecem ter um asterisco ao lado, tudo pela forma como foram vencendo, e pelo estilo de jogo e controvérsia que sempre os acompanhou e afetou as suas carreiras – Isiah Thomas que o diga.

Os “Bad Boy” Pistons ficarão para sempre na história, por bons e maus motivos, mas os seus dois títulos, o facto de terem quebrado a dinastia Boston – LA, e terem tornado Michael Jordan naquilo que foi, nunca terão o destaque que mereciam.

Foto de Capa: Detroit Pistons

Leonardo Costa Bordonhos

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