O pedido de Kyrie Irving vai contra aquilo em que a NBA se tornou

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Chris Paul e Paul George foram trocados, Gordon Hayward decidiu mudar de ares e, ainda assim, a surpresa do verão haveria de surgir no fim de julho, que é habitualmente o momento mais descansado na NBA. Na era das super-equipas, com jogadores que abdicam de pagamentos maiores para terem ao seu lado outras estrelas, Kyrie Irving expressou o seu descontentamento à direção dos Cavaliers e pediu para ser trocado. Um pedido que diz muito de Irving, dos Cavs e, como não podia deixar de ser, de LeBron James.

Kyrie Irving tem a seu lado a segunda melhor equipa do mundo, o melhor jogador do mundo. Irving é um campeão, com o lançamento da vitória nesse mesmo título e é também um All-Star. A sua camisola está no top 5 das mais vendidas e as suas sapatilhas só são ultrapassadas nas que mais retorno financeiro dão pelas de LeBron James. E apesar de tudo isso, Kyrie quer sair. Kyrie quer mais. Quer construir o seu legado. Porque em Cleveland, será sempre o colega de equipa de LeBron James…

Este pedido de Irving diz muito sobre aquilo que são os Cavs e a diferença para outras equipas. A equipa de Cleveland insiste em cometer os mesmos erros que em 2010 fizeram LeBron James bater com a porta (e o próximo é o último ano do contrato do King): uma equipa que perde claramente as finais e que é incapaz de se reforçar, fruto de uma má gestão ao longo dos anos. Irving quer sair da sombra de LeBron, mas o facto dos Cavs o terem incluído em conversações para outras trocas não caiu bem, certamente, para Kyrie. A direção dos Cavaliers, que tanta dificuldade teve em conseguir um General Manager, continua a fazer um trabalho abaixo daquilo que se pede. Um dos motivos para a diferença dos Cavs para os campeões Warriors continuar a aumentar e não a diminuir, como seria de esperar.

Uma imagem que pode deixar de ser vista no futuro Fonte: Bleacher Report
Uma imagem que pode deixar de ser vista no futuro
Fonte: Bleacher Report

Por fim, LeBron James. É certo e sabido que, o que quer que aconteça na NBA, provavelmente envolverá o nome de LeBron. James é conhecido pela forma como coloca os seus colegas a jogar, pela forma como aproveita as capacidades de cada um. Mas é, também por isso, e sempre será, a estrela da sua equipa. Seja em que equipa for, dos trinta conjuntos que compõem a NBA, não há um sobre o qual se possa dizer que James seria figura secundária. Porque o melhor do mundo não pode ser segunda opção em lado nenhum. E Irving tem vivido essa grandiosidade de perto. Tudo o que o base faz em campo, tem sempre algo de LeBron. E se Kyrie se sente capaz de ser uma figura tal como é LeBron, não pode coexistir com o King. Porque James faz de ti um melhor jogador, mas nunca fará de ti um jogador melhor do que ele próprio.

Irving quer a glória, o apreço e a fama. Muitos podem olhar para Irving como um egoísta, até por ser o primeiro a recusar jogar com James. Mas da maneira como está a NBA hoje, esta decisão de Irving é refrescante. Tem um pouco da “mamba mentality” de Kobe Bryant em si. Kyrie Irving quer vencer e quer, acima de tudo, mostrar que venceu através das suas ações e não por ser uma muleta de um ou outro jogador superior. O futuro dirá se esta é a melhor opção para Irving, mas, apesar de surpreendente, esta escolha é, acima de tudo, corajosa e isso é de louvar.

Foto de Capa: The Big Lead

António Pedro Dias
António Pedro Diashttp://www.bolanarede.pt
Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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