Publicidade

Silver falou e Seattle voltou a sonhar

António Pedro Dias · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidades

Quando comecei a estar atento à NBA, há uns bons anos, os Seattle SuperSonics eram uma das equipas a ver. Mesmo longe do seu auge, as cores vibrantes dos equipamentos refletiam-se na força e paixão dos adeptos. Seattle era uma cidade cinzenta onde a chuva governa. Mas dentro do pavilhão, tudo era mais colorido. A equipa da casa jogava melhor ali, os forasteiros pior. Até que alguém decidiu pegar nos Sonics e transformá-los nos Thunder de OKC. Quase dez anos depois, Adam Silver afirmou pela primeira vez que a expansão da NBA é possível e que Seattle será sempre uma das favoritas a receber uma equipa da NBA. Algo que os adeptos dos Sonics têm sonhado desde 2008 e que faz todo o sentido para quem gosta da NBA.

Em 2006, o então dono dos Sonics, Howard Schultz decidiu vender a equipa a um grupo de investidores de Oklahoma City liderados por Clay Bennett, que lhe garantiu que não mudaria a equipa de cidade. Porém, depois de não verem garantidos fundos necessários por parte da cidade de Seattle para a construção de um novo pavilhão, Bennett acordou com a NBA a mudança dos Sonics para Oklahoma. A cidade de Seattle ainda levou o caso a tribunal por haver um contrato de arrendamento do pavilhão em Seattle por parte dos SuperSonics até 2010, o que manteria a equipa na cidade até aí. Mas antes da decisão judicial, a cidade de Seattle e Bennett chegaram a um acordo: Bennett levava o franchise para OKC, mas teria de pagar 45 milhões de dólares à cidade, não usar o nome SuperSonics para a equipa e manter a história dos Sonics.

Payton e Kemp, duas lendas dos Sonics Fonte: NBA
Payton e Kemp, duas lendas dos Sonics
Fonte: NBA

O povo de Seattle ficou destroçado. Foram 41 anos de história, de uma das equipas mais marcantes para qualquer adepto de basquetebol. Um dos pavilhões mais ruidosos da NBA, onde brilharam os campeões Gus Williams, Jack Sikma e Dennis Johnson. A equipa de 95-96 onde pontificavam Gary Payton, Shawn Kemp e Detlef Schrempf, só derrotada pelos poderosos Bulls de Michael Jordan. Os Sonics de Lenny Wilkens, Spencer Haywood ou mais recentemente de Ray Allen e Rashard Lewis e ainda do rookie Kevin Durant. Tudo deitado ao lixo por mau planeamento da cidade, má gestão dos donos do clube e um último dono com segundas intenções.

Mas há luz ao fundo do túnel. Adam Silver tem rejeitado o aumento do número de equipas na NBA. Até que parou de o fazer na semana passada. Numa entrevista ao The Players’ Tribune, o comissário da NBA admitiu que há uma boa possibilidade de isso acontecer no futuro próximo (provavelmente de 30 para 32 equipas), com Seattle na pole-position para (voltar a) receber uma equipa. A história do franchise ficaria, no papel, em OKC. Mas depois da tentativa furada de mover os Kings de Sacramento e sem grandes razões para acreditar na possibilidade de mover uma das equipas existentes para Seattle, esta será sempre a melhor opção e a que mais esperança traz a uma das cidades mais apaixonadas por basquetebol nos Estados Unidos. Os adeptos merecem e a NBA será sempre melhor com os Sonics presentes.

Foto de Capa: NBA

António Pedro Dias

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.