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Uma raposa a revitalizar Sacramento

António Pedro Dias · 3 min

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Há um ano atrás (e nos dez anteriores a este), assistir a basquetebol em Sacramento era um suplício, uma forma leve de tortura pela qual muita gente pagava para sofrer porque… bem, porque há pessoas para tudo. Se perguntassem aos adeptos dos Kings quais eram as expetativas para a nova época, eles olhariam para vocês com cara de poucos amigos, encolheriam os ombros e diriam que, se algum adversário falhar dois lances-livres no quarto período e isso der um cupão para pizza mais barata a quem assista o jogo, já é bastante bom. Se lhes dissessem que em dezembro estariam em lugar de playoff no Oeste e a jogar muito bom basquetebol, riam-se de vocês, riso este seguido de um choro incontrolável, pois isso era impossível. “Era”…

Pela primeira vez em pelo menos uma década, os Kings chegam a dezembro com reais possibilidades de prolongarem a sua época além dos 82 jogos da fase regular. E tudo isso se deve ao incrível talento do “sophomore” do ano: De’Aaron Fox. Após um ano de rookie que deixou muita gente em Sacramento a pensar no que tinham feito no draft, Fox começou a calar os críticos um por um e a mostrar-se a estrela que a capital da California há tanto tempo ansiava ter.

A solução para os problemas que Fox encontrou no seu ano de rookie foi descoberta pelo seu treinador, Dave Joerger. Se Fox gosta de correr, toda a equipa vai correr. Porque se a equipa vai ser montada à sua volta, terá de valorizar os seus pontos fortes. Faz sentido e trouxe resultados. Os Kings passaram da equipa mais lenta na NBA para a segunda mais rápida, e a fórmula é simples: abram alas para Fox. O jovem base tem melhorado em tudo o que é parâmetro ofensivo. Percentagem de lançamento interior e exterior, idas à linha de lance-livre, número de assistências, etc. Tudo o que Fox fazia, faz agora melhor e mais rápido. Mas Fox quer mais ainda. Ainda na semana passada, assumia que um dos seus grandes objetivos para a temporada era fazer parte de uma “All-Defensive Team”. Fox ainda não está a esse nível, mas tem feito também bastantes progressos na defesa, o seu calcanhar de Aquiles. E não deixa de ser interessante perceber que este é um dos grandes objetivos de um jogador tão orientado para o ataque.

Fox dominou Doncic, uma das grandes promessas e surpresas da NBA
Fonte: Sacramento Kings

Os Kings estão na luta pelos playoffs, e, embora jogadores como Buddy Hield, Bjelica ou o recém-regressado Bogdanovic venham fazendo uma boa temporada, muito do sucesso da turma de Joerger se deve ao seu base. Numa altura em que jogadores como Marvin Bagley III ou Harry Giles tardam em afirmar-se, é importante que um jogador que teve uma primeira temporada complicada se apresente a este nível. Fox está a jogar como um All-Star. Conseguirá a sua primeira presença no jogo das estrelas se continuar a este nível e isso é um enorme passo para um jogador no seu segundo ano. Ainda para mais numa conferência que conta com bases como Stephen Curry, Russell Westbrook, James Harden ou Klay Thompson. Para já, no entanto, De’Aaron Fox vai brilhando e trazendo sorrisos às pessoas de Sacramento, que começavam a achar que o pesadelo da mediocridade tinha chegado para ficar.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Sacramento Kings

António Pedro Dias

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