Alarcón vence Volta ferida na sua credibilidade

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Raul Alarcón vestiu em Fafe a camisola amarela, na final da Volta a Portugal 2018, alcançando a sexta vitória consecutiva para o conjunto que representa, a W52/FC Porto. O líder da equipa dos “Dragões” levou ainda para casa três etapas, a camisola da montanha e o prémio do combinado e ajudou a triunfar na classificação coletiva. 

O espanhol, que já tinha ganho a Volta e duas etapas em 2017, é cada vez mais a figura maior do pelotão nacional. Em relação ao domínio da W52/FC Porto, esse não dá sinais de abrandar. Se a primeira semana da Volta deu a sensação de que os azuis e brancos podiam não estar ao nível habitual, a segunda foi mais do mesmo, com o contrarrelógio final como corolário de um domínio avassalador.

O homem que mais luta deu foi o melhor português, Joni Brandão, que ficou pela segunda vez na carreira no lugar mais agridoce. Nas etapas mais duras, o ciclista do Sporting tentou testar a equipa do líder, mas nunca conseguiu deixar Alarcon em dificuldades. Ainda assim, após a ausência do ano passado, foi o regresso de Joni à luta pela Volta e a equipa deu uma boa resposta, com Frederico Figueiredo a terminar no quinto posto.

O pódio foi fechado pelo vencedor da classificação dos pontos e de três etapas, Vicente de Mateos. O polivalente espanhol repetiu o lugar de 2017, mas os seus resultados deixam uma sombra sobre a Volta. De Mateos foi suspenso provisoriamente por anomalias no passaporte biológico, mas acabou por lhe ser permitido que continuasse a correr enquanto corre o processo, ou seja, está no limbo e poderá vir a ser castigado e os resultados desta Volta retirados.

De Mateos venceu três etapas e a camisola verde, apesar de estar a ser investigado pelas autoridades anti-doping espanholas
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

A verdade é que a Volta a Portugal já não tem, por vezes, a melhor imagem internacionalmente, exatamente pela estranheza dos desempenhos demasiado bons de ciclistas que não são capazes de fazer o mesmo tipo de exibições em provas fora de portas e uma situação destas só vem confirmar essa ideia.

Neste caso em particular, nem a equipa nem a organização estiveram bem. A equipa, porque não quis proteger a modalidade e garantir que o processo fosse gerido com a devida razoabilidade. A organização da Volta, pela incoerência, porque não se manifestou sobre este caso, mas, por uma questão idêntica, retirou o convite à Burgos-BH para participar. 

Entretanto, saíram a público informações de que também o vencedor da Juventude, Xuban Errazkin, estará sob investigação por dois controlos positivos no GP Abimota. Mais uma notícia triste e que fere a credibilidade da prova e do desporto. Resta esperar por mais desenvolvimentos.

Fora tudo isso, o principal nome foi o italiano Ricardo Stracchiotti, que venceu as duas chegadas em pelotão compacto desta edição da Volta. O campeão nacional de fundo e de crono, Domingos Gonçalves, também esteve em destaque com vários ataques e uma vitória em etapa, enquanto Rafael Reis, vencedor do prólogo, foi o único a envergar a amarela além do suspeito do costume.

Foi, sem dúvidas, uma excelente Volta, com lutas bem mais interessantes que as edições mais recentes, mas que perde pela previsibilidade do resultado e pelo domínio absoluto de uma só equipa. Ainda assim, a organização esteve melhor quanto ao percurso desenhado – claramente uma melhoria face ao passado mais próximo. Por fim, é de destacar a falta de qualidade das equipas portuguesas para os sprints, em que, apesar de alguns bons esforços de João Matias e Luís Mendonça, se deixaram dominar pelos adversários estrangeiros.

Foto de Capa: José Baptista/Bola na Rede

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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