Alguém para Anna van der Breggen?

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Cabeçalho modalidadesTerminou este domingo o Giro Rosa, a prova mais importante do Ciclismo feminino. Numa edição em que faltou a dureza de outros anos, a holandesa Anna van der Breggen continuou a sua época de sonho e venceu a prova italiana pela segunda vez na carreira.

O Giro começou com um contrarrelógio por equipas onde a Boels-Dolmans, equipa de van der Breggen, mostrou ao que vinha e venceu, colocando logo aí a holandesa em vantagem face às suas adversárias da geral. Seria logo na segunda etapa que assumiria a liderança quando, após uma subida perto do final, se isolou com as duas ciclistas que viriam a discutir consigo a classificação geral, Annemiek van Vleuten e Elisa Longo Borghini.

As duas etapas seguintes disputaram-se ao sprint, tendo, ainda assim, implicações para a geral uma vez que, na quarta etapa, um corte no pelotão à passagem da segunda meta volante do dia foi aproveitado para distanciar Annemiek van Vleuten que, apesar do trabalho da sua equipa, Orica – Scott, perdeu nesse dia um minuto e 59 segundos.

Annemiek van Vleuten ainda deu luta a van der Breggen Fonte: Orica-Scott
Annemiek van Vleuten ainda deu luta a van der Breggen
Fonte: Orica-Scott

Van Vleuten respondeu no dia seguinte vencendo o duro contrarrelógio de Sant’elpidio a Mare à frente van der Breggen e Longo Borghini. No entanto, não mais diferenças se fariam entre as principais líderes, apesar das etapas oito e dez terem produzido ataques e seleções no pelotão. No final, Anna van der Breggen ganhou com um minuto e 3 segundos de vantagem sobre Elisa Longho Borghini e um minuto e 39 segundos sobre Annemiek van Vleuten.

Já no ano de 2016, van der Breggen tinha-se sagrado Campeã Olímpica e Europeia, mas este está a ser o ano da sua afirmação como dominadora do pelotão feminino. Na estreia da ‘Tripla das Ardenas’ feminina, a holandesa venceu Amstel Gold Race, La Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège no espaço de uma semana para igualar o feito de dois homens: Davide Rebellin (2004) e Philippe Gilbert (2011). Seguiu-se a vitória no Tour of California e, agora, vence a mais mítica prova do calendário feminino e é lider do ranking World Tour.

O pelotão liderado por Daniela Reis, única portuguesa em prova Fonte: Daniela Reis
O pelotão liderado por Daniela Reis, única portuguesa em prova
Fonte: Daniela Reis

Integrada na mais forte equipa feminina, a Boels-Dolmans, para onde se mudou este ano, Anna van der Breggen parece querer afirmar-se definitivamente como a cabeça de cartaz do ciclismo feminino e a pergunta que fica no ar é se há quem a possa parar. No Giro Rosa, Annemiek van Vleuten deu luta, mas um erro – e uma equipa que não a conseguiu salvar – numa etapa teoricamente inofensiva custou-lhe caro. E a jovem Katarzyna Niewiadoma, sexta no Giro Rosa, que também brilhou nas ardenas e é segunda no ranking World Tour, também aspira a voos mais altos. Teremos de esperar para ver se este domínio terá continuidade nos próximos anos, mas, para já, parece encontrada a melhor de 2017.

Ainda que longe desse patamar, Daniela Reis que encheu o Ciclismo português de orgulho só pela presença na prova, teve uma primeira participação no Giro Rosa discreta, mas positiva, tendo sido a melhor da sua equipa, a Lares-Waowdeals, ao terminar em 56º da geral e fazendo até um 18º lugar na nona etapa.

Foto de Capa: Boels-Dolmans

Artigo revisto por: Beatriz Silva

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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