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Não desiludiu a 13ª edição da Strade Bianche, uma das corridas mais espetaculares da época, se não a mais espetacular.
Uma corrida que ano após ano tem ganho muita notoriedade, acabando por se tornar numa corrida de referência, passando a fazer parte do calendário World Tour.
O que torna esta corrida espetacular são os inúmeros setores de terra batida combinados com as duras colinas da zona da Toscânia e se pusermos chuva à mistura temos todos os condimentos para termos uma corrida caótica como a de hoje.
A start list da prova também contava com nomes de luxo tais como Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Michal Kwiatkowski (Team Sky) e Alejandro Valverde (Movistar Team) à cabeça, dando ainda mais motivos para os adeptos acompanharem esta prova.
O pelotão partiu de Siena sobre uma forte chuva, e o cenário que se deparava à sua frente era digno de uma prova do norte da Europa.

Fonte: Strade Bianche
Na primeira parte da corrida, assistiu-se a muitos ataques e a uma corrida ainda muito indefinida, fruto também do tempo que se fazia sentir.
Foi dessa indefinição que se formou um grupo de vários ciclistas, com Kwiatkowski e Valverde a encabeçar essa fuga, e um jovem de nome Wout Van Aert (Verandas Willems-Crelan) atual campeão do mundo de Ciclocross e a quem se augura um grande futuro, especialmente nas clássicas do norte.
Nesta altura da corrida, os ciclistas estavam irreconhecíveis, completamente cheios de lama e a corrida continuava completamente aberta.
Espalhados pelas estradas havia ciclistas que saltavam de grupo em grupo, e foi nesta situação que Romain Bardet (AG2R La Mondiale) e Peter Sagan chegam à frente de corrida, trazendo consigo mais alguns ciclistas.
A 40km´s da meta e com vários dos candidatos juntos e a marcarem-se mutuamente, saltam do grupo Bardet e Wout Van Aert, que ampliavam o seu tempo para os restantes à medida que os quilómetros passavam. Mais atrás, outro duo saía do grupo, Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e Pieter Serry (Quick Step Floors), partindo ainda mais a corrida.
Mas deste duo só o homem da Lotto é que teve capacidade para chegar à frente da corrida e a cerca de 15km da meta junta-se ao duo da frente, num esforço fantástico por parte do belga.
Seriam destes 3 ciclistas, Benoot, Bardet e Van Aert, que iria sair o vencedor da prova, um trio inesperado, não tanto por Benoot mas mais por Bardet e o jovem Van Aert, nos quais não apostaria para o pódio.
E foi mais uma vez o belga da Lotto a abrir as hostilidades num feroz ataque sem que os seus adversários conseguissem responder à altura, isto quando estavamos a 10km do fim da prova, e quando a chuva também já tinha dado tréguas.
Benoot isola-se na chegada a Siena e conquista uma grande e merecida vitória, fruto da sua leitura da corrida aliado a ataques que deixaram a concorrência fora da luta pela vitória.

Fonte: Strade Bianche
O belga junta o seu nome à lista de vencedores da Strade Bianche, nomes que incluem Fabian Cancellara, Philipe Gilbert e Michal Kwiatkowski, entre outros.
No resto do pódio ficaram as surpresas, por ordem de chegada Romain Bardet, que mostrou uma faceta que até aqui desconhecia neste tipo de terrenos, sendo ele um trepador puro teve uma prestação digna de um ciclista de clássicas.
No lugar mais baixo do pódio, Wout Van Aert, um nome muito conhecido no mundo do ciclocross e que nos vamos habituar a ver agora em estrada e em clássicas de inverno, tem características que fazem dele um nome a seguir agora nas clássicas de pavê.

Fonte: Strade Bianche
Quanto aos favoritos, Valverde e Sagan conseguem acabar no top-10. Já Kwiatkowski que andou no grupo da frente teve uma enorme quebra e terminou no 30º lugar.
A armada portuguesa representada por José Gonçalves 27.º lugar e Nelson Oliveira 46.º lugar foram os únicos que terminaram, já Nuno Bico não conseguiu terminar a prova.
Resta-me destacar que dos 147 ciclistas que começaram a prova só 53 é que acabaram a mesma, o que demonstra bem as dificuldades desta prova, que cada vez mais se destaca como uma das melhores do calendário internacional.
Foto de Capa: Strade Bianche
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro













