E que comece o estágio!

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Quando falta menos de um mês para o início do Tour de France, no mundo do ciclismo não se pensa noutra coisa. Quem será o vencedor, em que forma chegarão os principais favoritos e quais serão as surpresas deste ano são os principais tópicos de conversa de todos os amantes da modalidade. Pois bem, esta semana temos uma óptima possibilidade de espreitar aquilo que se poderá passar no futuro. É a semana do Critérium du Dauphiné. Esta é uma prova que existe claramente para preparar o Tour de France. Muitos quilómetros percorridos nos Alpes e um contra-relógio curto, na primeira etapa, para aquecer os motores.

Como é habitual, os grandes favoritos à conquista do Tour marcam presença no Critérium, mas este ano existe uma particularidade engraçada. Nem Froome, nem Contador, nem Nibali participaram na grande prova anterior do calendário, o Giro d’Itália, facto que pode trazer um interesse extra para a edição deste ano. Chegarão os três em força para atacar esta prova ou irá notar-se falta de ritmo em algum deles? Quererão eles marcar já posição para o Tour, dando um sinal de força, ou preferirão rolar longe dos limites para evitar alguma possível queda ou lesão que os enfraqueça num futuro próximo? Poderá até algum deles querer fazer bluff e deixar passar uma mensagem de menos força para depois surpreender? Serão perguntas para as quais só teremos reais respostas durante o Tour de France, mas estes são motivos capazes de nos prender ao Critérium du Dauphiné deste ano. Não esquecer nesta equação o nome de Van Garderen, que também não marcou presença no Giro e pode fazer uma excelente prova, até porque é visto como uma das mais fortes ameaças àquele que é o pódio que muitos já prevêm como certo no Tour deste ano (outra ameaça será Valverde, mas depois de não marcar presença no Giro d’Itália e de agora passar o Critérium du Dauphiné fica mais complicado prever como chegará o espanhol à grande prova do ano).

Froome, Contador e Nibali, os três grandes favoritos para a edição deste ano  Fonte: zimbio.com
Froome, Contador e Nibali, os três grandes favoritos para a edição deste ano
Fonte: zimbio.com

Outro ponto de interesse é precisamente o oposto do acima referido. Será interessante verificar em que forma chegam a esta prova aqueles ciclistas que tiveram um rendimento ao mais alto nível em Itália. Wilko Kelderman e Ryder Hesjedal fizeram top 10 e, passado apenas uma semana do término da prova italiana, poderão ainda mostrar um alto nível de ritmo competitivo.

Ontem o pelotão já correu o contra-relógio inicial. Uma etapa curta, de apenas dez quilómetros e quatrocentos metros, e que, como era esperado, não deu para fazer grandes diferenças. Froome venceu a etapa, Contador fez segundo e Nibali oitavo, estando separados por apenas 13s. Foi um bom aquecimento, nada mais do que isso. Vêm aí as montanhas e aí sim virá o espectáculo. De qualquer maneira, é de salientar a forma como Froome e Contador começaram, ocupando desde já os dois lugares mais altos do pódio da classificação geral, algo que muito provavelmente irá acontecer bastantes vezes até ao final de Julho.

Chris Froome durante o contra relógio da primeira etapa  Fonte: cyclingnews.com
Chris Froome durante o contra relógio da primeira etapa
Fonte: cyclingnews.com

No ano passado, Froome venceu o Critérium du Dauphiné e depois venceu o Tour. Acontecerá o mesmo este ano ou conseguirá Contador bater o pé ao britânico? Apesar de não ser definitivo, é sempre um bom indicador vencer já e marcar posição para o futuro. A verdade é que, por muito que não se queira, todos os pensamentos já estão naquilo que se vai passar a partir de 5 de Julho. Os dados estão lançados, começou o estágio para o Tour de France, façamos bom proveito!

Rafael Lapa
Rafael Lapahttp://www.bolanarede.pt
Um dia o seu avô disse-lhe: "anda cá, Rafael, senta-te aqui no meu colo, que vamos ver uns meninos a andar de bicicleta". A partir desse dia começou uma paixão incontrolável: o ciclismo!                                                                                                                                                 O Rafael não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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