Greg Van Avermaet: Memórias de um amante de Clássicas

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Greg Van Avermaet nasceu a 17 de maio de 1985 em Lokeren, município pertencente à província da Flandres Oriental (na Bélgica), e acabou por se tornar uma referência mundial do ciclismo. Greg, também conhecido como “Golden Greg” ou “GVA”, alcançou a sua primeira vitória como ciclista profissional em 2007, na sua temporada inaugural no primeiro escalão do ciclismo internacional e ao serviço da histórica formação belga Predictor-Lotto, quando, aos 21 anos de idade e na sua primeira competição da temporada, prevaleceu num sprint em grupo reduzido na quinta etapa do já extinto Tour of Qatar. Desde esse dia de glória, foram ainda contabilizados outros 41 triunfos. Com uma astúcia admirável e uma polivalência única, Van Avermaet acumulou ao longo da sua carreira dezenas de vitórias e conquistas impressionantes, que fazem com que o belga de 38 anos seja hoje considerado um dos melhores ciclistas da última década e um dos maiores competidores de Clássicas do século XXI.

Melhores momentos

Maillot jaune x2

Os grandes ciclistas acabam sempre por brilhar no Tour de France, pelo menos é o que se costuma dizer… E “GVA”, como grande ciclista que é, também se destacou na maior competição velocipédica do mundo. Apesar de não ser um ciclista talhado para a classificação geral das provas montanhosas, como o Tour, sempre foi um ciclista ofensivo e, se a geral não era para ele, determinadas etapas teriam de ser. Obteve o seu primeiro triunfo na “Grande Boucle” em 2015, batendo, nada mais nada menos, do que Peter Sagan num sprint a dois, em Rodez, à décima terceira etapa; e conquistou ainda a quinta etapa do Tour de 2016, após um solo de mais de 17 km numa etapa de média montanha, que atestou, indubitavelmente, a sua enorme polivalência. Para além de vitórias de etapa, envergou ainda em dois anos distintos a camisola distintiva de líder da classificação geral da Volta a França, o maillot jaune. A primeira vez que teve oportunidade de vestir esta camisola foi precisamente em 2016, após ter vencido a tal quinta etapa e assumido a liderança. Conseguiu segurar o maillot até à oitava tirada, tendo até, valentemente, se aventurado na fuga do dia da sétima jornada para manter o seu estatuto de líder, quando a etapa se afigurava difícil para ele. A segunda passagem do belga pela liderança da prova francesa deu-se em 2018, quando aproveitou o excelente contrarrelógio por equipas da sua formação na altura, a BMC, para se colocar na liderança da competição e tendo-se mantido como o melhor classificado até à décima primeira jornada, quando a alta montanha do Tour o acabou por destronar.

“Golden Greg” nos Jogos Olímpicos

Em agosto de 2016, Greg Van Avermaet partiu para o Rio de Janeiro para disputar a prova de estrada dos Jogos Olímpicos. Não era considerado um dos grandes favoritos, mas depois da notável Volta à França que tinha acabado de realizar no mês anterior, teria de ser um ciclista a ter em conta. Após a última subida à Vista Chinesa, Sergio Henao, Vincenzo Nibali e Rafal Majka seguiam destacados e possuíam uma vantagem confortável de cerca de 30 segundos sobre o grupo perseguidor mais próximo, no qual se encontrava Van Avermaet. Tudo indicava que os três da frente discutiriam a glória olímpica entre si. Todavia, a 12 km do fim da prova, Henao e Nibali, inesperadamente, caíram na descida e Majka viu-se sozinho na frente da prova, com ainda 10 km para rolar sozinho no plano, o que constituía uma distância ainda considerável para um puro trepador como Majka, tendo em conta o grupo de dimensão considerável (cerca de uma dezena de ciclistas) que seguiam na sua perseguição. A 5 km da meta, Jakob Fuglsang atacou no grupo perseguidor e, “GVA”, entendendo a perigosidade da movimentação, seguiu na sua roda. Os dois distanciaram-se dos demais, estabeleceram uma boa cooperação e, à entrada do último quilómetro, alcançaram o fatigadíssimo Rafal Majka. A partir daí, a história estava escrita: Van Avermaet não ia deixar algum dos outros dois trepadores superá-lo e, com um sprint autoritário, bateu Fuglsang e Majka, respetivamente. Com isto, obteve a alcunha de “Golden Greg” e a possibilidade de poder utilizar o capacete dourado de campeão olímpico até aos Jogos seguintes.

2017, um (quase) ano de sonho

O classicómano belga, na segunda década do século XXI, tornou-se um dos maiores pesadelos dos adversários nas Clássicas da primavera, que o digam Peter Sagan, Sep Vanmarcke, Zdenek Stybar, entre outros grandes ciclistas do universo velocipédico.

A maior vitória nas Clássicas de Van Avermaet aconteceu no país vizinho (em França), quando pôde vitoriosamente levantar os braços no Paris-Roubaix, após um sprint em grupo reduzido perfeito no Velódromo, em 2017. Nesse ano, o belga assumiu-se como o indiscutível “rei das Clássicas”. Antes de Roubaix, havia ganho também a E3 Saxo Classic e a Gent-Wevelgem e havia conquistado a dobradinha na Omloop Het Nieuwsblad. De realçar também o segundo lugar na mítica Strade-Bianche, atrás de Michal Kwiatkowski. Poderia ter sido o ano de sonho de Van Avermaet, não tivesse tido Philippe Gilbert um dia inesquecível na Volta à Flandres. Van Avermaet voltou a ser segundo na Volta à Flandres (também tinha sido em 2014), atrás do seu compatriota Gilbert, e ficou-lhe a faltar, para o palmarés perfeito, a vitória no monumento do empedrado belga para um fim de carreira pleno.

A despedida

Ao fim de 17 temporadas como ciclista profissional e de 42 vitórias, com passagens por diversas equipas (Predictor-Lotto, Silence-Lotto, Omega Pharma-Lotto, BMC Racing Team, CCC Team e AG2R Citroen Team), Greg Van Avermaet decidiu que seria altura de se despedir do circuito internacional e de abrir um novo capítulo na sua vida. Venceu a sua última prova este ano, nos Boucles de l’Aulne- Châteaulin, e competiu pela última no Paris-Tours, prova que também venceu em 2011.

Com 38 anos, “Golden Greg” despede-se da modalidade que lhe trouxe inúmeros dias de glória e que o estabeleceu como um dos maiores ciclistas do século XXI e um dos classicómanos mais vitoriosos. Obrigado, Greg!

Miguel Monteiro
Miguel Monteirohttp://www.bolanarede.pt
O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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