João Almeida cilindra concorrência e vence Volta ao Luxemburgo

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Histórico. Depois de Joaquim Agostinho (1969) e Acácio da Silva (1990), João Almeida tornou-se no terceiro português a vestir a camisola amarela na Volta ao Luxemburgo, concluindo a prova na primeira posição. O ciclista luso venceu uma etapa, juntando ainda as classificações da juventude e pontos naquele que foi o primeiro triunfo de um português na competição octogenária.

Sobre um clima de enorme apoio devido às conhecidas raízes portuguesas associadas a este país europeu, João Almeida partia como um dos favoritos para os cinco dias de competição. O perfil da prova (etapas explosivas e um contrarrelógio individual) assentava que nem uma luva às características do português, confirmando-se que a regularidade inerente às suas mais recentes prestações teriam um papel chave no desfecho final da prova.

Venceu uma etapa, foi segundo classificado em três delas e só na terceira etapa, com um honroso vigésimo lugar, esteve arredado da luta pela vitória. Um desempenho coeso nas estradas acidentadas do Luxemburgo, frente a nomes muito conhecidos do pelotão internacional, foi suficiente para marcar o contrarrelógio de 25 quilómetros como a grande diferença para os mais diretos competidores.

Apesar do potencial favoritismo poder suceder-se a partir do esforço individual, na quarta etapa, a verdade é que João Almeida entrou com o pé direito, vencendo a primeira etapa ao sprint, frente a Bauke Mollema e Marc Hirschi e impondo-se, autoritariamente, como o alvo a abater pelo leque de grande qualidade presente no Luxemburgo.

Um posicionamento acertado e uma trajetória limpa aliaram-se a uma ponta final cada vez mais aprimorada para levar de vencido o primeiro desafio. A vitória em etapa simbolizava a liderança na competição, todavia, a mesma havia de evaporar-se com a excelente prestação de Marc Hirschi na segunda etapa.

O futuro companheiro de equipa do “Duro das Caldas” carimbou um excelente triunfo com um ataque cirúrgico, contrapondo-se a uma época abaixo das expectativas com uma prestação de relevo. Na geral, os oito segundos roubados a João Almeida colocavam o suíço com quatro segundos de avanço, uma vantagem demasiado curta tendo em conta que ainda existia um contrarrelógio para ser ultrapassado.

Antes disso, um dia propenso aos poucos sprinters puros do pelotão. Entre lançadores, sprinters de equipas secundárias e homens com alguma explosividade, foi Sacha Modolo o grande vencedor do dia. O italiano quebrou um enguiço superior a três anos e voltou a vencer, agora ao serviço da Alpecin-Fenix.

Benoit Conesfroy e Eduard-Michael Grosu fecharam o pódio de uma etapa que teve ainda Boassen-Hagen, Andrea Vendrame e Clément Chaupoussin nos dez mais, ao passo que Bryan Coquard foi uma das principais desilusões do dia. Com metade da competição terminada, chegava o dia D, ou seja, o contrarrelógio, antes do término na Cidade do Luxemburgo com mais um final acidentado.

Apenas Mattia Cattaneo se conseguiu superiorizar a João Almeida. Num percurso maioritariamente plano, o colega de equipa do português venceu a quarta etapa por uma diferença mínima (dois segundos). Em relação aos principais rivais na luta pela geral, as diferenças não surpreenderam ninguém apesar do líder da Deceuninck Quick-Step ter conseguido uma vantagem bastante confortável.

Apenas De la Cruz, Latour e Hirschi conseguiram evitar perdas superiores a 50 segundos para o português, que com mais uma exibição magnífica na disciplina, conseguiu deixar ciclistas importantes como Thibaut Pinot, Jesus Herrada, Ben O´Connor, Vincenzo Nibali ou David Gaudu a mais de um minuto de distância.

Com a classificação geral e da juventude no bolso, restava apenas a etapa de consagração para João Almeida, assim como a certeza de que iria bater Marc Hirschi no ranking pontual. Assim se sucedeu com mais um honroso segundo lugar, depois de um grupo pouco numeroso, no qual se inseria o líder da geral, ter sido surpreendido por um excelente ataque de David Gaudu, um dos atletas em destaque na prova.

Para além dos dados históricos que em muito enaltecem a pegada do ciclismo português pelos quatro cantos do mundo, a sensação de que teremos João Almeida para os próximos anos está ao rubro. Prestes a despedir-se da formação belga, o caldense continua na sua senda de vitórias depois de um resultado idêntico na Volta a Polónia, tornando cada vez mais indiscutível a ideia de que um ciclista competente em provas de uma e três semanas (principalmente) está já na sua fase de afirmação entre o pelotão internacional.

Foto de Capa: Deceuninck Quick-Step

Ricardo Rebelo
Ricardo Rebelohttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo é licenciado em Comunicação Social. Natural de Amarante, percorreu praticamente todos os pelados do distrito do Porto enquanto futebolista de formação, mas o sonho de seguir esse caminho deu lugar ao objetivo de se tornar jornalista. Encara a escrita e o desporto como dois dos maiores prazeres da vida, sendo um adepto incondicional de ciclismo desde 2011.

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