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National Cycling League: Ciclismo à Americana

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Arranca a 7 de abril a edição inaugural da National Cycling League (NCL), um campeonato de ciclismo norte-americano anunciado nos últimos meses de 2022. Tem neste momento um calendário constituído apenas por 4 corridas: em Miami Beach, em Atlanta, em Denver e a época encerra em setembro na capital, Washington D.C.

AS PARTICULARIDADES

A NCL Cup é constituída por 10 equipas que irão disputar quatro provas, cada uma com 60 voltas a um circuito de cerca de 1,6 km (1 milha, mais precisamente). Neste momento, o campeonato cinge-se apenas ao ciclismo amador, sendo que os participantes correm por prémios que fazem um total de 1 milhão de euros.

Um dos aspetos em destaque na identidade da NCL é a promoção da diversidade, pertencendo, maioritariamente a minorias e de mulheres e ainda com as equipas a serem constituídas por 16 ciclistas: 8 homens e 8 mulheres.

As corridas não vão ser mistas, mas ambas vão contribuir da mesma forma para a classificação geral da equipa, com pagamento equitativo para homens e mulheres. A National Cycling League introduz as substituições no Mundo velocipédico. Cada equipa tem direito a fazer até 2 substituições entre a 1ª e a 25ª volta.

O envolvimento do público é chave para a NCL. Os equipamentos estão concebidos para garantir a transmissão de dados dos ciclistas durante a corrida, e as pontuações ao minuto serão apresentadas num painel. Para além disto, os fãs vão ter a hipótese de correr com os atletas, através do metaverso. O fan engagement não fica por aqui, com toda uma semana planeada por prova, com vista a organizar iniciativas de caridade e para apelar ao sentimento de “comunidade”.

PORQUE FOI CRIADA A NATIONAL CYCLING LEAGUE?

Nos últimos anos, o calendário velocipédico dos Estados Unidos tem sido substancialmente reduzido. Provas como a Volta à Califórnia, a Volta ao Colorado e a Volta ao Utah, todas com bastante relevância no pelotão internacional (João Almeida venceu a classificação da juventude no Utah, em 2019) desapareceram do calendário, devido à falta de apoio financeiro, fazendo com que as provas UCI com mais relevância no país sejam de projeção praticamente local.

A NCL foi fundada por Paris Wallace, antiga CEO da Ovia Health (empresa do setor de saúde e tecnologia) e por David Mulugheta, agente desportivo com ligações à NFL.  No anúncio da criação da liga, é destacado o apoio financeiro de líderes de indústria e de lendas da NFL, bem como de Michelle Roberts, antiga Diretora Executiva da NBA.

No site da NCL, é possível ler:

“Quis diminuir a barreira de conhecimento necessário para que alguém se torne adepto, acrescentando um placar e criando uma estrutura de liga que imitasse a maioria dos outros desportos profissionais. Eu também queria reduzir o investimento de tempo, tornando-o mais curto, mais rápido e mais cheio de ação. E foi assim que a NCL nasceu.”

As palavras são de Paris Wallace e resumem a motivação por trás do nascimento deste novo formato num país com mais de 50 milhões de ciclistas (incluindo não profissionais).

NATIONAL CYCLE LEAGUE: A NCL 1.0

A National Cycling League não é a primeira vez que os EUA tentam adaptar o ciclismo ao formato “campeonato” semelhante à NBA ou à NFL.  No final da década de 80, nasceu a National Cycle League, criada por Peter O’Neil, também com ligações à NFL. Tal como a reiteração moderna, a National Cycle League foi constituída (no seu auge) por 10 equipas citadinas ao invés de equipas baseadas em patrocinadores.

No caso desta primeira versão, chegaram mesmo a ser incluídas equipas de cidades europeias como Londres e Amesterdão. As corridas eram mais complexas, com dois períodos de 12 voltas, com um intervalo de 15 minutos entre si. No fim de cada três voltas, os ciclistas sprintavam com vista a pontuar.

“As pessoas não vão ficar por uma hora apenas para ver uma mancha de pilotos passar por 20 segundos (.. querem mais. Com este formato, eles podem seguir a corrida, eles podem torcer. Fizemos do ciclismo um desporto user-friendly“- Peter O’Neil, Comissário da National Cycle League, ao LA Times, em 1991

Os users não concordaram e a National Cycle League acabou por desaparecer. Todavia, é importante ressalvar que este campeonato foi antes do fenómeno Lance Armstrong que familiarizou a generalidade do público americano com o ciclismo, apesar do que anos depois se veio a descobrir sobre as vitórias do antigo campeão do Mundo.

A nova NCL tem mais potencial, uma vez que até ciclistas como Peter Sagan descuraram a relevância da parte inicial das corridas tradicionais e em que provas com mais de 200 km são tendencialmente mais raras. O mais interessante nesta competição é perceber o impacto que vai ter no desenvolvimento do ciclismo amador e no futuro do ciclismo americano profissional, um panorama já em crescimento com nomes como Sepp Kuss e Matteo Jorgenson.

Neste momento, é mais realista acreditar que a NCL vai ser uma plataforma para atração de novos talentos norte-americanos, para que o público geral se volte a interessar pelo desporto do que constituir qualquer tipo de competição que coloque em causa o modelo tradicional das corridas de ciclismo.

Filipe Pereira
Filipe Pereira
Licenciado em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Filipe é apaixonado por política e desporto. Completamente cativado por ciclismo e wrestling, não perde a hipótese de acompanhar outras modalidades e de conhecer as histórias menos convencionais. Escreve com acordo ortográfico.

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