Volta à Suíça: Quem sucederá a Rui Costa?

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Cabec¦ºalho ciclismo

Começa este sábado outra das mais prestigiadas provas do circuito mundial: a Volta à Suíça! Com o Critérium du Dauphiné a terminar (curiosamente, ontem tivemos uma grande vitória do próprio Rui e que já foi comentada AQUI), é altura de concentrar as atenções para uma das últimas provas antes do tão aguardado Tour de France e ver quem irá suceder ao tricampeão, Rui Costa.

Os quatro maiores candidatos a vencer o Tour não estarão nesta prova: Froome e Nibali estão a discutir o Dauphiné, Quintana encontra-se em terras colombianas e Contador está, ainda, a descansar do excelente Giro que fez. Mesmo assim, não deixaremos de ter uma Volta à Suíça com ciclistas de enorme qualidade e candidatos a fazerem top5/top10 na maior prova de todas (que começará no dia 4 de julho).

Esta edição em terras suíças irá ter nove etapas e começará e terminará com um contrarrelógio (o primeiro é um prólogo de 5 km’s e o segundo é uma espécie de crono escalada com cerca de 38 km’s – para ambos os CR’s, ciclistas como Cancellara, Malori ou Dumoulin, à partida, serão favoritos à vitória, sendo que até mesmo um ciclista como Peter Sagan poderá conseguir a camisola amarela no prólogo). A etapa mais exigente será a quinta, que contará com mais de 237 km’s e é considerada a etapa rainha desta prova (não só é a mais árdua, como é a mais longa).

Sem dúvida, é para os puros trepadores marcarem a diferença e para quem não é tão bom no contrarrelógio conseguir, de alguma forma, compensar isso. Não iremos ter nenhuma etapa completamente plana, o que dificultará a tarefa aos sprinters, mas as etapas 4, 6 e 7 poderão acabar num sprint (a etapa 7 será a melhor etapa para os puros sprinters, enquanto que as etapas 4 e 6 estarão certamente marcadas pelos designados “punchers” – ciclistas que são rápidos em terreno plano, mas que também conseguem aguentar subidas curtas – como Peter Sagan, Michael Matthews ou John Degenkolb).

rui costa volta suiça
O tricampeão a celebrar a vitória no ano passado, ainda com a camisola de campeão do mundo
Fonte: bkstickers

Na teoria, os dois maiores favoritos a vencer esta prova serão o francês Thibaut Pinot e o polaco Rafal Majka. Pinot foi o 3.º classificado do Tour, no ano passado, e Majka venceu a camisola da montanha nesse mesmo Tour. Sendo que são dois ciclistas ainda relativamente jovens (25 anos) e que estão a tornar-se, cada vez mais, candidatos a grandes lugares numa das três maiores provas do circuito mundial (estando o polaco num nível abaixo do francês nesse aspeto, principalmente devido ao facto de Pinot já ter mesmo conseguido um pódio no Tour e ter um currículo muito mais vasto, enquanto o melhor que Majka conseguiu foi um 6.º lugar no Giro do ano passado e ainda não tem grandes triunfos na sua carreira).

O francês irá querer testar a sua condição física antes do Tour e nada melhor do que uma prova como esta para o fazer, sendo que, à partida, é o melhor trepador de todo este conjunto de ciclistas e dos melhores no contrarrelógio (entre todos os favoritos para vencer a geral) – modalidade onde progrediu imenso desde os últimos anos. Veremos em que condição chega Pinot a esta prova. Tem tudo para ser o favorito se estiver nas melhores condições.

O ano de 2015 não tem sido muito famoso para Majka, portanto terá aqui a oportunidade de se redimir e de vencer a maior prova da sua carreira até agora. Tem todas as qualidades de trepador para ser bem-sucedido, sendo que não é um mau contrarrelogista, principalmente em CR um pouco montanhosos. A sua maior vantagem em relação a Pinot poderá ser o facto de o polaco ir ajudar Contador no Tour, enquanto o francês irá lutar por um dos lugares mais altos da classificação, ou seja, terá de ter alguns cuidados nesta prova, ao passo que Majka estará certamente motivado para fazer um grande resultado que lhe permita encarar com maior confiança a missão de levar Contador à vitória no Tour.

Majka e Pinot numa das etapas do Tour de France 2014
Majka e Pinot numa das etapas do Tour de France 2014
Fonte: cyclingtips

Outros nomes a ter em atenção para esta Volta à Suíça são ciclistas como Jakob Fuglsang (segundo o que é dito, o suíço – que irá correr em casa, ou seja, terá aqui uma motivação extra – encontra-se numa grande forma, e a vitória nesta prova é um dos seus maiores objetivos este ano, sendo que raramente tem um mau dia e tanto é forte nas montanhas como nos contrarrelógios), Simon Spilak (costuma dar-se bem em terras suíças e, com mau tempo previsto para alguns dias da corrida, poderá ser um dos que mais beneficiarão com isso, sendo que costuma adaptar-se bem a corridas como esta – como prova o seu 2.º lugar em três edições seguidas do Tour de Romandie), o duo da Sky, Geraint Thomas e Sergio Henao (em anos anteriores, Thomas não estaria neste lote de favoritos, mas é dos ciclistas que mais tem aumentado de qualidade e, se não perder muito tempo na etapa rainha, será dos maiores favoritos a vencer; já o colombiano é uma das maiores esperanças da Sky para o futuro em termos de grandes voltas, sendo que tem, nesta corrida, etapas adequadas para o seu perfil de ciclista).

Michal Kwiatkowski, campeão do mundo, será dos ciclistas que mais beneficiará dos contrarrelógios, até mesmo podendo compensar o facto de não ser tão bom trepador como alguns dos ciclistas já mencionados, Domenico Pozzovivo (irá voltar à competição depois da aparatosa queda que teve no Giro d’Itália, sendo que é daqueles ciclistas que merecem sempre uma palavra aquando destas corridas, e o próprio percurso poderá ajudá-lo a conseguir um grande lugar – isto se estiver em boa forma e recuperado – com uma etapa 5 ao seu estilo e um contrarrelógio final que também lhe assenta bem – basta relembrar o CR que fez na Vuelta em 2013), Robert Gesink, Daniel Moreno, Jurgen Van Den Broeck, Warren Barguil, Ion Izagirre, Frank Schleck, o duo da Lampre, Kristijan Durasek e Przemyslaw Niemiec, e a armada colombiana, protagonizada pelo já referido Sergio Henao, Esteban Chaves, Darwin Atapuma, Julian Arredondo e Winner Anacona.

Será uma das últimas grandes provas antes da maior de todas, o Tour de France. Que seja uma boa prova e que proporcione um excelente espetáculo para todos aqueles que irão seguir esta Volta à Suíça!

Foto de capa: Jornal Ciclismo

Nuno Raimundo
Nuno Raimundohttp://www.bolanarede.pt
O Nuno Raimundo é um grande fã de futebol (é adepto do Sporting) e aprecia quase todas as modalidades. No ciclismo, dificilmente perde uma prova do World Tour e o seu ciclista favorito, para além do Rui Costa, é Chris Froome.                                                                                                                                                 O Nuno escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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