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Jogar uma final

João Nuno · 2 min

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Chegas ao pavilhão com o teu saco de treino às costas e confirmas que o pavilhão está diferente. Hoje tudo está diferente. Há uma sensação diferente no ar; tens dificuldade em concentrar-te nas coisas normais. Provavelmente dormiste pouco, ou nada. Tentas mostrar que está tudo na mesma; falas com as pessoas mas não as ouves bem. Sorris mas queres estar sozinho.
Quando entras apercebes-te: tens medo. E entusiasmo. E medo outra vez. Dali a uns minutos o jogo começa. Podes ser campeão. Podes deitar tudo a perder.

Aí são as rotinas que te salvam. Fazer as coisas com as quais te sentes confortável, que fazes em todos os treinos e em todos os jogos. Se tiveres sorte terás companheiros de equipa que vão perceber da mesma forma o momento e vão soltar piadas de circunstância e aliviar a tensão. Mas ninguém vai falar do jogo; nunca ninguém fala. De qualquer forma já não há nada a fazer – ou sabes ou não sabes. Ou te preparaste ou não. Controlas o que podes controlar. Voltas à tua rotina.

Quando vês o adversário a chegar não resistes em olhar. Parecem fortes. Parecem sempre fortes. Tentas mostrar-te forte também, sem medo; sem pressão. Tentas acreditar que eles também o estão a fazer.

Na conversa com o treinador tentas concentrar-te, mas é difícil. Olhas mais para os teus colegas do que para ele. Avalias inconscientemente como eles estão. São poucas as palavras que reténs.

Porque hoje tudo está diferente. É tudo aquilo que querias. Viver este momento. Tudo o que lutaste, treinaste, os sacrifícios que tiveste que fazer foram para viver este momento.

Sentes orgulho. Para estar ali ultrapassaste imensos obstáculos; foste melhor que muitos, melhor que a maior parte. Mas o mais difícil e importante ainda está por atingir. Está mesmo ali à frente.

Por respeito a todos os que queriam estar ali mas não conseguiram. Por todos os que, apesar de incessantemente tentarem, nunca ali estarão. Porque não sabes se voltarás a ter aquela oportunidade. Tens que dar tudo. Do princípio ao fim. Ou matas ou morres. Perder não é opção. Agarrar a taça não é uma ilusão.

É que o jogo daqui a instantes vai começar e estás a jogar uma FINAL.

Artigo revisto por Bárbara Mota

João Nuno

Redação Bola na Rede · ver artigos

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