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Floyd Mayweather vs Conor McGregor II: Não, obrigado

João Pedro Chitas · 3 min

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Cabeçalho modalidadesE se um sonho se transformasse num pesadelo? É precisamente isso que sinto relativamente ao hipotético segundo duelo entre Conor e Floyd. Porque digo isto? Porque gosto de UFC e de artes marciais.

O americano tem tentado chamar a atenção dos media e de Conor. Através das suas redes sociais, Floyd tem provocado o irlandês, que fez questão de não deixar o seu último adversário sem resposta. Paralelamente, também se falou que haveriam negociações entre o pugilista invicto e a organização comandada por Dana White. Fala-se num acordo para dois combates na UFC. Talvez sejam rumores, talvez não. A verdade é que no primeiro confronto, a especulação também foi determinante para a concretização e sucesso do evento.

Sinceramente, eu pensava que já tínhamos superado a fase dos duelos de aberrações que marcaram os primórdios da UFC e eventos como o torneio japonês K-1. Aberrações talvez seja uma expressão demasiado violenta para definir o arranque da organização UFC. Na verdade, tratava-se de colocar frente a frente atletas de modalidades distintas com o intuito de identificar a arte marcial mais eficaz e superior. Nas primeiras edições, Royce Gracie provou ao mundo que o jiu-jitsu brasileiro era um must have para qualquer atleta de artes marciais mistas. Desde então, todos os praticantes de MMA trabalham a vertente de luta no chão.

Royce Gracie frente a Gerard Gordeau na UFC 1 Fonte: Youtube
Royce Gracie frente a Gerard Gordeau na UFC 1
Fonte: Youtube

Mas o que Conor e Floyd estão na iminência de fazer é diferente. Não se trata, a meu ver, de encontrar a arte marcial superior, o melhor atleta ou o homem mais duro. A meu ver, trata-se de estupidificar um desporto, ganhando adicionalmente alguns milhões de dólares. Legítimo, mas igualmente criticável.

Podem achar que sou muito conservador, mas continuo a preferir duelos entre “iguais”. Creio que se está a abrir a porta para um infeliz regresso ao passado. Se me perguntassem se queria assistir a um duelo entre Ali e Tyson, a resposta seria obviamente que sim. Gostava de ver dois atletas preparados, com estilos diferentes, que conhecem o desporto, que estudaram a sua modalidade durante anos a fio (Mike Tyson que assistia com o seu mestre Cus D´amato a combates de alguns dos mais lendários pugilistas da história) e que aprimoraram micromovimentos durante longas e penosas sessões de treino. Gosto de assistir a um duelo entre especialistas na mesma área que apresentam argumentos diferentes.  As diferenças não têm de ser completamente antagónicas para suscitarem o interesse (pelo menos o meu). Na MMA é quase certo que cada atleta terá as suas forças e fraquezas, sendo que essas fraquezas são trabalhadas regularmente. Quando falo em fraquezas não me refiro a uma completa inaptidão.

O que esperam verdadeiramente que aconteça num combate de MMA entre Conor e Floyd? Floyd não tem a dinâmica corporal de Conor, não sabe o que fazer no chão e provavelmente nunca desferiu uma joelhada em ninguém. Pode ser divertido durante os 20 segundos de duração do combate, mas não faz sentido matar uma lenda.

E se acham que a competitividade do último combate se pode repetir, desenganem-se. Na UFC, o árbitro não poderá interromper o combate porque Conor projetou Floyd e o obrigou a desistir com um mata leão ao estilo de Nate Diaz. Mayweather não é o primeiro pugilista profissional a tentar a sua sorte na UFC. James Toney, o antigo campeão de boxe em cinco categorias de peso diferentes também teve essa ousadia e como resultado não resistiu a um assalto com o lendário Randy Couture.

Por isso, obrigado mas não.

Foto de Capa: Dailydot

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Pedro Chitas

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