UFC 192: A legitimidade do reinado de Cormier

- Advertisement -

cabeçalho ufc

Daniel Cormier é o campeão de peso Meio-Pesado da UFC. É um facto inabalável, tenha-se ou não Jon Jones dentro da equação. A primeira defesa de título do antigo wrestler americano foi uma verdadeira guerra. Tanto ele como Gustafsson calaram as bocas do mundo com o que fizeram dentro do octógono. Calaram as que não viam Cormier como verdadeiro campeão e as que não viam Gustafsson como um verdadeiro desafio, provando que dentro do Octógono não há lugar para especulações e teorias.

A verdade é que o combate poderia ter ido para qualquer lado. Gustafsson perdeu no papel, mas a derrota por decisão dividida deve servir como motor para chegar de novo ao topo e fazer com que a balança penda para o seu lado. A qualidade do sueco foi capaz de extrair o melhor de Cormier, como já tinha feito com Jones. Parece que a única coisa que lhe falta é um bocadinho extra de audácia e a sorte que vem com esta.

Cormier, por sua vez, teve uma das melhores prestações da sua carreira. Entrou fortíssimo na primeira ronda, com uma projecção fantástica. Durante a grande maioria do encontro manteve o sueco no chão e sob pressão elevada, algo recorrente nos seus combates. Quando Gustafsson conseguiu recuperar a postura em pé optou por manter a distância via jabs e pontapés ao corpo, algo lógico tendo em conta a vantagem de envergadura face a Cormier.

A segunda e terceira rondas foram, a meu ver, de Gustafsson. Nestas derrubou Cormier por duas vezes e mostrou bastante superioridade no que toca a striking. Chegou mesmo a abalar o americano, momentaneamente, com um joelho e uma esquerda. Faltou-lhe o instinto matador, visto que Cormier rapidamente se recompôs.

UFC 192
Eis um dos uppercuts de Cormier (à esq.), após Gustafsson ter ido para o clinch.
Fonte: UFC.com

O problema para o sueco veio nas rondas seguintes. A pressão de Cormier fez-se sentir, e o sueco acusou o desgaste e falta de capacidade de entender os momentos do combate, envolvendo-se demasiadas vezes no clinch, ao invés de controlar as distâncias. Cormier, em cada clinch, desferia múltiplos uppercuts que acabaram por ser vitais na hora da decisão. Caso Gustafsson tivesse seguido o plano lógico teria, acredito eu, vencido o combate.

Isto, no entanto, não retira mérito nenhum a Cormier, que se foi adaptando inteligentemente a todas as fases do combate. Acho fascinante como o campeão é capaz de encurtar as distâncias contra adversários incrivelmente maiores, voltando a referir a facilidade com que os projeta. Coisas de melhor do mundo, que o é. Jon Jones não está por perto para dizer o contrário…

No co-evento principal, Ryan Bader venceu Rashad Evans com relativa facilidade, via decisão unânime. Mostrou-se bastante criativo no departamento do striking, diversificando as suas sequências e deixando Evans sem saber o que esperar. Este acabou por se frustrar com o decorrer do combate, procurando acertar com a mão direita sem grande critério por várias vezes. Vimos um Evans bastante longe daquilo a que nos habituou ao longo da sua carreira, muito devido à ausência de dois anos do desporto. Acredito que, em alta rotação, “Suga” teria tido uma resposta diferente. De resto, pouco mais a dizer de um combate que foi bastante unidirecional.

Bader soma a sua quinta vitória seguida e segue, muito provavelmente, para uma luta pelo título contra Cormier. Não vejo em Bader um adversário difícil para Cormier. Apesar de ser relativamente completo, não há nenhuma área em que “Darth” seja excepcional. Este combate mostrou que está em ascendente, nomeadamente no que toca ao jogo de pé, mas é-me impossível crer em alguém que nunca vence de forma espetacular e cujas últimas cinco vitórias vieram por decisão.

Ryan Bader (à dir.) vence... Mas não convence. Cormier parece estar léguas acima. Fonte: UFC.com
Ryan Bader (à dir.) vence… Mas não convence. Cormier parece estar léguas acima.
Fonte: UFC.com

Se, por ventura, Bader vencer Cormier num eventual combate, atrevo-me a dizer que será de forma totalmente inesperada e, muito provavelmente, chocante. Lembram-se da vitória de Matt Serra contra Georges St. Pierre? Esse tipo de inesperado e chocante. Cormier é o rei da divisão e, com vitórias contra Gustafsson e Anthony Johnson, até Dana White deve pensar que é ilógico dar uma oportunidade a Bader quando o seu maior feito dentro do octógono é, precisamente, esta vitória contra Evans, cuja história anterior à luta já sabemos. Ainda mais com Jon Jones prestes a regressar… Esse é o combate a marcar, um digno de levar com o título de “Combate do Século”. Esperemos que aconteça.

Nos restantes combates: Ruslan Magomedov venceu Shawn Jordan, Joseph Benavidez venceu Ali Bagautinov, e Julianna Pena venceu Jessica Eye. Todos os combates foram a decisão.

P.S – A estreia do lutador de 19 anos Sage Northcutt, no undercard deste evento, foi algo de (muito) impressionante, e só pode ser plenamente apreciado se for visto. Em todos os seus combates mostrou grande fisicalidade e um domínio técnico (o seu Karaté é algo espantoso) bastante acima da média. A vitória contra Francisco Trevino foi um autêntico grito de afirmação. Por esta altura o seu “hype train” já circula e eu sou um dos passageiros. Esperem grandes coisas dele.

Gonçalo Caseiro
Gonçalo Caseirohttp://www.bolanarede.pt
Entusiasta de MMA e futebol, o Gonçalo apoia fervorosamente o Benfica e a ideia de que desportos de combate não são apenas socos e pontapés.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Mikel Arteta elogia Viktor Gyokeres: «Está a mostrar consistência todos os dias»

Mikel Arteta deixou elogios a Viktor Gyokeres. O avançado sueco marcou dois golos na vitória do Arsenal frente ao Sunderland por 3-0.

Girona é forçado a contratar 4.º guarda-redes e opta por Ruben Blanco

Com a saída de Dominik Livakovic e a lesão imediata de Marc-André ter Stegen, o Girona optou por Rubén Blanco para completar o plantel de Míchel.

Dro Fernández não quis aproveitar: Hansi Flick estreou mais um jovem no Barcelona

Hansi Flick guiou o Barcelona a uma vitória por 3-0 contra o Mallorca. Tomás Marqués foi suplente utilizado pelos catalães.

Ruben Amorim tinha razão? Os números do grande alvo do luso para reforçar o Manchester United

Ollie Watkins era o grande desejo de Ruben Amorim para reforçar o Manchester United. A equipa comprou Benjamin Sesko.

PUB

Mais Artigos Populares

Cristiano Ronaldo arrasado: «Este país chama-se Arábia Saudita, não Arábia de Ronaldo»

Cristiano Ronaldo rejeitou atuar nas duas últimas partidas do Al Nassr, encontrando-se em conflito com a Arábia Saudita.

Agostinho Bento furioso com a arbitragem:«Só querem saber de Benfica, FC Porto e Sporting, para o resto estão-se a c…!»

O treinador do Felgueiras, Agostinho Bento, mostrou-se visivelmente irritado e emocionado com arbitragem na derrota contra o Lusitânia Lourosa.

Estreia de sonho: Héctor Hernández dá a vitória ao Gil Vicente nos minutos finais diante do Moreirense

O Moreirense recebeu o Gil Vicente num encontro relativo à 21.ª jornada da Primeira Liga. Os gilistas venceram por 3-1 com dois golos nos instantes finais.