

Las Vegas recebeu o UFC 326 e viu Charles “do Bronx” dominar de maneira inigualável Max Holloway.
Charles Oliveira x Max Holloway
Na minha antevisão deixei claro que o caminho de menor resistência para a vitória de Charles Oliveira teria de passar pelo grappling, visto que estamos a falar de uns melhores jiu-jitsus que a organização já viu.
Mas achava que o brasileiro iria comprometer o caminho mais fácil e jogar o jogo do havaino, lutando em pé, numa guerra que ficaria para a história, até que algum socumbisse. Isto baseado nas declarações pré luta, onde o Charles assumiu que iria aceitar o convite para o centro do octógono, e onde deixou implícito que iria testar o stricking.
Só que nada preparou os fãs em Vegas para o domínio que viram, Oliveira logo no primeiro round, após dois leg kicks pesados e uma pequena troca em pé, conseguiu o body lock e quedou Holloway com uma facilidade que parecia que estava a lutar com uma criança.
No chão, Charles tentou progredir para finalizações o tempo todo, conseguindo a posição nas costas e fazendo pressão com o que tinha para abrir o pescoço do adversário para o mata-leão, mas Max conseguiu sobreviver.
Os restantes rounds seguiram o mesmo caminho, mas a partir do segundo o brasileiro começou a introduzir chutes com a ponta do pé na linha de cintura, para empurrar o havaino junto à grade e conseguir mais facilmente a queda.
Era clara a diferença técnica e física entre os dois, Holloway resumia-se a tentar impedir que Charles conseguisse finalizá-lo, sem resposta para reverter as posições.
Mesmo quando caiu por cima, numa queda pouco ortodoxa do brasileiro, não arranjou nada no chão e acabou por ser dominado a ceder a vantagem no controlo.
É de realçar que mesmo em pé, nas poucas interações que existiram, Oliveira levou a melhor, Holloway circulava e aplica combinações de três, quatros jabs e diretos, mas era o brasileiro que o abanava cada vez que conectava.
Era possível ouvir assobios durante a luta, porque os fãs não esperavam uma luta que se passasse no chão, mas como falei na antevisão também, o grappling de Charles não é aborrecido, porque existia sempre a busca por uma finalização, e cotoveladas potentes quando as aberturas não existiam.
Foi um 5-0 que não deixou margem para dúvidas e tivemos a coroação de um novo campeão.
O cinturão BMF encontra-se numa situação um pouco peculiar, e acredito que estaria assim independentemente do vencedor, visto que após Charles ou Holloway, não existe mais ninguém que pudesse tornar o título interessante. Mesmo Dan Hooker ou RDS não têm o “star power” para colocar espectadores na Paramount+.
Acredito que o futuro terá de passar por colocar Charles Oliveira contra Conor McGregor e esperar que entretanto surjam novos nomes para manter este cinturão ativo, ou inevitavelmente será descontinuado.
Nota Performance: 10/10
Caio Borralho x Renier de Ridder
Na antevisão mencionei que esta luta seria equilibrada, e não necessariamente por fatores técnicos ou um choque de estilos, mas porque poderia cair para qualquer lado.
Foi uma luta morna, embora Caio tenha começado melhor, mas ficou claro que de Ridder levava a melhor nas trocas de força no grappling.
O brasileiro apresentou-se no jogo com uma guarda baixa e no contra-ataque, mas foi perdendo a stamina e tornando-se mais estacionário à passagem dos rounds.
Os jurados pontuaram 3-0 a favor do brasileiro, mas a meu ver não foi algo tão dominante como o resultado demonstra.
Nota Performance: 6/10
O evento contou ainda com o anúncio do card da Casa Branca, que contará com a luta entre Ilia Topuria e Justin Gaethje pelo cinturão dos penas e Alex Poatan x Cyril Gane pelo cinturão interino dos pesos-pesados.
Nota do Evento: 6/10

