Os 5 pecados da Attitude Era | WWE

- Advertisement -
modalidades cabeçalho

Nasci durante a Attitude Era, comecei a ver wrestling em 2010 e só depois é que a descobri e soube do seu significado. Um dia, o meu pai ofereceu-me um conjunto de três DVD, produzido pela WWE, a recordar os principais momentos daquela era.

O meu entusiasmo inicial desvaneceu-se à medida que percebi que a Attitude Era (no geral) não era feita de grandes combates, mas sim de personagens carismáticas e de momentos icónicos. A verdade é que isso resultou no período mais popular de sempre da WWE.

Ainda assim, a Attitude Era, com toda a sua glória, importância e momentos memoráveis que proporcionou, é, para mim sobrevalorizada. Muitos dos seus pontos negativos são varridos para debaixo do tapete.

Assim, para fugir da exaltação habitual desta era, vou recordar os principais pecados cometidos pela WWE durante a mesma.

5. DIVISÃO FEMININA

Durante décadas o wrestling feminino foi ridicularizado pela WWE, especialmente durante a Attitude Era, quando o WWE Women’s Championship foi maltratado de uma forma que hoje seria inconcebível.

Eis algumas pessoas que venceram o WWE Women’s Championship durante a Attitude Era, e a forma como o fizeram.

Debra, antiga companheira de Jeff Jarrett, sem experiência de lutadora, ganhou o título num “Evening Gown Match”, depois da ex-campeã Sable (também sem atributos de ringue) lhe ter tirado o vestido.

The Kat ganhou o título da mesma maneira. Após a vitória, como detalha o site da WWE: “The Kat deixou que as suas emoções levassem a melhor depois do combate, quando deixou cair o seu top, para delírio da maioria dos fãs masculinos em todo o lado”…

E ainda Fabulous Moolah, que aos 76 anos (!) tirou o título a Ivory – a lutadora mais subvalorizada de sempre – num combate horrível.

E para terminar em beleza, o WWE Women’s Championship também foi ganho por… Harvey Wippleman. Que, para quem não conhece, é um homem…

4. POUCO WRESTLING

Os personagens eram o ganha-pão da Attitude Era. Todos nós os conhecemos e certamente revemos promos icónicas dessa altura. O foco era claramente a história contada por eles, o que muitas vezes deixava o combate para segundo plano.

Vince Russo afirmava que a sua “fórmula de sucesso” era a chamada “crash-TV”: foco nas entradas, na música, nas personagens, nas entrevistas, e combates com a duração de cinco a oito minutos.

Por isso é que, quando se fala dos melhores combates de sempre, poucos vêm da Attitude Era. Claro, há a rivalidade Austin vs The Rock, os combates TLC e algumas boas rivalidades de mid-card, mas fora disso, pouco mais.

Era uma programação que, na minha opinião, acabava por ser frustrante no sentido de ser mais uma novela do que um programa de wrestling. E muitas vezes mentiam aos fãs, promovendo combates que nunca aconteciam, como este exemplo entre Steve Austin e Mr. McMahon.

3. BRAWL FOR ALL

Há poucos dias, Shayna Baszler e Ronda Rousey enfrentaram-se num MMA Rules Match, que não foi nem um combate de wrestling nem de MMA – ficou numa indefinição entre os dois.

Ora no Brall For All não houve indefinição. A WWE fez um torneio de boxe legítimo, sem nenhum resultado pré-combinado, com lutadores pouco utilizados.

Assim, a WWE disse que os combates que normalmente apresentava eram falsos, e que isto é que era “a sério”. Não sei quem é que pensou que combates de boxe entre homens que nunca tinham treinado esse desporto seria uma boa ideia (por acaso, até se sabe, foi Vince Russo).

No primeiro combate (Steve Blackman vs Marc Mero), o público gritou “We Want Wrestling”, mas o torneio foi até ao fim e resultou nas lesões de vários lutadores, como Steve Williams, Steve Blackman ou Dan Severn.

O vencedor foi Bart Gunn e a WWE não fez NADA com ele. Ficou meses sem aparecer nos programas, até que na Wrestlemania XV perdeu um combate de boxe com Butterbean – alguém com experiência no desporto.

Resumindo, a WWE desvalorizou o seu próprio produto, gastou dinheiro em excesso com despesas médicas, lutadores ficaram lesionados e não houve nada feito com o vencedor do torneio.

Quem é que ainda acha que isto foi uma boa ideia (provavelmente o Vince Russo)?

2. A INVASÃO DA WCW

Em 2001, a WWE comprou a sua maior empresa rival, a WCW. Muita expectativa foi criada para uma storyline de invasão da WCW à WWE.

O problema é que muitas das estrelas da WCW tinham contratos com a Time Warner com dinheiro garantido – podiam ficar em casa sem fazer nada e receberem o seu salário. A WWE, em vez de esperar que esses contratos acabassem, precipitou-se e fez a história da Invasão sem nomes como a nWo, Sting, Goldberg, ou Ric Flair.

Assim, para competir com a WWE, o lado da WCW só tinha dois grandes nomes que realmente haviam estado na empresa – Booker T e DDP. Pior que isso, na história, a WCW era liderada por… Shane McMahon, Stephanie McMahon – que nada tinham a ver com a empresa – e o heel “Stone Cold” Steve Austin – que havia sido despedido da mesma. Já a WWE era liderada por um babyface Mr. McMahon.

A história ainda gerou muito dinheiro, mas foi um fracasso tendo em conta aquilo que poderia ter sido. Não fazia sentido termos Austin como heel e McMahon como face. Este erro deu a entender que a Attitude Era caminhava para o seu final.

1.HISTÓRIAS SIMPLESMENTE… HORRÍVEIS

Ao redor do virar do século, o mundo era diferente. Por isso, um lutador (Ron Simmons) podia dizer que não queria lutar com um homossexual (Goldust) e as pessoas não se importavam.

Podia haver histórias de abuso de mulheres, como quando Mr. McMahon obrigou Trish Stratus a despir-se até à sua roupa interior e a ladrar para o microfone. (Esta história foi tão criticada que quando Linda McMahon se candidatou ao Senado norte-americano em 2010, os seus adversários utilizaram-na para criticarem a forma como a sua família fazia dinheiro. Linda não foi eleita).

Um homem (Mark Henry) podia admitir ser um viciado em sexo, perseguir mulheres e acabar por engravidar uma septuagenária (Mae Young – que, pelo menos, consentiu). O mesmo Mark Henry podia ser humilhado por Triple H pela forma como andava.

Houve também história de violência animal, invasão de funerais, sacrifícios, etc.

Quando revivemos episódios do Monday Night Raw do final dos anos 90, histórias destas eram comuns e nunca poderiam ser contadas nos dias de hoje (e ainda bem).

Infelizmente, acaba por ser uma das marcas que a Attitude Era deixou.

Afonso Viana Santos
Afonso Viana Santoshttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto faz parte da sua vida. Adora as táticas envolvidas no futebol europeu e americano e também é apaixonado por wrestling.

Subscreve!

Artigos Populares

Noite de reencontros: 3 jogadores do Estrela da Amadora já passaram pelo Sporting

Diogo Pinto, Renan Ribeiro e Jovane Cabral, todos do Estrela da Amadora, vão reencontrar o Sporting. Duelo da jornada 29 da Primeira Liga.

Há novidades quanto à lesão de Martim Fernandes no FC Porto

Martim Fernandes falhará o Estoril Praia x FC Porto e não deverá estar também disponível para o Nottingham Forest x FC Porto. Defesa a contas com lesão.

Manchester United reacende interesse por destaque da Bundesliga

O Manchester United continua a observar Angelo Stiller e pondera avançar para a sua contratação no mercado de verão.

UFC 327: Quem será o padrasto?

Jiri Prochazka e Carlos Ulberg lutam pelo cinturão dos pesos meio-pesados do UFC, mas fica a sensação que não são os verdadeiros donos

PUB

Mais Artigos Populares

Imprensa francesa aponta 2 pretendentes em França a Gonçalo Oliveira: eis os números e a situação do defesa do Benfica

Gonçalo Oliveira tem interessados na Ligue 1. Imprensa francesa aponta central do Benfica ao Lens e ao Estrasburgo.

A condição que pode impedir o Tottenham de contratar jogador do Liverpool

O Tottenham é o principal favorito a contratar Andy Robertson no mercado de verão. Há ainda assim condição que pode impedir avanço.

Roberto De Zerbi convence jogadores do Tottenham: imprensa inglesa garante que plantel o vê superior a Ange Postecoglou, Thomas Frank e Igor Tudor juntos

Roberto De Zerbi conseguiu convencer os jogadores do Tottenham. Ambiente no treino melhorou e o plantel está com o treinador.