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As craques, as jovens estrelas e as desilusões | Biatlo

Miguel Monteiro · 5 min

Biatlo
Foto: Biathlonworld

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O mais recente Campeonato do Mundo de Biatlo, realizado em Oberhof (Alemanha), terminou no último domingo, dia 19 de fevereiro. O Campeonato do Mundo de Biatlo de 2023, competição para a qual dezenas de atletas se vinham preparando desde a pré-época e para a qual a grande maioria dos atletas apontaram as suas baterias, foi o ponto alto da temporada até ao momento. Oberhof acolheu doze provas distintas, repartidas por nove dias de competição, e pôde contar com a presença de centenas de biatletas, que contribuíram para superioridades inigualáveis, desilusões inconsoláveis e voltas e reviravoltas com emoções até aos últimos instantes. Serve este artigo para analisar o desempenho das mulheres nesta competição.

AS BIATLETAS EM DESTAQUE

HANNA OEBERG (SUÉCIA)

A sueca de 27 anos de idade iniciou bem a sua temporada na Taça do Mundo, com uma vitória em Kontiolahti; todavia, desde aí, foi notada a sua ausência no pódio em provas individuais, escasseando a quantidade de resultados dignos de registo. Eis que, contrariando as expectativas, calculou de forma perfeita o seu pico de forma para o Campeonato do Mundo de Biatlo. Hanna Oeberg só desiludiu na prova de perseguição, tendo os seus 5 alvos falhados determinado uma colocação fora do top 10; de resto, arrecadou uma medalha de prata no sprint, tendo ficado a uma distância mínima de 2 segundos da vencedora da prova; venceu a prova individual (com apenas um tiro falhado); conquistou de forma heroica a derradeira prova, a partida em massa, não sucumbindo à intensa pressão dos adversários; e somou ainda uma medalha de bronze nas estafetas mistas aos sucessos individuais. A biatleta sueca voltou a mostrar neste Campeonato do Mundo que é capaz de, em dias bons, ser quase imaculada nos disparos e que, mesmo quando tem pequenos erros na carreira de tiro, consegue com que estes sejam esquecidos com a sua rapidez sobre os esquis.

DENISE HERRMANN-WICK (ALEMANHA)

A experiente alemã, a competir em “casa”, desejava que as suas exibições no Campeonato do Mundo fossem um motivo de alegria para os seus compatriotas. Denise Herrmann-Wick não se mostrou a um nível superlativo sempre, mas, quando isso aconteceu, sagrou-se campeã do mundo de sprint por dois segundos; vice-campeã do mundo de perseguição; e vice-campeã do mundo nas estafetas femininas. A atual líder de sprint da Taça do Mundo confirmou as suas credenciais e serviu-se da sua rapidez a esquiar (sendo talvez a atleta de topo mais veloz do circuito) para ser coroada como a campeã do mundo desta disciplina também, como já foi referido.

JULIA SIMON (FRANÇA)

A atual líder da Taça do Mundo é a grande afirmação da temporada e iniciava a sua estada na Alemanha como a principal favorita a múltiplos títulos. Julia Simon acabou por não ser a principal figura do lado das senhoras, mas não saiu de mãos a abanar (muito pelo contrário). A francesa natural de Albertville obteve uma medalha de bronze nas estafetas mistas; foi terceira na prova de partida em massa; e tornou-se a nova campeã do mundo de perseguição, ascendendo do décimo lugar ao primeiro posto, recuperando mais de um minuto de desvantagem para a líder da prova de sprint e triunfando com quase 30 segundos de vantagem. O segredo da francesa para ter tido êxito no Campeonato do Mundo foi o mesmo do costume: combatividade pura.

LISA VITTOZZI (ITÁLIA)

A talentosa transalpina tem vindo a regressar aos seus bons tempos esta temporada na Taça do Mundo e no Campeonato do Mundo voltou a mostrar que é uma das mais completas atletas do circuito profissional. Lisa Vittozzi conquistou a medalha de bronze na prova individual; foi a biatleta em evidência nas duas provas de estafetas mistas, tendo obtido uma medalha de bronze e uma medalha de prata; e demonstrou nervos de aço para se superiorizar a Denise Herrmann-Wick e, com duas sequências na carreira de tiro imaculadas, levar a Itália ao ouro nas estafetas femininas. Ainda que tenha sido impossibilitada de competir em todas as provas, pelo facto de ter estado doente durante o Campeonato do Mundo, deu tudo o que tinha nas provas que disputou e, dificilmente, poderia ser obrigada a mais.

LINN PERSSON (SUÉCIA)

A muito regular biatleta sueca decidiu subir o seu nível de desempenho neste Campeonato do Mundo e, não tivesse sido uma super Hanna Oeberg, estaríamos a falar da figura feminina da Suécia em Oberhof. Linn Persson foi crucial, com uma abertura de prova razoavelmente boa, para que a Suécia acabasse no degrau mais baixo do pódio nas estafetas femininas; conseguiu o bronze também na prova de sprint, sem falhas nos disparos; e, com uma prova também sem erros na carreira de tiro, sagrou-se vice-campeã do mundo da prova individual. Tem agora a biatleta sueca o que precisa para encarar com confiança a reta final da Taça do Mundo de Biatlo e tentar triunfar a nível individual até ao final de março.

A MELHOR SUB-25

SAMUELA COMOLA (ITÁLIA)

A biatleta italiana de 25 anos de idade foi “a jovem do momento” no Campeonato do Mundo de 2023. A verdade é que demorou para a italiana “aquecer o motor” em Oberhof, com resultados nas provas de sprint e de perseguição aquém das expectativas; todavia, o melhor ainda estava para vir. Samuela Comola mostrou uma perícia inolvidável na carreira de tiro e mostrou que, se melhorar sobre os esquis, pode ser uma das craques do futuro no circuito profissional: nas estafetas femininas, na partida em massa e na prova individual totalizou 0 tiros não certeiros, inacreditavelmente, tendo sido indispensável o seu desempenho para se tornar campeã do mundo com as suas compatriotas nas estafetas femininas; e tendo finalizado na quarta e na décima posição na prova individual e na partida em massa, respetivamente.

A DESILUSÃO

ELVIRA OEBERG (SUÉCIA)

A mais nova das irmãs Oeberg já nos habituou a espetaculares exibições, dignas de “veteranos calejados”, embora seja ainda uma atleta sub-25, mas neste Campeonato Mundial teve o seu brilho totalmente ofuscado por fracos desempenhos pessoais e pelas performances superlativas da sua irmã Hanna e pela sua colega de seleção Linn Persson. Elvira Oeberg, a atual número 2 da Taça do Mundo, finalizou a prova de sprint fora do top 10 e, por motivos de saúde, ficou impossibilitada de competir nas restantes provas individuais. Para fazer esquecer ligeiramente o desaire competitivo pessoal, conseguiu, em conjunto com as suas compatriotas, obter uma medalha de bronze nas estafetas femininas. É agora hora de esquecer este período menos positivo e de se focar na disputa pela classificação geral da Taça do Mundo de 2022/2023!

Miguel Monteiro

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