Biatlo: Os cinco destaques do Campeonatos do Mundo

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O Campeonato do Mundo de Biatlo de 2024 disputou-se entre os dias 7 e 18 de fevereiro em Nove Mesto na Morave, uma cidade checa a aproximadamente duas horas de carro da capital, Praga.

Os principais biatletas da atualidade interromperam por um período breve a disputa das competições da Taça do Mundo e deslocaram-se até à Chéquia, onde se discutiram 12 provas e onde estiveram em jogo 36 medalhas. O “cardápio” incluiu: as estafetas mistas e as estafetas individuais mistas; as estafetas masculinas e as femininas; e as provas masculinas e femininas de sprint, perseguição, individual e partida em massa.

Nove Mesto, durante pouco mais de dez dias, foi palco de domínios avassaladores, emoções fortes e surpresas inacreditáveis, situações às quais será dado especial destaque neste artigo.

Johannes Thingnes Boe, quem mais!?

O líder da ferocíssima equipa norueguesa continua a ser a principal coqueluche do Biatlo mundial, no que aos competidores do sexo masculino diz respeito. Atual líder da classificação geral da Taça do Mundo, chegava a Nove Mesto sem a superioridade com que chegara ao Campeonato do Mundo do ano anterior, em Oberhof, mas com legítimas aspirações a repetir os êxitos de 2023, quando alcançou cinco medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. No final de contas, Johannes Thingnes Boe é um dos melhores da História do Biatlo e voltou a prová-lo.

Nas provas individuais em que competiu, a superestrela norueguesa foi primeiro na perseguição, na partida em massa e na prova individual e foi segundo na prova de sprint. Em termos coletivos, não teve tanto sucesso, mas mesmo assim, nem prestações menos boas da parte dele nem desastres completos dos colegas de equipa o impediram de pisar o pódio, duas vezes no segundo lugar e outra no terceiro.

Johannes Thingnes Boe, com três medalhas de ouro, três medalhas de prata e uma medalha de bronze, voltou a figurar no Olimpo do Biatlo, demonstrando que continua a ser um dos mais velozes do circuito sobre os esquis e um dos mais exímios atiradores.

Julia Simon a liderar uma equipa francesa feminina absolutamente letal

A vencedora da Taça do Mundo de Biatlo 2022/2023, Julia Simon, esteve um pouco mais desencontrada das vitórias nesta temporada até ao Campeonato do Mundo, mas não quis deixar margem para dúvidas na Chéquia. A francesa participou em seis provas e apenas numa delas não saiu medalhada.

Julia Simon surpreendeu tudo e todos com a sua capacidade de disparar a uma velocidade supersónica sem quase ter erros na carreira de tiro, o que, em termos individuais, lhe valeu medalhas de ouro no sprint e na perseguição e uma medalha de bronze na prova individual. Coletivamente, nas duas provas em que participou, conquistou as medalhas de ouro nas estafetas femininas e nas estafetas mistas.

Todavia, na equipa francesa feminina, não foi só Julia Simon que brilhou. Justine Braisaz-Bouchet, de forma imaculada, venceu a prova de partida em massa e arrecadou as medalhas de prata e de bronze no sprint e na perseguição, respetivamente.  Lou Jeanmonnot também atingiu o terceiro lugar no sprint e na partida em massa; e venceu, na companhia de Quentin Fillon-Maillet, as estafetas individuais mistas.

No total, a equipa francesa feminina de Biatlo venceu seis das sete das provas nas quais as suas atletas participaram e, naquela que não venceu, conseguiu colocar uma das suas estrelas no lugar mais baixo do pódio, Julia Simon.

A reviravolta inacreditável das estafetas masculinas

À partida para as estafetas mistas, os grandes favoritos eram, por larga margem, os noruegueses. Encabeçados por Johannes Thingnes Boe, a equipa era ainda composta: pelo seu irmão Tarjei Boe; pelo  vencedor do sprint, Sturla Holm Laegreid; e pelo consistente Vetle Christiansen. Este era um quarteto já com provas dadas nos grandes palcos e com inúmeros pódios e vitórias no seu palmarés.

Após um segundo e terceiro percursos superiores aos rivais dos irmãos Boe, cabia a Vetle Christiansen fechar a prova na primeira posição com segurança, dispondo de uma larga vantagem, algo que, em primeira instância, parecia bem encaminhado após uma sequência totalmente certeira na posição de tiro deitado. Porém, quando já nada o fazia prever, com uma vantagem de quase um minuto sobre os rivais suecos e franceses, Christiansen, falhou 6 tiros de pé e deixou-se ultrapassar pelo reanimado sueco Sebastian Samuelsson, que garantiu a glória coletiva da Suécia; que terminou à frente da Noruega, do infeliz Vetle Christiansen; e da França, cujo pódio foi garantido pelo herói dos Jogos Olímpicos de Pequim, Quentin Fillon-Maillet.

Lisa Vitozzi estava destinada a impedir o pleno das mulheres francesas

A atual terceira classificada da Taça do Mundo chegava à República Checa como uma das melhores atiradoras do circuito e como uma das biatletas sobre as         quais teria de haver vigilância constante, tendo em conta a sua consistência e a sua capacidade de se superar nos momentos decisivos, que mais uma vez foi provada.

Após ter conquistado a medalha de prata na perseguição, com apenas um erro, Lisa Vitozzi foi atrás do mínimo prejuízo e, de forma perfeita, venceu a prova individual com 20 tiros certeiros. Terminou ainda na segunda posição a partida em massa e no segundo posto igualmente as estafetas individuais mistas, competindo ao lado de Tommaso Giacomel.

Andrejs Rastorgujevs, a surpresa do último dia

No último dia de provas em Nove Mesto na Morave, o veterano letão, com apenas três pódios na Taça do Mundo na carreira, surpreendeu tudo e todos ao conquistar a medalha de prata na partida em massa.

Aquando do início da última sequência na carreira de tiro, Andrejs Rastorgujevs encontrava-se a realizar uma prova surpreendente, sem quaisquer disparos falhados, algo que não se alterou aí, terminando o letão como um dos dois únicos atletas a não errar qualquer dos 20 disparos feitos. Esta série levou-o à glória, acabando no segundo lugar, “ensanduichado” por dois grandes campeões, Johannes Thingnes Boe e Quentin Fillon-Maillet.

Miguel Monteiro
Miguel Monteirohttp://www.bolanarede.pt
O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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