Diriyah E-Prix 1: Holofotes apontados a de Vries, DS Techeetah ainda na escuridão

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A CRÓNICA: UM MERCEDES NA FRENTE, QUEM… DIRIYAH!

Depois de uns testes de pré-época inconclusivos, em que várias equipas se mostraram competitivas, a Fórmula E arrancou hoje “a contar” para a sua sétima época na Arábia Saudita, no traçado de Diriyah. Nyck de Vries, que já tinha sido o piloto mais rápido nas duas sessões de treinos livres, dominou a sessão de qualificação e garantiu a Super Pole, mais de seis décimos de segundo à frente de Pascal Wehrlein (Porsche).

Vantagem Mercedes, então, para a partida, que acabou por ser decisiva ao confirmar a liderança do piloto holandês após a primeira curva. O trio da frente composto por de Vries, Wehrlein e René Rast (Team Abt) cedo descolou do restante grupo, criando uma vantagem que acabou por durar a maior parte da corrida. Edoardo Mortara (Venturi) conseguiu mais tarde tornar o trio num quarteto, aplicando pelo caminho uma das já candidatas a “ultrapassagem da época” e onde fez “dois em um” sobre Mitch Evans (Jaguar) e Wehrlein.

Ao virar do segundo terço da corrida, Evans, Rast e de Vries viram um dos seus attack modes efectivamente invalidado pela activação do Safety Car, consequência de um contacto forte de Maxi Günther (BMW) com o muro e que o deixou fora da corrida. Ainda assim os três pilotos, juntamente com Mortara que, entretanto, subira ao 2.º lugar, conseguiram manter-se na frente até final. Em nenhum momento de Vries viu a sua liderança fortemente ameaçada, acabando por conseguir a sua primeira vitória na FE ao fim dos 45 minutos.

Para o final da corrida ficaram ainda reservados attack modes, fan boosts e bateria acumulada durante os Safety Cars, e foi nesta altura que Stoffel Vandoorne conseguiu a volta mais rápida da corrida, acumulando um ponto extra para si e para a Mercedes. Ainda assim, o final de corrida de “alta voltagem” não trouxe grandes alterações à classificação final, não obstante uma menção honrosa ser devida a Oliver Turvey (10.º), por conseguir pontuar no pouco competitivo monolugar da NIO 333. Já em cima da linha de meta, Sébastien Buemi (DAMS) pareceu ficar completamente sem bateria, o que originou um incidente entre o piloto suíço e vários outros pilotos que vinham em perseguição imediata, ainda que sem consequências de maior.

Munido de um capacete fluorescente especialmente concebido para a primeira corrida nocturna na história da FE, o campeão António Félix da Costa (DS Techeetah) acabou por ter um começo de época desapontante. Depois de ter afirmado, após os treinos livres de ontem, que a pista estava “rápida, divertida e [propensa a] uma corrida de ataque”, o piloto luso teve dificuldades com o timing de entrada em pista na qualificação e não foi além do 18.º posto na grelha, partindo apenas à frente do colega de equipa Jean-Éric Vergne e cinco outros pilotos. Depois de perder mais dois lugares imediatamente após a partida, o português fez uso do attack mode aos dez minutos de corrida para subir à 17.ª posição, por troca com Vergne, e continuou a progredir até ao fim, terminando num respeitável, ainda que frustrante, 11.º lugar – o primeiro fora dos lugares pontuáveis.

Na batalha dos rookies, o brasileiro Sérgio Sette Câmara (Dragon/Penske) acabou por ser o mais infeliz (20.º), muito em parte devido à atribulada qualificação que o deixou nos últimos lugares da grelha, mas também ao ver o Safety Car (causado pelo incidente entre Alex Lynn e Sam Bird) ser activado durante o seu primeiro attack mode. René Rast, pelo contrário, fez uma corrida sólida de 3.º na grelha, perdendo apenas posições para Mortara e Evans, e ganhando uma a Wehrlein para acabar a corrida no 4.º lugar.

O resultado da primeira corrida deixa assim Nyck de Vries na liderança do campeonato (29 pontos), com Mortara e Evans a fecharem os lugares do pódio. Nos construtores, a primeira a liderar é a Mercedes, com 34 pontos, abrindo uma vantagem de 16 pontos sobre a segunda classificada (Venturi). As sessões de amanhã terão lugar à mesma hora: Qualificação às 13:00 (horário de Lisboa) e E-Prix às 17:00.

Carlos Eduardo Lopes
Carlos Eduardo Lopeshttp://www.bolanarede.pt
Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).

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