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Duas estrelas de outro planeta

David Pacheco · 3 min

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Já acompanho ralis há dez anos. 2018 irá ficar gravado na minha memória. A prova de abertura do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) em Fafe contou com uma lista de inscritos fenomenal. Nesta prova inicial foram vários os campeões nacionais presentes- Carlos Vieira, José Pedro Fontes, Pedro Meireles, Ricardo Moura, Armindo Araújo e Fernando Peres. Mas não só, pilotos como Miguel Barbosa, João Barros, Paulo Meireles, Ricardo Teodósio, Manuel Castro, Pedro Almeida, Ruben Rodrigues também marcaram presença, com carros da principal categoria (R5), o que faz desta prova uma das mais apetecíveis dos últimos tempos para os amantes de ralis.

O rali começou no sábado e teve como grandes impulsionadores na luta pela vitória Ricardo Moura e Miguel Barbosa, que dividiram as vitórias nos seis troços do primeiro dia, acabando Barbosa à frente por 0.01s de Moura. Estes dois estiveram numa liga à parte dos restantes. Reconhecida a velocidade de Ricardo Moura em pisos de terra, a chegada de Hugo Magalhães como navegador trouxe imensos benefícios a um já aclamado Miguel Barbosa.

Já para o Team Hyundai Portugal o dia de sábado não correu de feição. O campeão em título, Carlos Vieira, capotou na segunda especial, ainda conseguindo acabar o primeiro dia em oitavo. Já Armindo Araújo teve problemas no motor do seu Hyundai i20 R5, acabando na sexta posição. José Pedro Fontes recuperado da lesão que sofreu num acidente em 2017, fez um rali em ascensão e no primeiro dia acabou em quarto classificado, atrás de Pedro Meireles, que levou o seu Skoda Fabia R5 ao pódio.

Quanto a João Barros, apesar de assumir que não estava a fazer uma boa prova, acabou o primeiro dia em quinto lugar. Menção honrosa para Ricardo Teodósio, que infelizmente deu um toque com o Skoda Fabia R5 da ARC Sport a meio da primeira especial e acabou por abandonar, retomando no segundo dia em Super Rally. Antes deste abandono, o piloto algarvio estava em quinto classificado da geral.

No segundo dia, Barbosa e Moura continuaram a sua luta. Três vitórias nas quatro especiais do domingo elevaram Ricardo Moura à liderança do rali, na especial nº10 (Ruivões/Confurco), daí nunca mais saindo. Na Hyundai o segundo dia foi positivo. Armindo e Carlos Vieira conseguiram tempos muito regulares, acabando na quinta e sexta posição, respetivamente. Assim, vimos que o i20 R5 é competitivo e que podemos esperar que os dois tragam muita luta pelo campeonato. No fim da prova, Pedro Meireles e Miguel Barbosa sofreram penalizações de 10s cada um (20h depois de cometida a dita cuja…). Isto significou a saída do pódio de Pedro Meireles e a subida de José Pedro Fontes. Já Barbosa continuou com o segundo posto.

Miguel Barbosa mostrou-se como um sério candidato a campeão nacional
Fonte: AIFA

Nas duas rodas motorizes, vitória para Pedro Antunes e Jorge Gonçalves em Peugeot 208 R2. O atual campeão nacional das duas rodas motorizes voltou a deixar bem evidente o seu talento, até conseguindo rodar no top 10 à geral, num rally onde existiram vários carros da categoria R5.

De resto, o Rali Serras de Fafe deu-nos um grande aperitivo para a temporada que se avizinha. Apesar do seu vencedor só ter garantida mais uma prova, o Azores Airlines Rallye, eu espero que a competição seja muita. Os pilotos da Hyundai parecem ter ritmo, apesar de um primeiro dia um pouco azarento em Fafe. Miguel Barbosa (que não vai ter Hugo Magalhães como navegador na segunda prova do campeonato) está com um ritmo fortíssimo.

“Zé Pedro” Fontes está cada vez mais recuperado da lesão que o afastou durante meses da competição, e com uma estreia prevista para breve de uma viatura nova (Citroen C3 R5), também espero que dê muita luta. Pedro Meireles e Ricardo Teodósio também são sérios candidatos a lutar pelas vitórias, sendo que o primeiro também é um sério candidato ao título nacional.

O Campeonato de Portugal de Ralis prossegue de 22 a 24 março com mais uma edição do Azores Airlines Rallye, em São Miguel, Açores.

Foto de Capa: Autosport

David Pacheco

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