De que valeu os 362.4km/h? | MotoGP

- Advertisement -

A temporada de 2021 de MotoGP teve um começo atípico. Cada piloto deve ter dado ao Circuito de Losail cerca de 400 voltas, contando a pré-temporada e as duas primeiras rondas.

Depois dos testes de pré-temporada, a Ducati parecia inclinada a vencer os dois primeiros Grandes Prémios, mas foi a Yamaha que conseguiu tal feito.

A marca de Bolonha continua a ser das que mais aposta em termos aerodinâmicos e 2021 não ficou aquém das minhas expetativas. Olhando para a Desmosedici GP21 podemos verificar algumas mudanças.

Nos últimos anos, Gigi Dall’Igna é o maior dos impulsionadores neste campo. Desde reduzir o tempo que a moto passa ‘de nariz para o ar’ ou melhorar em termos de travagem, com maior estabilidade, permitindo assim ao piloto travar mais tarde.

A marca italiana parece agora querer melhorar a sua performance, introduzindo mais carga aerodinâmica, algo nada fácil, num veículo de duas rodas. Mesmo no primeiro Grande Prémio, conseguimos ver Francesco ‘Pecco’ Bagnaia a utilizar as duas variações da Desmo GP21.

Em 2021, a Ducati introduziu um novo apêndice aerodinâmico na GP21
Fonte: Ducati Corse

No final da carenagem da moto, na roda da frente, é visível uma entrada de ar, que recebe ar e depois, num ângulo de quase 90 graus, coloca-o no chão. Com a moto direita, esta conduta fica próximo do chão, limpando assim a turbulência que existe de baixo da moto, normalmente criada pela esteira do pneu. Admito que possa ser isto, pois, no final dos testes, Jack Miller dizia que a nova aerodinâmica deixava a Ducati «mais estável».

A recompensa da adição deste novo apêndice? (Que, claro, trabalha com os restantes). Com uma moto mais esguia, menos arrasto, o que significa uma maior velocidade de ponta. Mas, não só. Com todos os apêndices aerodinâmicos na frente da moto, o ar que chega à traseira chega mais limpo, o que significa que apanhar o cone de ar da moto italiana torna-se mais difícil. Mas, certamente foi isto que ajudou Johann Zarco a atingir os 362.4km/h no TL4 do GP do Qatar.

Mas, com uma moto mais rápida em reta, o que aconteceu para as Yamaha venceram a dupla jornada no Qatar?

Ora, não só de velocidade de ponta vive o MotoGP. Nem é a sua principal arma. Para mim, ter aceleração à saída das curvas é crucial, pois existem mais curvas do que longas retas.

E a Yamaha M1 continua a ser superior nessa parte. Depois de em 2020 ter sofrido muito, 2021 parece trazer um renascimento na moto japonesa. Desde 2016 que a Yamaha tem tido problemas com o pneu dianteira da Michelin. A chegada de Cal Cruchlow da Honda, onde esteve seis anos, pode ter ajudado ainda mais o construtor japonês.

Depois de seis anos a pilotar uma Honda, Cal Cruchlow junta-se à Yamaha, substituindo Jorge Lorenzo como piloto de testes
Fonte: Monster Energy Yamaha MotoGP

A Honda RCV213V ganha tempo à entrada das curvas. Junta-se o “útil ao agradável” e com a Yamaha a ser das melhores “dentro” de curva, só tem a ganhar com Crutchlow. No final da primeira corrida, Maverick Viñales afirmava que: «Consegui sair da última curva com muita tracção, depois na terceira e quarta curva não fazia wheelie, por isso consegui um cone de ar muito bom [atrás das Ducati], depois na quinta e sexta foram-se um pouco embora, mas foi muito melhor do que eu estava à espera”.

E é aqui que a Ducati precisa de melhorar, em curva. A M1 de Viñales foi claramente superior em termos de velocidade em curva, velocidade na saída de curva e aceleração em baixa velocidade. O mesmo se pode dizer de Fabio Quartararo, na segunda corrida no Qatar, o GP de Doha.

Após uma estadia longa no Qatar, o MotoGP segue para a primeira prova europeia, o Grande Prémio de Portugal, que se realiza no Autódromo do Algarve, em Portimão.

Foto de Capa: MotoGP

Subscreve!

Artigos Populares

Francesco Farioli rendido a André Villas-Boas: «Como portista sinto-me muito representado pelo presidente»

Francesco Farioli realizou a antevisão ao FC Porto x Famalicão. O treinador dos dragões teceu elogios a André Villas-Boas.

Diogo Brito em exclusivo ao Bola na Rede «Na Indonésia o futebol é quase uma religião»

Do ouro de Viana ao futebol indonésio, Diogo Brito tem vindo a traçar um percurso singular no futebol. Eis a entrevista ao Bola na Rede.

Francesco Farioli: «Imaginem o que seria o Sporting sem Luis Suárez e o Benfica sem Vangelis Pavlidis»

Francesco Farioli realizou a antevisão ao FC Porto x Famalicão. O técnico italiano falou sobre as opções dos dragões no setor ofensivo.

Francesco Farioli anuncia dois regressos de peso para o jogo frente ao Famalicão: «Totalmente recuperados»

Francesco Farioli realizou a antevisão ao FC Porto x Famalicão. O técnico italiano confirmou os regressos de Diogo Costa e Rodrigo Mora.

PUB

Mais Artigos Populares

Rafael Leão gerido a pinças pelo AC Milan devido a lesão: Massimiliano Allegri preocupado com o extremo português

A equipa técnica de Maximiliano Allegri está preocupada com a condição física de Rafael Leão, que sofre de um problema crónico no adutor.

Chelsea suspende Enzo Fernández por dois jogos após declarações polémicas: «Houve um limite que foi ultrapassado»

Liam Rosenior confirmou a ausência de Enzo Fernández para os próximos dois jogos do Chelsea. O médio argentino foi castigado pelos blues.

Bruno Fernandes é o Jogador do Mês da Premier League e está perto de fazer história

Bruno Fernandes vence o prémio de Jogador do Mês da Premier League. Internacional português está perto de fazer história em Inglaterra.