

A LPFA arrancou a todo o gás, sendo que a última equipa que faltava estrear-se (os Lisboa Bulldogs), jogou este fim-de-semana, onde saiu vitoriosa e com uns lugares acima nos Power Rankings.
Com cinco jogos até agora, já temos muitas mudanças nos Power Rankings, onde só o top-2 continua sem qualquer alteração.
Vamos então analisar este primeiro mês de futebol americano nacional e perceber o que mudou desde a pré-época.
1º Lugar – Lisboa Devils (1º)
Que excelente maneira de começar a época para os bicampeões nacionais. Até agora realizaram dois jogos, onde não sofreram qualquer ponto e marcaram 48. Os diabos são a única equipa da LPFA sem qualquer ponto sofrido. Neste momento, os benfiquistas ocupam a primeira posição na tabela, ainda com um registo 100% invicto.
É fácil entender o porquê destes resultados aparecerem. No ataque, os Devils contam com o melhor corpo de wide receivers e de running backs de toda a liga, sendo que também existe um forte argumento para terem também a melhor linha ofensiva e o melhor quarterback. São sem dúvida o melhor ataque da liga, com Solipa ao comando, “Juzz”, Fraga, Boris e Lucas a seu lado, Guilherme Solipa e Jordan à sua frente e uma muito sólida linha ofensiva, liderada pelo Gonçalo Dias, parece-me óbvia a razão pela qual os Devils são o melhor ataque da liga.
Do lado defensivo, os Devils conseguem igualar o seu nível predeterminado pelo ataque. Anthony Costa foi uma grande adição a esta defesa já muito sólida, assim como Diego. Continuam com muitos veteranos deste lado da bola e com rookies que conseguem fazer o trabalho. Sem dúvida a melhor (de longe) defesa da liga, que até agora sofreu zero pontos.
2º Lugar – Cascais Crusaders (2º)
Este top-2 continua a ser repetitivo, mas não razões para mudar. Tanto os Crusaders como os Devils continuam a ser, destacadamente, as duas melhores equipas a praticar o desporto em Portugal.
Falando do jogo, os Crusaders foram ao Porto para vencer os Salgueiros Renegades por 28-10, um resultado também significativo e com detalhes importantes a olhar.
Do lado ofensivo há duas coisas que saltam à vista: Rui Seide (rookie) completa (muito) bem a falta de “Sabonete” e de Salvador Bolzoni e João Barros regressado à linha ofensiva.
Os Crusaders ganham outro nível com João Barros na linha. A corrida entra com uma fluidez maior e Matias tem muito mais espaço para fazer a sua magia acontecer. O #72 ainda não tinha aparecido na pré-época, mas é sem dúvida um “reforço” importante para Paulo Terrinca. Acredito também que o treinador Cascaense esteja muito feliz com a participação de Rui Seide este ano, ele que foi eleito MVP ofensivo pela FPFA no seu primeiro jogo oficial. Vamos ver o nível que o rookie irá demonstrar ao longo do resto da época.
Do lado defensivo, temos um jogador importante a sair lesionado: Tiago Almeida. O safety #1, sai a seguir a uma placagem feita a um jogador dos Renegades e não volta a entrar, sendo que o mesmo pode ser uma perda de peso para os “backs” dos Crusaders. Por outro lado, tivemos Pedro “Jr” Inácio a fazer um grande jogo e toda a defesa à volta dele também bastante sólida.
3º Lugar – Lisboa Navigators (4º)
Temos então a primeira mudança desta edição do Power Rankings à Portuguesa, com os Lisboa Navigators a ultrapassarem os Braga Warriors para a conquista do 3º lugar, após a vitória sobre os bracarenses com a “remontada” nos últimos instantes.
Devido à inexistência de transmissão, é pouco complicado entender e analisar como foi o jogo no seu geral, mas através das estatísticas conseguimos entender que Nuno Rodrigues vem para se afirmar este ano. O quarterback dos Navigators está, claramente, muito melhor não só no jogo de passe (onde lançou 142 jardas), mas também na sua própria corrida, meio por onde marcou dois touchdowns.
Do lado defensivo não temos muitas informações, apenas que existiu um sack e três tackle for loss.
Dada a falta de transmissão, não consegui mesmo analisar melhor os lisboetas para entender onde possam ter melhorado, do que me pareceu são merecedores deste terceiro lugar.
4º Lugar – Braga Warriors
Por mais que ainda não tenham ganho qualquer jogo este ano, os Warriors continuam a ser (na minha opinião) uma das melhores equipas em Portugal. Este passado fim-de-semana, conseguimos ver o jogo que fizeram frente aos campeões em título, sem Vítor Mendes (por mais que tenham anunciado no seu instagram que o mesmo iria a jogo) e sem muitas ideias de jogo aéreo (apenas 4 jardas de passe frente aos Devils) em comparação com o seu jogo de corrida, muito por causa de Afonso Vinha.
Para mim, o que continua a ser o ponto forte dos Warriors são as trincheiras, com Manuel Seixas a ser o rei das mesmas quase todos os jogos, oferecendo muita segurança a Tiago Ranhada e muito espaço para Afonso Vinha correr.
Do lado defensivo, os Warriors continuam com os grandes jogadores que sempre tiveram como o imparável João Parada e o veteraníssimo Leandro Gonçalves.
Os Warriors são uma equipa que teve azar com o calendário que têm, vamos ver como será o resto da sua época, sendo que o caminho para os playoffs vai sendo cada vez mais complicado.
5º Lugar – Lisboa Bulldogs (7º)
Quem diria que os Bulldogs iriam dar este salto logo no início da época. Os lisboetas abriram o seu campeonato com uma vitória significante frente aos Maia Mutts, no Campo das Cutamas por 06-22.
Do meu ponto de vista, existe um enorme crescimento (especialemente a nível mental) por parte dos Bulldogs, algo que sempre se falou que tinham, mas que nunca tinham chegado perto de realizar, ficando sempre na última posição do campeonato.
Mas estes Bulldogs não são os antigos Lions, nem mesmo os Bulldogs das primeiras épocas. Os seus jogadores são cada vez mais veteranos e cada vez mais imagens de marca da equipa, com Tiago Fidalgo e Silvânio Varela a serem as claras caras da sua defesa e Nuno Represas e Pedro Monteiro a serem os claros líderes do ataque.
O que me parece é que os Bulldogs finalmente têm algo que nunca tiveram, uma cultura. Esta cultura de clube parece-me ter sido altamente trabalhada por Gonçalo Matos, treinador principal dos lisboetas (também ele uma das caras dos Lisboa Bulldogs, sendo ele o treinador com mais anos de casa), durante toda a pré-época e parece-me estar a dar frutos agora.
Mas calma, os Lisboa Bulldogs venceram os Maia Mutts, mas uns Mutts muito enfraquecidos. Vamos ver o que esta vitória pode significar para os “dawgs” e se conseguirão dar luta para chegar aos playoffs.
6º Lugar – Salgueiros Renegades (5º)
Os Renegades descem uma posição, não por demérito próprio, mas sim por mérito dos Lisboa Bulldogs, porque os nortenhos desempenharam um bom jogo frente aos vice-campeões.
Os Renegades estreiam-se na LPFA XVI com uma derrota frente aos Crusaders, mas existem muitos pontos positivos nesta equipa. Primeiro é Afonso Camarinha que, por menos experiência que tenha, está mais confortável e capaz de liderar estes Salgueiros Renegades. A linha ofensiva está um pouco melhor, sem grandes mudanças significativas. Bom trabalho por parte de todo o ataque dos nortenhos, que tentaram lutar pelo jogo, mas não se conseguiram impor frente à excelente defesa dos Cascais Crusaders.
Do lado defensivo, os Renegades também têm jogadores interessantes, por muito que não tenham tido grande impacto no jogo, devido ao ataque dos Crusaders. Tiago Fontão e João Mota ainda conseguiram o safety para a equipa da casa, mas a defesa nortenha não teve grandes intervenções no resultado do jogo para além disso.
7º Lugar – Maia Mutts (6º)
Este ano irá ser muito complicado para os nortenhos.
Até agora disputaram dois jogos, um frente aos Devils, onde perderam por 34 pontos a zero e outro frente aos Lisboa Bulldogs, equipa que nunca conseguiu alcançar qualquer outro lugar para lá de 7º, onde perdem também, desta vez por 06-22.
Infelizmente, parece-me que os Maia Mutts não irão ter plantel suficiente para serem competitivos ao longo de toda a época.
Mesmo assim, os nortenhos têm peças bastante interessantes, como Francisco Pelayo, Arthur Faria, Tiago de Pina, Tomás Pendão e António Sarmento. O problema no meio de tudo isto é que os mesmos não têm homens suficientes à sua volta para conseguirem brilhar. Não estou a dizer, de todo, que os Mutts são uma má equipa (de relembrar que foram para intervalo frente aos Lisboa Devils a perder por apenas oito ponto), mas é impossível rodar qualquer jogador, o que me leva a crer que os Mutts não têm condições para dar mais do que já dão (que é tanto com o pouco que têm).
Neste momento encontram-se com um registo de 0-2, e o calendário só promete piorar.
Em memória de Yovano José, atleta número três dos Lisboa Bulldogs.

