

O SL Benfica foi até a Vila do Conde vencer a ADCR Caxinas por expressivos 1-5, em jogo em atraso da 18.ª jornada da Liga Placard Futsal. Perante um Pavilhão do Centro Comunitário das Caxinas com as bancadas cheias, o líder do campeonato fez valer a sua superioridade individual e coletiva, castigando os erros de um Caxinas lutador, mas pecador na finalização.
Crónica do Jogo
O encontro começou pautado pelo equilíbrio, com a equipa da casa a tentar ameaçar através da referência ofensiva de Tomás Bazan e transições rápidas. O Benfica, no entanto, foi gradualmente assumindo as redes do encontro, testando a atenção de Tiago Sacramento. A resistência caxineira quebrou aos 10 minutos, quando Higor de Souza abriu o ativo. O golo desorientou a formação da casa e, num momento de pura audácia, Léo Gugiel viu Sacramento adiantado e assinou um golo monumental de baliza a baliza, ampliando para 0-2.
O Caxinas não atirou a toalha ao chão e teve boas oportunidades para reduzir. O momento mais clamoroso pertenceu a Sévio Marcelo, mas Raúl Moreira — jogador formado nas Caxinas — fez um corte incrível em cima da linha de golo. A turma da casa não soube aproveitar as cinco faltas madrugadoras das águias e, já a trinta segundos do descanso, um passe em profundidade de Higor encontrou Silvestre Ferreira para o 0-3. Parecia fácil para os líderes.
No reatamento, a toada manteve-se. O Benfica controlava, com Raúl Moreira a atirar ao poste e Arthur a acelerar o jogo ofensivo. O momento de viragem da segunda parte aconteceu com a expulsão de André Coelho. Apesar de não ter faturado durante a superioridade numérica, o Caxinas embalou e, pouco depois (já com os encarnados repostos), reduziu por intermédio de Ricardo Marques (1-3), que finalizou com classe uma transição exemplar desenhada com Martim Castela. O jogo acendeu-se, o pavilhão acreditou na famosa “remontada” caxineira e Ricardo Marques quase bisava de seguida.
No entanto, a eficácia encarnada deitou por terra as aspirações locais. Aos 34 minutos, Pany Varela cruzou e Higor bisou para o 1-4. A perder por três golos e a faltar três minutos, o Caxinas arriscou no 5×4 com Ricardo Marques como guarda-redes avançado, mas a estratégia acabou por ser castigada por Lúcio Rocha, que selou o 1-5 final após nova assistência do inevitável Higor de Souza.
A Figura:
Higor de Souza (SL Benfica) – O pivô brasileiro foi o grande desequilibrador da partida. Assinou dois golos e duas assistências, estando diretamente envolvido em quatro dos cinco golos encarnados. Frio na finalização e inteligente na leitura de jogo, foi um autêntico quebra-cabeças para a defesa caxineira e a bússola ofensiva da equipa de Cassiano Klein.
O Fora de Jogo:
João Gabriel (ADCR Caxinas) – Numa equipa que precisava de todos no máximo de rotação para contrariar o líder, o ala passou ao lado do jogo. Acumulou vários passes falhados na construção, mostrou lentidão no acompanhamento das transições defensivas e não conseguiu acrescentar a agressividade necessária nos duelos individuais.
Análise: ADCR Caxinas
A equipa caxineira (14 pontos, último classificado) mostrou duas caras. Teve atitude, coragem e criou volume ofensivo suficiente para discutir o resultado em vários momentos da partida. No entanto, no futsal de alto nível, os erros pagam-se caro. A equipa desperdiçou três ocasiões claras na primeira parte, não capitalizou o facto de o Benfica ter atingido a quinta falta muito cedo, nem tirou total proveito da expulsão de André Coelho. A ousadia tática do 5×4 final mostra que a equipa tentou até ao fim, mas a falta de critério no último terço justifica a lanterna-vermelha.
5 inicial: 33 Tiago Sacramento (C), 19 Ricardo Marques, 27 Martim Castela, 70 João Machado e 9 Tomás Bazan.
Análise: SL Benfica
Jogo pragmático e autoritário do líder isolado da Liga Placard (55 pontos). A equipa de Cassiano Klein nem precisou de pisar o acelerador a fundo durante os 40 minutos. Beneficiou de uma eficácia tremenda e de desempenhos individuais de grande nível (Gugiel na primeira parte, Higor em toda a partida). Mesmo nos momentos em que o Caxinas apertou, as águias souberam sofrer, defenderam bem a sua área e castigaram impiedosamente os balanceamentos ofensivos do adversário. Uma vitória natural da equipa mais forte.
5 inicial: 22 Léo Gugiel, 2 Silvestre Ferreira, 80 Peléh, 14 Edmilson Kutchy e 7 Lúcio Rocha.

