

O Multiusos de Gondomar foi, ao longo da última semana, o epicentro das emoções do desporto português, acolhendo em simultâneo a Final Eight da Taça da Liga masculina e a Final Four da Taça da Liga feminina. No setor masculino, o título foi disputado a “ferro e fogo” entre Fundão, Eléctrico, Leões de Porto Salvo, Benfica, Rio Ave, Caxinas, Sporting e Torreense. No quadro feminino, o mesmo nível de exigência colocou frente a frente as equipas do Benfica, Nun’Álvares, Leões de Porto Salvo e Atlético CP.
Se há coisas que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) provou, uma vez mais, saber fazer com mestria, são as finais de futsal. Esta semana não foi exceção. Do ponto de vista do adepto, dos jornalistas, dos jogadores e até da segurança, o evento roçou a perfeição. Os passatempos nos intervalos permitiram uma interação constante e direta do público com a organização, mantendo as bancadas vivas mesmo quando a bola não rolava. Aliado a isto, a política de preços acessíveis revelou-se uma aposta ganha: raras foram as vezes em que o Multiusos de Gondomar não esteve lotado de adeptos de todas as idades e geografias. Ficou provado, mais uma vez, que o Norte do país respira futsal e oferece as melhores condições para receber as grandes decisões da modalidade.
O que a quadra nos deu: Da superação minhota ao furacão encarnado
Em termos desportivos, a semana foi alucinante. Na Final Four feminina, assistimos a um autêntico duelo de gigantes que culminou com a Taça a viajar para Fafe. O Nun’Álvares abateu o SL Benfica nas grandes penalidades, após um empate dramático no tempo regulamentar, fazendo história e confirmando-se como uma força maior do nosso futsal.
No masculino, o caminho até à final foi uma montanha-russa de nervos, com reviravoltas e jogos decididos na “lotaria” dos penáltis — como aconteceu nas meias-finais, onde o Eléctrico sobreviveu ao Fundão e o Benfica afastou os Leões de Porto Salvo (que, recorde-se, já haviam eliminado principal candidato Sporting CP nos quartos de final). Na grande decisão, contudo, só deu Benfica. Num autêntico furacão encarnado, a equipa da Luz vulgarizou as aspirações do Eléctrico com uma goleada expressiva de 7-1, conquistando assim o seu quinto troféu na prova.
Nesta imensidão de talento, é impossível não destacar as individualidades que carregaram as suas equipas às costas. No surpreendente Eléctrico, Diogo Basílio e Gonçalo Paixão rubricaram exibições memoráveis. Nos Leões de Porto Salvo, Henrique Rodrigues, Ruan Silvestre e Rúben Teixeira provaram que o talento em Oeiras está para durar. No Fundão, as menções honrosas vão inteirinhas para Martim Borrego, Pedro Marques e Lucas Schwartz. E no campeão Benfica, a constelação brilhou mais forte com as prestações irrepreensíveis de Diego Nunes, Higor e, claro, Arthur.
As vitórias fora das quatro linhas
Para lá da tática e dos golos, o ambiente vivido em Gondomar deixou uma mensagem clara sobre o poder das modalidades de pavilhão. Em conversa com os presentes nas bancadas, foi notório o orgulho que os adeptos sentem em ver a sua cidade e a sua região receberem uma competição de dimensão nacional — uma proximidade e descentralização que o futebol de 11, muitas vezes, não consegue proporcionar. Um destaque tremendo e muito positivo para os adeptos do Eléctrico, que se deslocaram em peso de Ponte de Sor para o Multiusos, pintando as bancadas e dando uma verdadeira lição de amor ao clube.
Esta mesma vitalidade foi sublinhada pelo presidente da FPF, Pedro Proença, que marcou presença nas duas finais. O dirigente fez questão de referir que o processo de descentralização é fundamental e demonstra bem a vitalidade do futsal português em todo o país. Pedro Proença destacou ainda a evolução do setor feminino, lembrando o impacto do recente título de vice-campeãs do Mundo e sublinhando que o que está a ser construído em conjunto com os clubes e associações é, nas suas próprias palavras, “extraordinário”.
Do lado dos vencedores masculinos, o alívio e a alegria eram palpáveis. O treinador encarnado, Cassiano Klein, valorizou a capacidade da sua equipa em dar a volta após a eliminação da Liga dos Campeões. Já Arthur, eleito o melhor em campo na final, mostrou-se radiante com o título e assumiu a responsabilidade que é manter o SL Benfica no topo da modalidade.
O Bola na Rede deixa um agradecimento público à FPF pela calorosa receção e pelas excelentes condições de trabalho proporcionadas, tanto na tribuna de imprensa (Media) como no acesso fotográfico. Foi uma semana inesquecível de futsal, e a promessa fica já aqui feita: voltaremos no final de abril, ao mesmo palco, para as grandes decisões da Taça de Portugal!

