O Multiusos de Gondomar recebeu uma final de sonho na Taça da Liga de Futsal Feminina. Num encontro pautado pelo equilíbrio, pela intensidade física e pelas exibições soberbas das guarda-redes, o GCR Nun’Álvares e o SL Benfica anularam-se no tempo regulamentar e no prolongamento (1-1). No desempate por grandes penalidades, a equipa de Fafe sorriu por último, destronando as águias e erguendo o tão desejado troféu.
A CRÓNICA: FAFE MOSTRA A SUA FORÇA NUM DUELO DE GIGANTES
Com as bancadas bastante compostas e divididas entre o apoio encarnado e o fervor minhoto, perspetivava-se um embate titânico. A primeira parte refletiu exatamente isso: um jogo de xadrez tático, disputado palmo a palmo, com muita luta física e oportunidades de parte a parte.
O SL Benfica começou mais ameaçador, mas rapidamente esbarrou na organização e crença do Nun’Álvares, que foi crescendo com o passar dos minutos. As grandes protagonistas deste primeiro tempo acabaram por ser as guarda-redes. Ana Catarina (Benfica) assinou uma “mancha” inacreditável a evitar o golo inaugural, respondendo Júlia Melz (Nun’Álvares) com igual nível de segurança. Pelo meio, Sara Ferreira ainda fez tremer o travessão da baliza minhota com um remate estrondoso, mas o nulo manteve-se até ao descanso.
Na segunda metade, a toada manteve-se frenética. O SL Benfica assumiu um ligeiro ascendente a meio da etapa complementar e, a 15 minutos do fim (aos 35′ de jogo), a sorte sorriu às águias. Janice Silva recuperou a bola no meio-campo, lançou o contra-ataque e, após cruzamento de Fifó, Dinha teve a infelicidade de introduzir a bola na própria baliza.
O golo (1-0) poderia ter quebrado a formação de Fafe, mas o Nun’Álvares mostrou por que razão é uma das grandes potências do futsal nacional. Com enorme crença, a equipa minhota subiu as linhas, apostou em ataques continuados e a recompensa chegou na conversão de um livre direto. Numa jogada de laboratório magistral, Dinha redimiu-se do autogolo e assistiu Mayara Almeida, que não perdoou e restabeleceu o empate (1-1)
Odete e Ana Azevedo selam a festa minhota
A decisão seguiu para as grandes penalidades, onde a emoção atingiu o pico. Após falhas de parte a parte (Inês Fernandes, Maria Pereira e Inês Matos pelo Benfica; Martinha e Belinha pelo Nun’Álvares), a guarda-redes Odete Rocha (que entrou para os penáltis) agigantou-se. E no sétimo remate minhoto, a inevitável capitã Ana Azevedo não tremeu, carimbando o triunfo e a conquista da Taça da Liga para o GCR Nun’Álvares perante a loucura dos seus adeptos.
A Figura: Lídia Moreira (Nun’Álvares) – A melhor jogadora em campo! Fez um jogo absolutamente tremendo e assumiu-se como o elemento mais perigoso de todo o conjunto de Fafe. Foi uma verdadeira dor de cabeça para a defensiva encarnada, criando desequilíbrios constantes através da sua velocidade e leitura de jogo. Esteve muito perto de marcar por diversas ocasiões, atirando uma bola ao ferro e surgindo isolada perante a guardiã do Benfica mais do que uma vez. Um dos verdadeiros motores da equipa minhota nesta conquista.
O fora de jogo: Eficácia do SL Benfica – Numa final decidida nos detalhes, as águias podem queixar-se de si próprias. Apesar de assumirem por vezes o comando do jogo e de somarem oportunidades claríssimas (incluindo uma bola no ferro no prolongamento), a ineficácia ofensiva custou caro. A equipa dependeu de um autogolo para faturar no tempo regulamentar
ANÁLISE GCR NUN’ÁLVARES
A equipa comandada por Paulo Tavares rubricou uma exibição de tremenda inteligência tática e resiliência. Começou por aguentar o ímpeto inicial do adversário, foi crescendo no jogo e nunca perdeu a identidade, mesmo após sofrer um autogolo infeliz. A forma como reagiu à desvantagem, através de uma excelente bola parada ensaiada, e a frieza que demonstrou na gestão do prolongamento e nos penáltis, provam que o futsal feminino português tem em Fafe uma potência ao nível das melhores.
5 Inicial do Nun’Álvares: Júlia Melz (GR), Lídia Moreira, Jana, Dinha e Inês Gomes
ANÁLISE SL BENFICA
As águias entraram fortes, mas faltou a frieza que costuma caracterizar esta equipa nas grandes decisões. Ana Catarina voltou a mostrar por que é uma das melhores do mundo, com intervenções do outro mundo a segurarem o barco em momentos críticos. Contudo, no plano ofensivo, apesar de contarem com atletas de topo como Janice e Fifó, a teia minhota e a falta de pontaria falaram mais alto. Nos penáltis, os nervos traíram atletas cruciais (como a capitã Inês Fernandes).
5 Inicial do SL Benfica: Ana Catarina (GR), Inês Fernandes (C), Janice, Fifó e Inês Matos.

