Um retrato da Primeira Liga: Nem tudo está escrito, mas muito já foi dito | Futsal

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O novo ano traz-nos nova paragem da Primeira Liga de Futsal, mas desta vez é por motivos de força maior. O calendário abranda para dar lugar ao Europeu de seleções, disputado entre o final de janeiro e o início de fevereiro, mas ainda vamos a tempo de olhar para o que já se jogou no nosso campeonato.

Quinze jornadas depois, a fase regular começa a ser cada vez mais esclarecedora, não só em relação a quem está confortável, mas também para quem já sente o peso de uma época mais exigente do que o previsto. A paragem surge, por isso, como oportunidade de balanço e este campeonato, até ao momento, merece ser lido com a devida atenção.

Comecemos pelo topo, onde o Benfica tem sido dono e senhor do primeiro lugar. Não apenas por estar na liderança, mas pela forma como a construiu. Quinze vitórias, 45 pontos somados, 73 golos marcados e apenas 18 sofridos, que valem à equipa da Luz o estatuto de melhor defesa do campeonato, um dos segredos para a consistência encarnada.

É verdade que não se trata de um rolo compressor, mas a competência dos homens de Cassiano Klein é inequívoca. A consistência defensiva tem sido a base de tudo, permitindo ao Benfica gerir ritmos com maturidade competitiva que raramente expôs a equipa a riscos, valendo especialmente o triunfo frente ao Sporting à quinta jornada, que explica a vantagem atual no topo da tabela.

Falando na equipa de Alvalade, o Sporting mantém-se como o principal perseguidor, algo que não é propriamente uma surpresa. Os leões somam 39 pontos, desvantagem que se justifica pelas duas derrotas sofridas uma na Luz e um surpreendente deslize frente ao Elétrico, no Pavilhão João Rocha. Se, por vezes, a equipa de Nuno Dias não encontra o mesmo equilíbrio defensivo do rival, compensa com volume ofensivo e capacidade para esmagar adversários quando ganha embalo. O Sporting apresenta o melhor ataque do campeonato, com uns impressionantes 101 golos marcados, contando com o melhor marcador da competição, Bruno Pinto. Apesar da distância para a liderança, o Sporting ainda tem, obviamente, uma palavra a dizer, com o dérbi com o Benfica logo no regresso da competição, em fevereiro, a surgir como uma oportunidade de ouro para relançar a luta pelo primeiro lugar da tabela, na fase regular.

Mas o nosso campeonato não se resume aos dois crónicos candidatos da segunda circular. A grande história da primeira metade da época foi, sem dúvida, o arranque incrível dos Leões de Porto Salvo. Tal como já tive oportunidade de escrever, o momento da equipa de Oeiras não é mais do que uma confirmação de um projeto que vem sendo construído com critério e visão.

Ainda assim, a forma como o coletivo de Cláudio Moreira se instalou no pódio, com destaque para as exibições e resultados nos primeiros dois meses da temporada, é motivo de destaque e esperança para a elevação da competitividade da nossa liga. Mesmo com alguma quebra exibicional mais recente, os Leões foram, até agora, a equipa que melhor aproveitou o espaço competitivo disponível, afirmando a sua identidade e um lugar de destaque muito positivo, num campeonato fora do disputado pelos dois grandes.

Se há quem tenha superado expectativas, também há quem esteja claramente abaixo delas. O Caxinas é o caso mais evidente. Último classificado, com apenas 10 pontos somados (três vitórias, um empate e 11 derrotas), o conjunto de Vila do Conde está longe do nível exibido noutras épocas, revelando fragilidades defensivas e dificuldade em sustentar competitividade ao longo dos jogos. A luta pela manutenção parece, nesta fase, inevitável.

A Quinta dos Lombos vive uma realidade menos dramática, mas ainda assim dececionante quando comparada com épocas recentes. O arranque foi irregular, a consistência tardou em aparecer e, apesar de sinais de recuperação mais recentes, o acesso aos play-offs ainda está longe de estar garantido. Num campeonato cada vez mais equilibrado no bloco intermédio, os deslizes iniciais pesam, e muito.

Também no plano individual, a época começa a ganhar rostos bem definidos. No Sporting, Bruno Pinto afirma-se como o melhor marcador do campeonato, símbolo maior da capacidade ofensiva leonina, enquanto Alex Merlim continua a ser o maestro que eleva o jogo coletivo, sempre com classe e criatividade, mesmo quando não aparece expressivamente nos números da equipa. No Benfica, Arthur personifica a consistência encarnada, com influência constante e liderando   nos momentos decisivos. Fora do eixo dos grandes, Thiaguinho, a fazer a sua segunda época em Portugal, destaca-se no Elétrico como o melhor assistente da prova, somando 13 passes para golo, prova de que o talento individual continua a fazer a diferença mesmo em contextos competitivos mais exigentes.

Quando a Liga regressar do Europeu, existirá, obviamente, menos margem para erro e maior pressão competitiva. Nada está decidido, os clubes continuarão a lutar pelo melhor lugar possível até ao final da fase regular. Quem acompanha este desporto sabe que esta pausa pode servir para reequilibrar energias, corrigir tendências e, como tantas vezes acontece, redefinir narrativas. No desporto, e em especial no futsal, raramente se lê a história pela metade, por isso, ficaremos a aguardar, expectantes, as cenas dos próximos episódios.

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