

Portugal precisava de vencer a França para marcar presença na final do Europeu de Futsal. E assim aconteceu, os tricampeões europeus venceram os gauleses por 1-4 e marcam encontro com a Espanha, que venceu a Croácia na outra meia-final. Oito anos depois, voltamos a ter uma final Ibérica, curiosamente, em Ljubljana, palco também da final de 2018. Foi na capital eslovena que Portugal se sagrou campeão europeu pela primeira vez, depois de bater a Espanha por 3-2, após prolongamento.
O selecionador francês, Raphael Reynaud, para este jogo teve duas baixas importantes Abdessamad Mohammed, que foi expulso no duelo contra a Ucrânia, e a de Sid Belhaj, devido a lesão. Já Jorge Braz teve todos os jogadores à sua disposição.
Portugal entrou mais pressionante, num sistema 4×0, e criou logo perigo aos dois minutos. Erick bloqueou um jogador francês, permitindo que Tomás Paçó tivesse espaço para rematar, mas o remate do jogador do Sporting saiu ao lado. Passado alguns minutos, foi a vez de Kutchy tentar inaugurar o marcador, mas o remate não levou a melhor direção.
Contra a corrente do jogo, a França chegou ao golo por intermédio de Mamadou Siragassy Touré. O jogador do Barcelona, pelo corredor esquerdo, rematou cruzado, num lance em que Bernardo Paçó não ficou nada bem na fotografia. Lance infeliz para o guardião português e, aos seis minutos, a França estava na frente do marcador. Portugal voltava a sofrer primeiro pela terceira vez neste Europeu de Futsal.
A seleção portuguesa, depois de um bom arranque, ficou por baixo no jogo após o golo sofrido. Aos sete minutos, a França teve a oportunidade de aumentar a vantagem. Numa reposição lateral, Arthur Tchaptchet surgiu isolado na área lusa, mas atirou por cima da baliza de Bernardo Paçó.
Com o passar do tempo, Portugal foi retomando o controlo da partida, mas era a França que criava mais perigo. Mamadou Toure aproveitou uma defesa incompleta de Bernardo e acertou em cheio no poste. Em resposta, Lúcio Rocha obrigou Francis Lokoka a fazer uma grande defesa. Apesar do erro no golo de Touré, Bernardo era um dos melhores na quadra e impedia que a França aumentasse o marcador.
Aos 17 minutos, a França chegou à quinta falta e foi neste momento em que o rumo do encontro mudou. Portugal aumentou a agressividade e, num espaço de um minuto, consumou a remontada. Num canto, Pany Varela picou para Tomás Paçó, que tocou para Diogo Santos, isolado no corredor direito, e este fez o empate. O ala do Sporting está em grande destaque neste Europeu. O golo da reviravolta também surgiu na sequência de um canto, mas desta vez Tomás Paçó rematou de primeira para o segundo golo português da noite.
Portugal foi para o descanso a vencer por 1-2, depois de ter suado e muito para garantir a vantagem no marcador. É certo que a França marcou graças a uma infelicidade de Bernardo Paço, mas, não fosse a exibição do guarda-redes português, o resultado poderia ser outro. Foi notória a pressão alta exercida pelos gauleses, que criou vários problemas na fase de construção portuguesa.
No regresso à quadra, a França voltou a estar perto de um golo. Num contra-ataque, Amin Benslama surgiu isolado na cara de Bernardo Paçó, mas o guardião fez uma excelente mancha e impediu o empate. Neste lance, a equipa das quinas adormeceu, algo que quase saía caro. Os franceses aumentaram a agressividade, o que se refletia no número de faltas. Em apenas dois minutos, cometeram duas faltas e Arthur Tchaptchet viu um cartão amarelo.
Aos 26 minutos, Pauleta teve nos pés a oportunidade de fazer o terceiro golo da partida. Grande jogada coletiva entre Erick e Afonso Jesus, com o jogador do SL Benfica a colocar a bola na área gaulesa. Após bater em inúmeras pernas, a bola sobrou para Pauleta, que atirou ao poste. Enorme confusão na área e o 14 de Portugal não conseguiu aproveitar da melhor forma.
A partir daí, o jogo ficou muito partido e houve espaço para mais um susto francês. Em zona central, o capitão da França, Souheil Mouhoudin, tirou Erick do caminho e disparou forte, mas a bola passou ao lado do poste. No lance seguinte, Portugal chegou ao 1-3.
Erick recuperou a bola numa zona subida da quadra, e após um remate intercetado, a bola sobrou para Tomás Paçó, que, com um toque de calcanhar, serviu o fixo do Barcelona. O selecionador francês ainda pediu vídeo-suporte por uma suposta falta de Erick no início da jogada, mas os árbitros nada assinalaram. Portugal aumentava assim a vantagem, depois da França ter estado muito perto do empate.
A França corria contra o tempo e precisava de fazer pelo menos dois golos em menos de dez minutos para alcançar a sua primeira final num Europeu de Futsal. As oportunidades surgiam, mas esbarravam em Bernardo Paçó ou a eficácia não era a melhor. Portugal, equipa muito madura na gestão de jogo, controlava cada vez mais a partida e chegava com frequência a zonas de finalização.
A menos de cinco minutos do fim, o marcador ficou sentenciado em 1-4, com um autogolo de Amine Gueddoura. A França apostou num 5×4 e Bruno Coelho cortou a bola para Bernardo Paçó, que rematou de primeira para a baliza francesa. A bola bateu no poste e ressaltou no ala do Montpellier Mediterranee antes de entrar. Portugal fechava assim o resultado e garantia mais uma presença na final de um Europeu de Futsal.
Mais um jogo complicado para os comandados de Jorge Braz, mas voltaram a encontrar o caminho para vitória. No próximo sábado, Portugal vai defender o título frente à Espanha na Arena Stožice, em Ljubljana, na Eslovénia. A seleção das quinas procura o terceiro título consecutivo, enquanto os espanhóis querem reconquistar um troféu que lhes escapa desde 2016.

