A CRÓNICA: A RESILIÊNCIA VILACONDENSE ESBARROU NA FRIEZA FORASTEIRA NA MARCA DOS SEIS METROS
O Pavilhão de Desportos de Vila do Conde foi o palco de um embate eletrizante a contar para os Oitavos de Final da Taça de Portugal. Com as bancadas bem compostas por adeptos locais, o Rio Ave FC procurou impor-se, mas encontrou pela frente um SC Ferreira do Zêzere taticamente inteligente e com uma defesa extremamente sólida.
Os visitantes mostraram-se mais perigosos na primeira metade. A faltar 13 minutos para o final da primeira parte, Francisco Oliveira “Chico” abriu o ativo com um remate rasteiro para o fundo da baliza. O Rio Ave acusou a pressão, demonstrou nervosismo e teve muitas dificuldades em jogar rasteiro, recorrendo frequentemente a bolas aéreas e bombeadas. O intervalo chegou com a vantagem mínima (0-1) para a equipa visitante.
A segunda parte trouxe um Rio Ave a tentar inverter o rumo, mas foi o Ferreira do Zêzere a dilatar a vantagem a cerca de dez minutos do fim, através do capitão Rui Fontes, que rodou sobre o adversário e atirou a contar para o 0-2. A desvantagem despertou a alma vilacondense. Na sequência de um canto, Rúben Góis encheu o pé e reduziu a desvantagem com um remate fortíssimo (1-2).
O jogo entrou numa fase vertiginosa. O Rio Ave balanceou-se para a frente e arriscou tudo. Num momento crucial, Kayque evitou o 1-3 com um corte limpo em frente a uma baliza escancarada. A cinco minutos do fim, um contra-ataque espetacular conduzido por Rúben Góis culminou no golo de Dinis, que restabeleceu a igualdade no marcador (2-2). A equipa da casa ainda teve oportunidades para consumar a reviravolta, mas o empate seguiu para prolongamento.
No tempo extra, o Rio Ave esteve em crescendo. O momento de maior tensão pertenceu a Rúben Góis, que teve nos pés uma oportunidade soberba através de um livre de 10 metros, mas acabou por falhar.
A decisão seguiu para a marcação de grandes penalidades. Aí, o SC Ferreira do Zêzere foi mais competente. Enquanto a equipa forasteira converteu quatro dos seus cinco remates (falhando apenas o quarto penálti, por Lucas Albani), o Rio Ave vacilou, com os jogadores Serginho e Gustavo Rodrigues a desperdiçarem as suas penalidades. O triunfo sorriu ao Ferreira do Zêzere, que carimbou o passaporte para a Final Eight da Taça de Portugal em Gondomar.
A FIGURA


Francisco Oliveira “Chico” (SC Ferreira do Zêzere) – Foi o grande motor da sua equipa e um quebra-cabeças constante. Abriu o marcador com um golo rasteiro e destacou-se pela excelente capacidade de reter a bola, jogar bem individualmente e distribuir jogo com potência e pormenores técnicos de grande nível.
O FORA DE JOGO


Francisco Silva (Rio Ave FC) – Teve uma segunda parte bastante infeliz, demonstrando muita dificuldade em lidar com a pressão alta da equipa adversária. Acabou por perder a posse de bola em zonas proibidas por mais do que uma vez, originando lances de enorme perigo que quase resultaram em golos para o Ferreira do Zêzere.
ANÁLISE RIO AVE FC
Os comandados de Bruno Guimarães tiveram uma tarde de duas caras. A primeira parte foi pautada por nervosismo e incapacidade de quebrar a defesa do Zêzere, forçando bolas aéreas. Contudo, a equipa mostrou enorme resiliência para não deitar a toalha ao chão quando se viu a perder por 0-2. Com muito coração, conseguiu chegar ao empate nos minutos finais. Apesar de ter tido o jogo “na mão” num livre de 10 metros no prolongamento, a sorte acabou por abandonar a equipa nos penáltis.
5 Inicial do Rio Ave FC: Moreira (GR), Zezinho, Rúben Góis, Peixinho e Gustavo Rodrigues.
ANÁLISE SC FERREIRA DO ZÊZERE
A turma orientada por Cristiano Coelho fez uma exibição de grande inteligência e maturidade tática. Apresentou uma coesão defensiva assinalável na primeira parte. Quando alcançou o 0-2, sofreu com a forte reação vilacondense e cedeu o empate. Ainda assim, aguentaram a pressão no prolongamento e demonstraram uma frieza fundamental no momento das grandes penalidades, garantindo o apuramento.
5 Inicial do SC Ferreira do Zêzere: Nilton (GR), Kaká, Chico, Rui Fontes e Djaelson Filho.

