

O Dragão Arena foi palco de um clássico intenso, disputado até ao limite e decidido pela inspiração de Pol Manrubia e pela inteligência ofensiva de Ezequiel Mena, que conduziram o FC Porto a uma vitória emocionante por 5-3 frente ao Sporting, num duelo entre o terceiro e o segundo classificados do campeonato, que com este resultado ficam em igualdade pontual, com 45 pontos, já a 11 (!) do líder incontestável Benfica.
Num jogo marcado por um ritmo elevado, grandes intervenções dos guarda-redes e momentos de pura qualidade ofensiva, os dragões acabaram por ser mais eficazes na reta final, num clássico que honrou a tradição e a rivalidade entre duas das maiores potências do hóquei em patins nacional.
O FC Porto entrou em pista com personalidade e quase inaugurou o marcador ainda antes dos dois minutos iniciais, quando Hélder Nunes disparou uma poderosa stickada de meia distância que embateu no poste da baliza defendida por Xano Edo.
Do outro lado, Danilo Rampulla respondeu com um grande lance individual que não encontrou o caminho da baliza, enquanto Carlo di Benedetto desperdiçava logo depois uma oportunidade flagrante com a baliza leonina completamente aberta.
Os primeiros minutos foram também marcados pela inspiração dos guarda-redes. Xavi Malián respondeu com segurança a várias investidas leoninas, nomeadamente a remates perigosos de Rafael Bessa e Alessandro Verona, enquanto Xano Edo se destacava com uma intervenção de grande nível com a máscara a remate de Rafa.
Apesar da maior iniciativa portista, o Sporting acabaria por inaugurar o marcador aos 14 minutos, através de uma potente stickada de meia distância do argentino Facundo Navarro.
A resposta azul e branca foi imediata. No lance seguinte, Pol Manrubia restabeleceu a igualdade, também com um remate de fora da área que não deu hipóteses ao guardião leonino.
O equilíbrio manteve-se até perto do intervalo, com oportunidades para ambos os lados, mas seria o Sporting a voltar a adiantar-se aos 19 minutos, quando o capitão leonino Alessandro Verona assinou um remate indefensável que levou os leões em vantagem para o descanso.
O recomeço trouxe novamente um FC Porto determinado, com Xano Edo a evitar o empate em duas grandes defesas consecutivas a remates de Rafa e Gonçalo Alves.
O jogo tornou-se ainda mais intenso, com sucessivas ocasiões nas duas balizas. Carlo di Benedetto devolveria o empate aos 31 minutos, aproveitando da melhor forma um cruzamento de Gonçalo Alves.
O Sporting respondeu poucos minutos depois, com Rafael Bessa a finalizar um rápido contra-ataque conduzido pelo avançado italiano Alessandro Verona (que fez uma brilhante exibição apesar de ter jogado em zonas mais recuadas do que o habitual devido às ausências de Henrique Magalhães e Nolito Romero por lesão), recolocando os leões na frente.
Mas seria na fase final que o clássico mudaria definitivamente de rumo. Aos 42 minutos, Pol Manrubia voltou a aparecer em grande plano para empatar a partida a três golos, depois de uma brilhante assistência de Ezequiel Mena.
A entrada de ambos em pista revelou-se decisiva (tal como o seu treinador Paulo Freitas afirmou na conferência de imprensa em declarações ao Bola na Rede), uma vez que a sua velocidade de patinagem fez mossa a uma equipa do Sporting, que apresentou-se pouco fresca fisicamente e consequentemente, menos esclarecida.
E apenas um minuto depois, o próprio Mena completaria a reviravolta portista, colocando os dragões em vantagem pela primeira vez no encontro.
O Sporting ainda tentou reagir, mas encontrou sempre pela frente um inspirado Xavi Malián, que voltou a negar o golo a Rampulla e Verona em intervenções decisivas, tendo ainda atirado uma bola ao poste.
Naquele momento, o Sporting tentava de tudo para chegar ao empate, beneficiando igualmente do cartão azul exibido ao avançado portista Rafa, mas poucos segundos depois Roc Pujadas também foi admoestado com o cartão azul, e foi o quadro portista que tirou mais partido dessa situação.
Já perto do final, Pol Manrubia voltaria a escrever o seu nome na história do jogo, completando o hat-trick aos 47 minutos e fixando o resultado final em 5-3, desferindo um remate muito colocado, sem hipóteses para Xano Edo.
Num clássico intenso e cheio de emoção, o FC Porto mostrou carácter para virar um resultado adverso e conquistar três pontos importantes frente a um Sporting competitivo.
Se Pol Manrubia foi o homem dos golos, com uma exibição absolutamente decisiva, Ezequiel Mena foi o cérebro da reviravolta portista, conduzindo os momentos ofensivos que acabariam por decidir o encontro.
No final, ficou a sensação de que o Dragão Arena assistiu a um daqueles clássicos que recordam porque o hóquei em patins português continua a ser um espetáculo de intensidade, talento e emoção.
O Bola na Rede esteve presente no Dragão Arena, e pôde fazer algumas questões a ambos treinadores:
Bola na Rede – As entradas de Pol Manrubia e Ezequiel Mena em pista, e a velocidade que estes trazem ao jogo da sua equipa, contribuíram para desgastar fisicamente a equipa do Sporting, que mostrou falta de frescura nos últimos minutos e que foi essencial para dar a volta ao marcador. Quão importante e decisiva foi a entrada de ambos na partida?
Paulo Freitas – Era preciso mobilidade, era preciso desequilibradores, e os dois são dois patinadores natos, e que a partir de determinada altura podiam ser determinantes no jogo face ao desgaste acumulado que ia surgindo eventualmente na equipa adversária. Mas acho que é demasiado redutor olharmos só para isso, porque o trabalho foi feito por toda uma equipa. Todo o trabalho de desgaste para depois o Manrubia e o Mena poderem entrar e desequilibrar foi feito pelos outros atletas. É evidente que tiveram uma participação importante, acabaram por traduzir em golos aquilo que estavam a reproduzir dentro da pista, mas acho que acima de tudo, foi uma equipa que interpretou bem aquilo que tinha de fazer ao longo dos 50 minutos. Uma equipa que percebeu que era preciso desgastar o Sporting, para depois nós termos essa possibilidade de chegar mais frescos ao fim da partida, através de jogadores patinadores, que entram bem no espaço com e sem bola. Vou muito satisfeito com a prestação de toda a equipa.
Bola na Rede – Devido às ausências do Henrique Magalhães e do Nolito Romero, o Alessandro Verona teve de jogar numa posição mais recuada. O que é que isso traz à sua equipa e o que é que atribui à falta de frescura nos últimos minutos da partida?
Edo Bosch – Tivemos de fazer várias rotações para chegar aos últimos minutos frescos fisicamente, e sinto que o conseguimos porque realmente conseguimos estar apenas com um golo de desvantagem nos últimos seis minutos, com 4-3, e tivemos oportunidade para fazer o 4-4. A verdade é que nos prejudicou bastante o cartão azul do nosso jogador. Não vou entrar a avaliar se era justificado ou não, mas prejudicou-nos muito ter ficado em desvantagem numérica naquele momento da partida. Foram detalhes que nos escaparam. Orgulhoso do físico dos meus jogadores, sei que puxei muito por eles, e que obriguei a movimentos táticos diferentes por causa das lesões, mas cumpriram na perfeição aquilo que lhes pedi. Soubemos alargar o jogo, entramos muito verticais no jogo. Em suma, foi um grande jogo de hóquei em patins entre duas grandes equipas.

