O Dragão voltou a rugir na Europa| FC Porto x Barcelona

- Advertisement -

O FC Porto voltou ao topo da Europa.  E fê-lo com todos os componentes do ADN portista: com personalidade, sofrimento, qualidade competitiva e uma exibição absolutamente gigantesca perante o clube mais titulado da história da competição.

O Barcelona chegava a esta final com 22 Champions League no currículo, mas já não disputava uma final há 8 anos. O FC Porto procurava “apenas” a quarta. Uma diferença curricular abismal em termos históricos, mas que desapareceu completamente assim que a bola começou a rolar.

Porque durante largos períodos da final… só deu FC Porto. Os dragões entraram na partida com uma intensidade absolutamente avassaladora. Ainda antes de concluído o primeiro minuto, Marc Grau viu cartão azul por prender o patim de Gonçalo Alves, oferecendo ao FC Porto a primeira situação de power play.

Sergi Fernández ainda travou Carlo di Benedetto no livre direto, mas pouco depois já nada conseguiu fazer. Aos 2’, Rafa inaugurou o marcador após assistência de Gonçalo Alves, premiando uma entrada fortíssima da equipa de Paulo Freitas.

E o vendaval azul e branco não abrandou. Rafa, Gonçalo Alves e Hélder Nunes obrigaram Sergi Fernández a um autêntico festival de defesas nos minutos seguintes. O guarda-redes catalão começou desde cedo a perceber que estava destinado a uma noite de sofrimento.

Aos 8’ surgiu o segundo golo portista. Uma poderosa stickada de meia distância (provavelmente no único erro de abordagem de Sergi Fernández em todo o jogo) de Gonçalo Alves incendiou definitivamente a bancada azul e branca, que esteve em esmagadora maioria neste jogo.

O mais impressionante nem foi apenas o resultado. Foi a forma como o FC Porto anulou completamente o Barcelona. Os dragões pressionavam alto, defendiam com enorme agressividade e impediam constantemente a circulação da equipa de Ricardo Ares, técnico que tinha sido o timoneiro da última conquista dos azuis e brancos nesta competição, na época 2022/2023. 

O Barcelona parecia perdido, desconfortável e sem soluções perante a intensidade competitiva da equipa portuguesa. Nem mesmo os momentos de inferioridade numérica abalaram os portistas.

Após cartão azul a Telmo Pinto, o FC Porto continuou a criar perigo em under play, obrigando Sergi Fernández a mais duas enormes defesas perante Edu Lamas e Carlo di Benedetto, em lances em que ambos surgiram isolados.

Se Sergi Fernández evitou uma goleada antes do intervalo, do outro lado também surgiu um enorme Xavi Malián. O guarda-redes espanhol respondeu de forma brilhante às tentativas de Pablo Álvarez, Eloi Cervera, Marc Grau e Ignacio Alabart, especialmente durante o período em que Hélder Nunes esteve excluído por cartão azul.

Perto do intervalo, o Barcelona conseguiu travar a avalanche ofensiva portista e dispôs de dois minutos em power play, mas não tirou partido dessa situação. Muito por culpa de Xavi Malián.

Ao intervalo, a sensação era clara: se não fosse pelo gigante Sergi Fernández (guardião lendário do hóquei em patins e um multi campeão, que termina a carreira esta época), a final podia já estar praticamente decidida.

A segunda parte trouxe um Barcelona mais agressivo e emocionalmente mais ligado ao jogo. Uma decisão polémica marcou os minutos iniciais, com a equipa portista a reclamar cartão azul para Marc Grau após falta sobre Hélder Nunes. Os árbitros nada assinalaram e, pouco depois, surgiu o momento que relançou a final.

Grande penalidade para o Barcelona após Carlo di Benedetto impedir um golo com o patim já dentro da baliza. O talentosíssimo Ignacio Alabart (28’) não desperdiçou e reduziu para 2-1, com muita classe.

Foram claramente os melhores minutos da equipa catalã. O FC Porto começou a perder bolas consecutivas, mostrou algum nervosismo e alguma falta de frescura física, e viu o Barcelona aproximar-se perigosamente do empate. Mais uma vez, Xavi Malián foi enorme em momentos decisivos.

Mesmo nos momentos mais difíceis, os dragões nunca perderam totalmente a organização emocional. Paulo Freitas percebeu o momento do jogo e lançou Ezequiel Mena e Pol Manrubia para dar mais capacidade de posse e controlo à equipa. E a decisão revelou-se fundamental.

O FC Porto voltou a respirar. E voltou a crescer. A menos de seis minutos do fim, surgiu o momento decisivo. Grande jogada individual de Telmo Pinto (45’) ultrapassando dois adversários e rematando ao ângulo da baliza blaugrana, culminando no terceiro golo portista e praticamente sentenciando a final.

O Barcelona ainda tentou reagir, pressionando a toda a pista nos minutos finais, mas encontrou um FC Porto emocionalmente fortíssimo, defensivamente muito compacto e completamente comprometido com a vitória.

Até ao fim, destaque apenas para um livre direto de Hélder Nunes (que conquista finalmente a primeira Champions League da sua brilhante carreira) a 15 segundos do fim, novamente travado por Sergi Fernández.

O FC Porto não ganhou apenas uma final. Derrubou um colosso europeu e o melhor clube da história, anulou durante largos períodos uma das equipas mais talentosas do mundo e conquistou uma Champions League absolutamente memorável.

Num percurso onde já tinha terminado à frente do Barcelona na fase de grupos, com nove vitórias em dez jogos, esta conquista acaba por surgir como a confirmação definitiva da enorme dimensão competitiva da equipa de Paulo Freitas (que já havia ganho a Champions League como jogador).

O Dragão voltou a rugir na Europa. E desta vez, fizeram-no perante o maior gigante de todos.

O Bola Rede esteve presente em Coimbra no Pavilhão Multidesportos Dr. Mário Mexia e teve a oportunidade de colocar uma questão a ambos treinadores.

Bola na Rede: Na segunda parte, a sua equipa equilibrou claramente o jogo. O que é que sentiu que a equipa mudou de uma parte para a outra? E se me permite, uma segunda questão. Depois de uma segunda parte tão consistente do Barcelona, com que sensações sai desta competição para disputar o campeonato, depois de ter derrotado grandes equipas como Sporting e Benfica, e ter sido competitiva com o FC Porto.

Ricardo Ares: O que mudou foi termos muito mais rigor a nível defensivo, o que nos permitiu controlar mais os momentos ofensivos e individuais do FC Porto. Estatisticamente começamos a ter mais intercepções de remates com as pernas e nos corredores laterais, algo que fizemos melhor do que na primeira parte. No ataque, desenhamos melhor os espaços, criamos mais dificuldades à sua linha defensiva, com chegadas ao ataque muito melhores do que na primeira parte, mas precisávamos de as concretizar para entrar dentro do jogo. É uma final de Champions, o FC Porto está numa dinâmica de vitória muito forte há vários meses, e isso acabou por fazer a diferença, até porque temos vários atletas que jogaram a sua primeira final. Em relação ao campeonato, passamos alguns meses irregulares e de descrença nas nossas capacidades, mas saímos daqui reforçados e confiantes de que vamos ser muito competitivos nos play-off. Estou plenamente convicto de que assim será.

Bola na Rede: Duas partes radicalmente diferentes. Na primeira parte, o FC Porto entrou muito forte, dando até a ideia de que se não fosse pela exibição inspirada do Sergi Fernández (guarda-redes do Barcelona), o resultado poderia ter sido mais avultado. Na segunda parte, considera que foi mais mérito do Barcelona ou a sua equipa começou a acusar mais o desgaste de ter jogado no sábado, e começar a apresentar uma menor frescura física?

Paulo Freitas: O Barcelona tem muita qualidade e percebeu que tinha de fazer algo diferente, uma vez que estava em desvantagem. Involuntariamente, ficamos um pouco receosos, começamos a alongar os nossos ataques, mas deixamos de ser verticais na parte final do ataque, e o Barça sentiu isso. Podíamos e devíamos ter sido mais verticais para manter o Barcelona em sentido, mas do outro lado há muita qualidade. Foi necessário muito espírito de sacrifício, por parte de jogadores que já conquistaram vários troféus com este clube, mas que querem continuar a fazê-lo para dar alegrias aos nossos adeptos.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

Subscreve!

Artigos Populares

Conquista da Champions de Hóquei em Patins pelo FC Porto criticada: «Sempre que jogamos uma Champions aqui em Portugal, acontece alguma coisa»

Sergi Fernández jogador do Barcelona, deixou críticas à equipa de arbitragem da final da Champions de Hóquei em Patins.

Real Madrid: Florentino Pérez prepara-se para repetir com José Mourinho que já fez com Xabi Alonso

Florentino Pérez vai pagar pela segunda vez consecutiva a cláusula de rescisão de um treinador, caso opte por contratar José Mourinho.

Ana Capeta deixa Sporting em definitivo e assina pela Juventus até 2028

Ana Capeta foi oficializada como nova jogadora da Juventus. Avançada internacional portuguesa deixa Sporting em definitivo.

Mais críticas a José Mourinho: «Um dos problemas de Mourinho é que elegeu mal os projetos»

José Mourinho tem sido tema de conversa em Espanha, já que se encontra a ser muito associado a um regresso ao Real Madrid.

PUB

Mais Artigos Populares

Sporting: leões podem replicar fórmula do Benfica e que já foi sua

Juan Jesus tem sido apontado ao Sporting. Os leões podem apostar num nome mais experiente para o centro da defesa.

Bósnia e Herzegovina é a primeira seleção a revelar os convocados para o Mundial 2026 e Amar Dedic está entre os eleitos

A Bósnia e Herzegovina já revelou os eleitos para o Mundial 2026. Amar Dedic está entre os convocados para a fase final da competição.

Para as equipas portuguesas estarem atentas? Há uma equipa quase despromovida na La Liga

O Real Oviedo está muito perto de ser despromovido à La Liga 2, depois de apenas uma temporada no principal escalão do futebol espanhol.