SL Benfica resiste, FC Porto acerta quatro vezes no ferro e cai de pé no clássico | Hóquei em Patins

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FC Porto e Benfica encontraram-se na tarde deste sábado no Dragão Arena para mais um capítulo de um dos duelos mais intensos do hóquei em patins nacional. À entrada para o encontro, o contexto classificativo não deixava margem para dúvidas: o Benfica lidera de forma destacada o campeonato, com 45 pontos, cinco de vantagem sobre o Sporting e uns expressivos 11 sobre o FC Porto, apenas quarto classificado com 32. 

Ainda assim, ambas as equipas comandam os respetivos grupos na Champions League, sinal claro da dimensão europeia do clássico e da qualidade de ambas as equipas. Mas num jogo a eliminar, as diferenças entre as duas equipas esbatem-se e volta a reinar o equilíbrio, e foi isso que se verificou.

O que se viu em pista, foi um jogo dividido em dois atos completamente distintos.

Os minutos iniciais foram de estudo mútuo, com destaque para uma stickada de meia distância de Rodrigo di Benedetto e uma excelente antecipação de Xavi Malián, a mostrar desde cedo que o guarda-redes portista teria uma noite de muito trabalho.

O defesa-médio internacional francês Rodrigo di Benedetto assumiu o protagonismo e esteve na origem do primeiro golo, com uma grande jogada individual que permitiu a João Rodrigues inaugurar o marcador. O Benfica entrava melhor e com mais critério, empurrando o FC Porto para zonas recuadas.

O conjunto portista ainda ameaçou reagir, mas Edu Lamas falhou o alvo por pouco. Logo depois, o guardião portista brilhou com uma grande defesa a negar novo golo a João Rodrigues, antes de Zé Miranda ampliar com uma stickada de meia distância de grande qualidade.

O FC Porto respondeu por Gonçalo Alves, que reduziu com um remate certeiro na saída de bola, e quase repetiu a dose num lance semelhante. Ainda assim, o Benfica mantinha-se por cima, com Rodrigo di Benedetto em grande destaque, embora Conti Acevedo também tenha sido chamado a intervir durante a intervir, nomeadamente perante Telmo Pinto e Ezequiel Mena.

O momento que podia ter mudado o rumo da partida surgiu num penálti para o Benfica, após falta de Telmo Pinto sobre Gonçalo Pinto. João Rodrigues assumiu a responsabilidade, mas permitiu a defesa de Malián, mantendo o FC Porto vivo.

Mesmo assim, o Benfica continuou a carregar e chegou ao terceiro golo por Nil Roca, num contra-ataque exemplar conduzido por Rodrigo di Benedetto e beneficiando de uma excelente assistência de Lucas Ordoñez. Até ao intervalo, os encarnados estiveram mais próximos de dilatar a vantagem do que os dragões de reentrar verdadeiramente na discussão. O domínio era claro e o resultado podia, sem exagero, ter sido mais volumoso.

Na segunda parte, o FC Porto entrou a todo o gás e reagiu sem medo. O segundo tempo trouxe um FC Porto completamente diferente, tal como o próprio treinador admitiu no final ao Bola na Rede: uma equipa sem receios, subida no terreno e decidida a discutir o jogo.  Logo no início da segunda parte, Hélder Nunes acertou no poste. Era o prenúncio do que se seguiria.

O avançado francês Carlo di Benedetto esteve muitíssimo mais activo no segundo período, e foi ele que conseguiu reduzir o marcador, cobrando de forma exemplar um livre directo logo no terceiro minuto da etapa suplementar, relançando completamente a partida. O FC Porto crescia claramente e incendiava o ambiente entre os adeptos presentes no pavilhão, não se detectando a presença de nenhum apoiante do Benfica.

Seguiu-se um penálti para os azuis e brancos, mas Gonçalo Alves (um dos melhores e maiores especialistas do mundo) não conseguiu empatar. Ainda assim, a pressão portista era evidente, com Conti Acevedo a assumir-se como figura ao negar sucessivamente o golo.

O jogo entrou numa toada de parada e resposta, mas com o FC Porto mais afirmativo. Malián também respondeu quando necessário, travando Gonçalo Pinto, antes de um cartão azul a Telmo Pinto deixar os dragões temporariamente reduzidos. Nem assim o Benfica conseguiu aproveitar a superioridade numérica.

A partir daí, o clássico tornou-se mais físico, mais nervoso e jogado no limite. E começaram os ferros a determinar o desfecho desta apaixonante partida de hóquei em patins.

Gonçalo Alves acertou no poste após grande jogada individual, e voltou a fazê-lo pouco tempo depois. Pol Manrubia repetiu o cenário com uma grande stickada de meia distância. Da parte de uns subjugados encarnados, o avançado Lucas Ordoñez, de livre direto, teve no seu stick um lance que podia ter matado o resultado a pouco mais de dois minutos para o final do jogo, mas também encontrou o ferro. 

O FC Porto sobrevivia novamente e continuava a ter oportunidades claras, mas a bola teimava em não entrar. Já à entrada do último minuto, o técnico portista tentou a táctica 5×4 (sem guarda-redes na baliza e com cinco jogadores de campo), e essa estratégia quase surtiu o seu efeito. A 15 segundos do fim, Hélder Nunes disparou… ao poste.

Foi o quarto remate portista nos ferros da baliza de Conti Acevedo na segunda parte. Um símbolo perfeito de uma etapa suplementar em que os dragões fizeram mais do que suficiente para mudar o destino do encontro, mas não foram bafejados pela sorte. Um clássico de dois rostos e um desfecho cruel para os azuis e brancos

O Benfica mostrou porque já acumula mais de 20 (!) vitórias em jogos oficiais nesta época: foi superior, eficaz e dominador na primeira parte, e soube sofrer na segunda parte, estando também com a estrelinha de uma equipa com uma grande dinâmica de vitória. O FC Porto por sua vez revelou carácter, qualidade e coragem na segunda parte, assumindo o jogo e criando ocasiões claras, mas esbarrou num inspirado e intransponível Conti Acevedo e numa tarde/noite em que os postes pareceram ter dono, e em que os dragões caem de pé desta competição.

Num clássico que teve duas histórias completamente diferentes, decidiu quem aproveitou melhor o seu momento. Segue-se um novo encontro entre duas equipas dentro de uns dias no mesmo palco, desta feita para o campeonato, onde seguramente a equipa azul e branca vai querer a desforra, e encurtar a distância para o líder destacado, num duelo que se antevê igualmente intenso e emocionante.

O Bola na Rede esteve presente no Dragão Arena, e pôde fazer algumas questões a ambos treinadores:

Bola na Rede –  Uma eliminação precoce na Taça de Portugal, mas uma grande segunda parte da sua equipa. O que é que sente que faltou no primeiro tempo?

Paulo Freitas – Uma primeira parte em que entramos demasiado nervosos e ansiosos, a não conseguirmos controlar os momentos do jogo, a sermos precipitados na nossa organização ofensiva, e a forma como sofremos os golos, reflecte isso. Duas situações de transição, uma situação em que libertamos a cara do Mali, recuperamos a bola e expomo-nos novamente a um ataque rápido do Benfica, e foi uma equipa que na primeira parte, não se conseguiu encontrar. Uma segunda parte completamente diferente, uma segunda parte em que assumimos o jogo sem medo, que queríamos entrar no jogo. Deixamos tudo dentro de pista, e isto é também ser FC Porto. Nós queríamos ter ganho, seguir em frente na competição, mas não há nada a apontar a estes rapazes que aqui estiveram a lutar e a trabalhar. A exibição do Conti, os postes e a trave ditaram tudo o resto.

Bola na Rede – Qual é que considera que foi a grande diferença da primeira para a segunda parte, tendo em conta que a sua equipa baixou tanto de rendimento na etapa suplementar?

Edu Castro – O FC Porto tem uma característica primordial, que é uma equipa que contra ataca muitíssimo bem, e que o faz de forma brilhante. Tem uma saída para o contra-ataque com muita qualidade. Na primeira parte saímos fortes na defesa, não deixamos o FC Porto correr, e com isto não quer dizer que a pressão em toda a pista tenha sido bem feita, mas conseguimos trocar a bola com espaços e com qualidade, e dessa forma apareceram os golos. Mas quando o FC Porto reduziu o marcador logo no início da segunda parte, fez com que houvesse incerteza no resultado e fosse mais difícil gerir da nossa parte, porque o FC Porto é uma excelente equipa e nenhum de nós esperava que viéssemos aqui e ganhássemos 0-5.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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