Tóquio 2020, Judo #1: Foi ao sexto dia que a glória chegou e novamente no Judo!

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Com o título de bicampeão mundial, conquistas essas em 2019 e 2021, Jorge Fonseca levava para Tóquio uma mão cheia de ambições, sendo um dos principais favoritos às medalhas na categoria de -100kg de Judo. Contudo e como é do conhecimento geral todos pretendem estar ao seu melhor nível nos Jogos, pelo que o atleta a representar o Sporting Clube de Portugal, orientado pelo técnico nacional Pedro Soares, não teria tarefa facilitada no intuito de suceder ao feito obtido por Telma Monteiro na Olimpíada do Rio.

O PERCURSO DE FONSECA ATÉ AO BRONZE

A competição no tatami nipónico iniciava-se por volta das 3h em Portugal e logo com um adversário de monta. Nada mais nada menos que um atleta belga que também estava entre os melhores da categoria e, portanto, com legítimas aspirações à glória!

Dito isto e quando se esperaria, eventualmente, um combate: equilibrado, taco a taco e resolvido em pequenos detalhes, nada disso acabou por ser uma realidade. Com somente 17 segundos de disputa, o lutador português com uma entrada a todo o gás aplicaria um golpe para o qual o igualmente conceituado belga não teve resposta. Com um ippon superiormente executado fruto de uma prestação exemplar, o desportista lusitano rumava à 2.ª ronda em que competiria, visto ter estado isento da primeira fase. Assim ficava por terra o belga Toma Kikiforov, que ostentava o ceptro de campeão europeu!

Seguiu-se um oponente com o qual Jorge já registava vários combates e perante o qual denotava vantagem nos faces a faces. Neste caso o praticante em defesa da bandeira do Comité Olímpico Russo (COR), Niiaz Lliasov. O combate seria precisamente a antítese do anterior e foi com o equilíbrio como nota dominante. Após mais de cinco minutos de combate e já no “golden score”, ponto de ouro, que com recurso à técnica de wazari Jorge marcaria lugar nas meias-finais. Estava deste modo e uma etapa mais perto o sonho de toda uma nação!

O confronto seguinte colocaria um adversário asiático no caminho do judoca nacional, o sul-coreano Guam Cho. Com o começo do embate, via-se um Jorge que ia denotando queixas na mão esquerda. Algo que pareceu condicioná-lo fortemente, principalmente ao nível da sua pega, aspeto diferenciador do seu judo. Mas, mesmo em dificuldades físicas, Fonseca foi sempre nivelando o combate, que por sua vez ia estando extremamente fechado, sem ninguém a querer arriscar.

A 18 segundos de ser decretado que o combate fosse resolvido no ponto de ouro, e aproveitando com toda a mestria o défice físico que Jorge ia demonstrando, seria com um wazari que ficariam “enterradas” as perspetivas de uma final para as cores lusitanas. No entanto, haveria que recuperar Jorge Fonseca física e mentalmente, por forma a conseguir estar em pleno para o combate de atribuição do bronze.

Foi após cerca de uma hora volvida da dura e frustrante derrota que inviabilizou as chances de Jorge lutar pelas duas medalhas de maior valor que o judoca defrontou o atleta canadiano, Shady Elnahas. O alto e corpulento praticante norte-americano poderia ser um perigo, mas recuperado da lesão na mão esquerda e revelando ainda superior força mental, Jorge derrotaria o oponente a cerca de um minuto de soar o gongo com um wazari. Fonseca garantiria o Bronze, a primeira medalha para o nosso país nas presentes olimpíadas.

O atleta nascido em São Tomé e Príncipe consegue a terceira medalha do judo em Jogos Olímpicos para Portugal, sucedendo aos bronzes de Nuno Delgado em Sidney 2000 e de Telma Monteiro no Rio 2016.

Jorge Fonseca tornou-se ainda o primeiro medalhado para Portugal na categoria de -100kg, em Jogos Olímpicos, isto além de resgatar a 25.ª medalha da história do olimpismo lusitano. Com 28 anos, Jorge já aponta ao ouro em Paris, mas agora é hora de festejar e disfrutar deste dia de glória.

O BnR dá os parabéns ao judoca por este feito. Venham daí muitos mais!

Diogo Rodrigues
Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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